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Outros / Gestão

COB nomeia substitutos na diretoria de esportes após demissão de Jorge Bichara

Ney Wilson será diretor de alto rendimento, e Kenji Saito dirigirá área de desenvolvimento

Redação - São Paulo (SP) Publicado em 24/03/2022, às 18h06 - Atualizado às 18h08

Kenji Saito e Ney Wilson, novos diretores de esportes do COB - Divulgação / COB
Kenji Saito e Ney Wilson, novos diretores de esportes do COB - Divulgação / COB

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) nomeou Ney Wilson e Kenji Saito como novos diretores de esportes do comitê. A dupla fortalece a chamada “República do Judô”, grupo que veio da modalidade, assim como o presidente do comitê, Paulo Wanderley Teixeira, que presidiu a Confederação Brasileira de Judô (CBJ).

Os dois dividirão as atribuições para substituir Jorge Bichara, demitido de forma surpreendente na última terça-feira (22), desencadeando uma crise de gestão no COB. Vários atletas e treinadores se manifestaram publicamente contra a saída do antigo diretor de esportes, abrindo uma ferida profunda no comitê.

“Confesso que desde que me conheço como atleta, nunca pensei que um dia fôssemos passar por essa situação. Nossa história não começa apenas com essa infeliz surpresa, não! Começou há anos atrás, em 2012, na vivência olímpica de Londres. Eu era apenas um menino, Bichara, e você me enxergou. E acreditou com coração no meu coração!”, comentou Thiago Braz, campeão olímpico no salto com vara do atletismo nos Jogos do Rio 2016.

Maior nome do Time Brasil na Olimpíada de Tóquio 2020, a ginasta Rebeca Andrade foi outra que lamentou a saída do dirigente.

“Ainda estou sem acreditar e me emociono escrevendo esse texto. Você [Jorge Bichara] faz parte da minha vida, seus ensinamentos, seus ‘papos-cabeça’, a maneira de pensar, de acalmar (e precisei disso muitas vezes), incentivar e acreditar... Você vai estar sempre comigo. Vou fazer o meu melhor para continuar te orgulhando. Estaremos sempre juntos. Somos uma família!”, exaltou a campeã olímpica no salto da ginástica artística.

Bernardinho, ex-técnico da seleção brasileira masculina e feminina de vôlei, cobrou publicamente o COB pela demissão de Bichara.

“Todos cometemos erros, e a virtude está em reconhecê-los e tentar consertá-los. Que os dirigentes do esporte tenham a grandeza de reverter essa decisão, e deem a Bichara e sua equipe mais apoio para prosseguir neste curto ciclo até Paris 2024”, afirmou o treinador, que pediu demissão da seleção francesa na última quarta-feira (23).

Com a nomeação de Ney Wilson e Kenji Saito, fica claro que Bichara não faz mais parte dos planos. Wilson ficará responsável pelo alto rendimento, enquanto Saito ficará com o desenvolvimento.

“Tenho profundo respeito e admiração pelos dois e considero que a sinergia será importante na missão de entregar resultados no ciclo Paris 2024 melhores do que em Tóquio 2020. Ambos trabalharão em parceria com atletas e as confederações incessantemente para garantir a execução dos projetos”, afirmou Paulo Wanderley Teixeira.

A estratégia do dirigente vem sendo desdobrar a estrutura do COB. Recentemente, ele revelou à Máquina do Esporte que terá um diretor exclusivo para o marketing, que deve ser anunciado em abril. Anteriormente, Manoela Penna havia ocupado a direção de comunicação e marketing.

Uma das causas da divergência com Bichara era que o agora ex-funcionário não havia concordado em dividir a direção de esportes.

“A divisão de esportes entre dois diretores vai ao encontro da proposta que temos adotado nos últimos anos, de divisão dos departamentos. Foi assim com as áreas administrativa e financeira e, mais recentemente, com comunicação e marketing. Tudo isso para atender melhor o esporte brasileiro”, disse Teixeira.

Procurado, Jorge Bichara não quis se manifestar.