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CBV reformula Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia após críticas e fiasco olímpico

Entidade decidiu aumentar premiação, enxugar etapas e quer promover jogos mais nivelados

Adalberto Leister Filho - São Paulo (SP) Publicado em 21/12/2021, às 07h55

Após fracasso do vôlei de praia na Olimpíada de Tóquio, CBV decidiu reformular o Circuito Brasileiro da modalidade - Divulgação / CBV
Após fracasso do vôlei de praia na Olimpíada de Tóquio, CBV decidiu reformular o Circuito Brasileiro da modalidade - Divulgação / CBV

Após o fiasco nos Jogos de Tóquio, quando pela primeira vez não subiu ao pódio olímpico do vôlei de praia, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) decidiu promover uma reformulação no Circuito Brasileiro. A entidade aumentou a premiação para 2022, com um acréscimo de 22% em relação ao que foi distribuído nesta temporada. Com isso, distribuirá mais de R$ 6 milhões ao longo da temporada.

Além disso, a CBV realizou mudanças no formato do campeonato como forma de melhorar o nível técnico das duplas nacionais. A partir do ano que vem, o circuito será dividido em duas competições por etapa. A aberta reunirá as duplas do 8º ao 14º lugar no ranking nacional, além de dois convidados e oito parcerias classificadas pelo qualifying. As partidas acontecerão de quarta a sexta-feira.

Já o Top 8 será realizado de sexta a domingo pelas sete duplas mais bem ranqueadas, além de um convidado especial: o campeão do aberto anterior, que ganhará um wild card como bônus pela performance.

A dupla vencedora de cada etapa Top 8 e seu treinador também terão um benefício, além da premiação em dinheiro: o custeio das passagens, hospedagem, transporte e alimentação para disputar uma etapa do Circuito Mundial.

Segundo a CBV, esse sistema permitirá jogos mais nivelados, já que no modelo atual, com competição única com 24 duplas, os confrontos são definidos pela colocação no ranking.

Também haverá menos dias de competição para cada atleta, o que diminui o desgaste com viagens e permite mais tempo para ativações de patrocinadores pessoais e da própria CBV.

“Será um circuito com maior possibilidade de experiência esportiva, principalmente para as duplas em desenvolvimento, que terão a chance de participar de mais partidas decisivas, como semifinais e finais, vivenciando a pressão e a emoção dessas etapas. Isso é fundamental para o crescimento esportivo”, afirmou Guilherme Marques, gerente de vôlei de praia da CBV.

A CBV também convidará os campeões das etapas do Brasileiro Sub-21 para disputarem o Aberto seguinte. “Tudo está interligado, com critérios claros para os atletas e para quem acompanha a modalidade”, contou o dirigente.

As mudanças acontecem após uma campanha decepcionante do Brasil em Tóquio, quando o país foi eliminado precocemente tanto no masculino como no feminino.

“O mundo está evoluindo, e nós estamos parados na década de 1990. O mundo está capotando, e a gente está parado”, criticou Alison, campeão olímpico no Rio 2016 e prata em Londres 2012, após ser eliminado nas quartas de final em Tóquio 2020.

“O mundo descobriu que [o vôlei de praia] é um esporte barato e que traz medalha. E o Brasil está parado no tempo. Não são só oito etapas. A gente tem que evoluir. Tem que ter mais circuito, atletas, temos que incentivar. Nossos técnicos estão indo para quadra ou para outros países”, acrescentou o jogador, na ocasião.

Para reformular o calendário, a CBV pretende promover dez etapas do Top 8 e 15 do Aberto. A primeira de ambos será em fevereiro, em Saquarema, no Rio de Janeiro.

As etapas adicionais do Aberto servirão como experiência, substituindo as atuais do Circuito Challenger. Para a formação do ranking de entrada, serão levados em consideração os três melhores resultados das quatro últimas etapas. O campeão da temporada será definido pela soma dos nove melhores resultados entre os participantes.

Além do Circuito Brasileiro, as duplas nacionais terão a chance de disputar em casa duas etapas do Circuito Mundial. Em março, os melhores do planeta jogarão a etapa do Rio de Janeiro. Em abril, em Itapema (SC), haverá uma competição Challenger.