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Disney lança Star+ e reforça modelo brasileiro de streaming

Serviço de streaming vai ao ar na próxima terça-feira (31)

Erich Beting Publicado em 27/08/2021, às 09h25 - Atualizado em 30/08/2021, às 10h15

Imagem Disney lança Star+ e reforça modelo brasileiro de streaming

Na próxima terça-feira (31), o grupo Disney dá o segundo grande passo rumo à transformação digital de suas empresas de mídia. A plataforma Star+ será ofertada ao grande público, numa junção de conteúdo de entretenimento e esportes, consagrando o modelo brasileiro de streaming.

Assim como a Turner fez com o HBO Max, em que o conteúdo de esportes da TNT está inserido no pacote de ofertas, e a Globo fez com o Globoplay, colocando todos os canais da empresa na plataforma, o Star+ terá como um dos grandes diferenciais, além do entretenimento, os canais lineares da ESPN e uma das maiores ofertas de eventos esportivos.

“Só para se ter uma ideia do que vai ser o Star+ com a ESPN, do valor que é isso, você tem os quatro sinais da ESPN transmitidos simultaneamente, mais quatro sinais produzidos em português e outros 60 sinais sem produção, com o som original. É uma Olimpíada por dia”, afirmou Carlos Maluf, head de esportes da Disney no Brasil.

A reportagem da Máquina do Esporte conversou com o executivo e com Cristiano Lima, head de conteúdo da Disney no Brasil. No bate-papo, eles comentaram sobre os desafios de se colocar o Star+ no ar e o que isso impacta nos negócios da empresa.

“O que está acontecendo na América Latina e especificamente no Brasil é que a oferta de esportes é realmente muito forte. No mundo inteiro não acontece isso, porque a oferta é extremamente robusta, e o produto é complementar à Disney+. Comparado com a concorrência, é um preço realmente competitivo, especialmente se você considera todo o produto que a gente entrega e com destaque para o esporte, que é um grande protagonista desse negócio”, disse Cristiano Lima.

Para chegar ao Star+, a Disney foi obrigada a renegociar mais de 200 contratos de direitos de transmissão para que pudesse incluir também o streaming e a venda direta ao consumidor. Além disso, precisou passar por uma mudança de conceito dentro da empresa, fazendo com que os jornalistas que trabalhavam antes “na ESPN”, agora tenham o conceito multiplataforma mais claro.

“A gente agora é um polvo, temos um monte de braços”, resumiu Maluf.

Confira a seguir, em texto, a íntegra da entrevista com os executivos. Parte do conteúdo estará disponível em áudio dentro do podcast Intervalo, que irá ao ar às 17h desta sexta-feira (27).

Máquina do Esporte: Por que uma outra plataforma, já que existe o Disney+?
Cristiano Lima: A nossa oferta de conteúdo combinada com esportes é complementar à Disney+. O combo da The Walt Disney Company, quando você olha do ponto de vista comercial, tem um preço realmente competitivo. O que está acontecendo na América Latina e especificamente no Brasil é que a oferta de esportes é realmente muito forte. No mundo inteiro não acontece isso, porque a oferta é extremamente robusta, e o produto é complementar à Disney+. Comparado com a concorrência, é um preço realmente competitivo, especialmente se você considera todo o produto que a gente entrega e com destaque para o esporte, que é um grande protagonista desse negócio.
Carlos Maluf: No final de semana, vamos ter, com exclusividade, os campeonatos Inglês, Francês, Italiano, Espanhol, Holandês, Belga, Mexicano, Argentino e jogos da MLS. Temos jogos da Libertadores exclusivos. Só para se ter uma ideia do que vai ser o Star+ com a ESPN, do valor que é isso, você tem os quatro sinais da ESPN transmitidos simultaneamente, mais quatro sinais produzidos em português e outros 60 sinais sem produção, com o som original. É uma Olimpíada por dia que a gente vai fazer. E ainda acaba o evento, ele está lá como VOD por causa dos direitos. Estamos chegando!

ME: Não existe mercado para ter uma plataforma só de esportes? A Turner também tem feito isso com o HBO Max.
Cristiano Lima: O produto se torna único exatamente aí. Esse é o grande diferencial de mercado quando você olha para a concorrência e olha para a gente. Com esse volume todo que o Maluf acaba de descrever, você claramente percebe a oferta que a gente tem, combinado com o que vai entregar de entretenimento geral, inclusive essas oportunidades de produzir conteúdo cruzado. A gente entende que é a combinação perfeita de conteúdo. A gente acha que o esporte tem um impacto, e o conteúdo de entretenimento tem essa consistência. Todos nós amamos esporte, mas também queremos ver depois um filme, uma série, uma animação. É mais democrático, é uma ferramenta incrível, e faz sentido trazer um produto desses.

ME: O que muda internamente para a empresa, já que há a possibilidade de produzir conteúdo infinitamente?
Carlos Maluf: 
A gente vai deixar de falar “estou indo para a TV” quando a gente sai de casa. Você vai chegar e não vai saber se você fará a transmissão para o canal, para o Star+, se vai escrever um blog, gravar um podcast. Você não está lá para fazer uma determinada mídia. Se você acha que está lá para a TV, esquece. A gente agora é um polvo, temos um monte de braços.
Cristiano Lima: A beleza é essa. Você tem quatro ou cinco times que são os principais da Inglaterra. Mas você tem fãs de um ou outro time menos badalado, mas que também é importante. E essa pessoa pode entrar lá, acompanhar o time ao vivo, sem ter essa curadoria de ter só quatro jogos na TV. E além de ter o evento ao vivo, você tem o pós. Você pode ver os melhores momentos, ver o debate e ver o jogo quando quiser, porque pode ser que naquele jogo tenha acontecido algo histórico. É a expansão da experiência, a democratização do conteúdo e o respeito pelo consumidor de uma forma ampla, aberta. A gente está aprendendo muito, entendendo dia a dia esses movimentos.

ME: O que mudou na negociação de direitos?
Carlos Maluf: Os novos contratos que fechamos já tinham que ter a cláusula do “direto ao consumidor”, e todos os contratos vigentes tivemos de entrar em contato para renegociar direitos. Alguns aceitaram, outros tiveram de renegociar valores. Entramos em contato com mais de 200 fornecedores e conseguimos muita coisa. A NFL e a NBA, que têm os OTTs deles, foram os únicos que não aceitaram. E esse foi um dos motivos para a gente colocar o canal linear (da TV) dentro do Star+, porque não podemos fazer a transmissão apenas do jogo na plataforma.

ME: O que mudou na estratégia da empresa para pensar como inserir o conteúdo?
Carlos Maluf: Antigamente, a gente tinha seis canais, mas agora, como você disse, tem uma oferta infinita. Você vai ter de adequar o conteúdo para fazer dos dois lados bem. Será um quebra-cabeça todo final de semana. Mas, como eu disse, será uma Olimpíada todo dia.

ME: Está próximo o dia em que a TV será substituída pelo streaming?
Cristiano Lima: A Disney se movimenta à medida que a gente entende a necessidade das pessoas. A gente sabe o quão importante são os canais de TV, até para a construção do streaming. E tem ainda uma questão geracional. Eu acho que aí é a questão do poder de escolha de cada um. Se você pega um público um pouco mais adulto, mais sênior, ele tem o hábito dele, o timing. E isso a gente vai respeitar e entregar o melhor que a gente puder. A gente enxerga tudo isso como complementar, sem uma hierarquização. E a gente vai se posicionar sempre quando as pessoas necessitarem de um serviço ou uma experiência diferente.