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Banco do Brasil e CBV fazem acordo por fim de exclusividade na Superliga

Acordo permitirá marcas de bancos concorrentes em quadra, atendendo a reivindicação de clubes

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 23/09/2021, às 07h30 - Atualizado às 07h59

Em 2020, quadra da Superliga chegou a ter as cores do Banco do Brasil - Divulgação / CBV
Em 2020, quadra da Superliga chegou a ter as cores do Banco do Brasil - Divulgação / CBV

Após quase uma década, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) finalmente derrubou um veto que levou à fuga das instituições bancárias do patrocínio às equipes da Superliga de vôlei. A partir da temporada 2021/2022, que começará em outubro, as marcas de empresas do segmento financeiro poderão aparecer nas quadras.

Até então, a propriedade era exclusiva do Banco do Brasil, que detinha até o ano passado o title sponsor da competição. A mudança era uma reivindicação antiga dos clubes, mas sempre tinha sido vetada pela CBV, que usava o contrato com o BB para justificar a proibição.

Em 2020, a insatisfação com a “onipresença” do banco estatal atingiu o ápice, quando a CBV tentou impor aos clubes que o desenho da quadra passaria a ter as cores do banco. O piso, porém, passou a machucar os atletas, e o projeto foi abolido durante a disputa da Superliga.

Além da permissão para que mais bancos apareçam no vôlei, a CBV preparou um pacote de novidades de marketing para a Superliga. As novas ideias foram apresentadas e debatidas com os clubes na última segunda-feira (20), durante reunião com os representantes das equipes. O alinhamento faz parte do projeto de renovação trazido pela CEO Adriana Behar e que tem sido conduzido por Marcelo Hargreaves, diretor da competição e de novos negócios da CBV.

“Os clubes estavam na mesma página e com uma visão muito parecida com aquela que a gente tem, que é tratar de fato o voleibol como produto, como negócio, crescer de modo a dar mais sustentabilidade para a liga, torná-la maior, mais forte. Mesmo assim, colocar as ideias no papel é muito mais fácil do que colocar em prática. Como primeira reunião foi muito bom, mas como pontapé inicial para um trabalho muito difícil, muito longo, que está por vir”, disse Hargreaves.

OUÇA AQUI O PODCAST MAQUINISTAS COM MARCELO HARGREAVES

Desde junho, o executivo tem feito reuniões virtuais e presenciais com os clubes e traçado o planejamento estratégico para a Superliga. Desses encontros surgiram os primeiros projetos para desenvolver mais negócios para a liga. A primeira mudança é transformar a Superliga em dois produtos distintos: Superliga feminina e Superliga masculina. Cada competição terá um orçamento de marketing e comunicação a ser trabalhado, visando rejuvenescer a base de fãs com conteúdo direcionado e foco nas mídias digitais.

“Esse alinhamento, num primeiro momento no nível conceitual e estratégico, é fundamental. Porque acho que tudo que a gente fizer no nível operacional, no nível tático, vem depois disso. Algumas discussões que, pelo que eu tinha entendido, historicamente tomavam muito tempo, mudam de figura quando a discussão deixa de ser no nível do “o quê?” e passa a ser no nível do “por quê?”. A gente alinhando o porquê daquilo, as coisas se tornam um pouco mais fáceis”, afirmou Hargreaves.

Uma dessas mudanças táticas está na condução de ações de relacionamento com o fã e na distribuição de propriedades comerciais nas quadras. Será feito um novo mapa de publicidade em quadra, abrindo mais propriedades de mídia e mudando a divisão de espaço com os clubes.

“Foi uma reunião fantástica. Era realmente o que a gente precisava ouvir. Acho que todas as equipes da Superliga queriam isso, uma gestão diferente, uma relação melhor entre as equipes. Um banco de dados para saber quem são os fãs do voleibol, identificar isso e, juntos, criar processos e produtos para esse pessoal, e atingir um público mais jovem. É um país que a gente sabe que o futebol é o primeiro esporte, mas o voleibol tem o seu lugar, e com esse tipo de gestão, a gente com certeza vai melhorar a cada ano e conseguir ter um esporte muito mais profissional”, disse Gustavo Endres, campeão olímpico, membro da Comissão de Atletas e que sempre foi muito crítico em relação à falta de ações com a Superliga por parte da CBV.

A próxima temporada da Superliga masculina terá início em 23 de outubro, enquanto a feminina começará na semana seguinte, no dia 29.