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Adriana Behar diz que ciclo curto força planejamento também para Los Angeles 2028

CEO da CBV busca volta do vôlei de praia ao pódio após ficar sem medalha pela primeira vez em Tóquio 2020

Adalberto Leister Filho, enviado especial a Salvador (BA)* Publicado em 29/03/2022, às 09h05

Adriana Behar durante apresentação no Congresso Olímpico Brasileiro, realizado em Salvador (BA) - Getty Images / COB
Adriana Behar durante apresentação no Congresso Olímpico Brasileiro, realizado em Salvador (BA) - Getty Images / COB

A performance ruim do vôlei de praia brasileiro na Olimpíada de Tóquio 2020 obrigou a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) a fazer mudanças de planejamento para os Jogos de Paris 2024, mas também trouxe uma preocupação adicional com a renovação dos times brasileiros.

Pela primeira vez na história da Olimpíada, o Brasil não conquistou nenhuma medalha na modalidade. O vôlei de praia foi introduzido nos Jogos de Atlanta 1996 e sempre havia tido ao menos uma dupla brasileira no pódio. Em Tóquio 2020, porém, os representantes nacionais sequer chegaram às semifinais tanto no masculino como no feminino.

“O vôlei de praia tem uma referência muito forte no Brasil, não só de conquistas pontuais, e sim por uma sustentabilidade muito grande de resultados. Então, foi um marco o vôlei de praia, pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos, não ter trazido nenhuma medalha. Foi um ponto de atenção”, afirmou Adriana Behar, CEO da CBV, à Máquina do Esporte, durante participação no Congresso Olímpico Brasileiro, em Salvador (BA).

“Acho que, quando a gente tem situações como essa, cabe mais do que nunca uma reavaliação e entender quais caminhos precisamos seguir para voltar a ter melhores possibilidades de resultado. Mas com visão de longo prazo neste ciclo curto” acrescentou a dirigente.

Behar falou que é preciso planejamento de longo prazo. “Ao mesmo tempo que precisamos focar em [Paris] 2024, temos que começar um trabalho pensando minimamente em [Los Angeles] 2028”, disse.

Para a dirigente, medalha de prata nas areias em Sydney 2000 e Atenas 2004, a modalidade evoluiu internacionalmente. Mais países investiram no vôlei de praia e montaram times fortes, aumentando a competitividade do esporte na Olimpíada.

“Temos excelentes atletas. Mas a disputa não é fácil. Tem muitos concorrentes. O cenário Internacional hoje é muito mais forte e desafiador para o vôlei de praia brasileiro”, analisou.

Outro fator preocupante é que houve pouca renovação da modalidade no Brasil. Alguns atletas chegarão a Paris com idade avançada. Em Tóquio, a delegação brasileira contou, no masculino, com Alison, 36, Álvaro Filho, 31, Evandro, 31, e Bruno Schmidt, 35.

Entre as mulheres, a nova geração teve maior representatividade, apesar de os resultados também não terem vindo. O Brasil teve Ana Patrícia, 24, Rebecca, 28, Agatha, 38, e Duda, 23. Na semana passada, Agatha anunciou gravidez e interrupção da carreira.  

“É preciso um processo de renovação de foco no desenvolvimento e que possamos ter cada vez mais um caminho pavimentado para o surgimento de novos atletas talentosos no circuito nacional com perspectivas de transformação em campeões internacionais”, afirmou Behar.

A dirigente, porém, não concorda que o Brasil fracassou em Tóquio por, entre outros motivos, não ter renovado seus talentos. “O foco é a performance, independentemente da idade. Eu vejo por mim. Conquistei medalha em 2004 [na Olimpíada de Atenas] com 34 para 35 anos”, finalizou.

* O jornalista viajou a convite do COB