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Após protesto, Asics libera outras marcas para atletas de vôlei

Erich Beting Publicado em 27/05/2021, às 00h46

Imagem Após protesto, Asics libera outras marcas para atletas de vôlei

A Asics e a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) tentaram impor uma regra às atletas do vôlei de quadra e depois voltaram atrás. A marca esportiva colocou, no contrato com a entidade, a exigência de que os atletas das seleções brasileiras de quadra usassem não apenas os uniformes, mas também os calçados da marca durante a disputa de competições oficiais. Isso gerou um protesto das atletas brasileiras nas duas partidas feitas até agora na Liga das Nações, nesta semana.

As jogadoras atuaram com esparadrapos cobrindo as marcas dos tênis que eram de empresas concorrentes da Asics. Foi uma forma pública de mostrar a insatisfação com a medida, que gerou uma crise interna antes de a Liga das Nações começar. Como revelou o jornalista Bruno Voloch, do site “O Tempo”, a gerente de seleções da CBV, Julia Silva, chegou a ameaçar atletas da seleção feminina que desrespeitassem a regra. Em mensagem enviada às atletas, a dirigente da CBV chegou a dizer que quem não usasse calçados da Asics teria punição de até 50% nas futuras renumerações dadas pela entidade.

O tom de ameaça, no entanto, foi mal-recebido pelas jogadoras. A obrigatoriedade de uso da Asics já tinha irritado os atletas antes, e o clima de insatisfação aumentou nesta semana. A briga nos bastidores tornou-se pública com a estreia do Brasil na Liga, na última terça-feira (25), com o esparadrapo tampando as marcas.

A meio de rede Carol Gattaz usa um esparadrapo para cobrir a marca da Adidas, sua patrocinadora, em jogo da Liga das Nações
Reprodução/TV FIVB

Com o mal-estar gerado, a Asics e a CBV mudaram de posição. Procurada pela Máquina do Esporte, a marca japonesa afirmou que cada atleta usa o tênis de preferência, e que a empresa apenas disponibiliza calçados da marca aos atletas, não obrigando-os a utilizarem.

“A Asics, como fornecedora oficial e exclusiva de material esportivo da Confederação Brasileira de Voleibol, está sempre à disposição para fornecer os produtos da marca aos seus atletas. Contudo, a CBV e a Asics estão alinhadas no entendimento e respeito de que cada atleta tenha a sua liberdade de escolha para selecionar o calçado que melhor se aplica ao seu estilo de jogo, nos momentos de treino e competição, em casos onde há vínculo contratual com outra marca esportiva ou por recomendação médica", afirmou a empresa em nota.

Ao UOL, a CBV adotou tom parecido para comentar o assunto.

"A CBV e a Asics estão sempre à disposição para fornecer os produtos da marca patrocinadora oficial aos atletas, no intuito de promover o bem-estar de todos. Reafirmamos que a confederação respeita integralmente o direito de seus atletas, a legislação vigente, bem como os contratos".

O embate entre atletas e a obrigatoriedade de usar um único fornecedor de material esportivo em seleções é algo incomum no Brasil, em que existe quase sempre o entendimento de que o calçado é uma propriedade que pode ser livre para o jogador escolher. Na Alemanha, entre 1954 e 2010, todos os jogadores da seleção masculina de futebol eram obrigados a jogar com chuteiras da Adidas, num acordo único. A mudança só ocorreu antes da Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, quando atletas que vestiam Nike, como Miroslav Klose, maior artilheiro da história das Copas, ameaçaram não ir ao Mundial se a exigência de exclusividade da Adidas permanecesse.