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Estudo do Strava mostra impacto da Covid-19 na mente dos atletas

Redação Publicado em 22/10/2020, às 11h47

Imagem Estudo do Strava mostra impacto da Covid-19 na mente dos atletas

A rede social para atletas Strava divulgou, nesta terça-feira (20), um estudo intitulado “O Impacto da Covid-19 em Atletas Profissionais”. A pesquisa, feita em parceria com a Universidade de Stanford, nos EUA, teve como foco 131 atletas americanos de alto rendimento e revelou os danos financeiros, pessoais e motivacionais causados pela pandemia do coronavírus na comunidade esportiva. O estudo revelou mudanças no comportamento incluindo alterações significativas nos horários de treinos e ainda chama atenção para a perseverança e a resiliência dos atletas durante um dos períodos mais desafiadores da história mundial recente.

De acordo com o Strava, a pesquisa comprovou impactos significativos na saúde mental dos atletas, com um em cada cinco esportistas relatando dificuldade em se exercitar por conta de falta de motivação. Antes das restrições impostas pela Covid-19, 3,9% dos atletas disseram se sentir para baixo mais da metade dos dias da semana. Esse número subiu para 22,5% durante as restrições do coronavírus, o que equivale a um aumento de quase seis vezes. Já quando o foco é o aspecto financeiro, 71% dos atletas pesquisados demonstraram preocupação em receber uma compensação financeira por suas atividades durante o período de restrições causado pela pandemia.

A pesquisa também analisou a rotina de treinos de cada um deles e chegou à conclusão de que os hábitos sofreram alterações durante a pandemia. Enquanto 31% dos atletas reportaram aumento da duração das sessões de treinos durante o período da pesquisa, 17% aumentaram a intensidade das sessões de treinamentos no mesmo período. Os dados de atividade do Strava indicaram que eles se exercitavam por 92 minutos por dia em média antes das restrições e 103 minutos por dia durante as restrições.

Os atletas ainda reportaram que modificaram os treinos em grupo ou com um parceiro devido às restrições da pandemia. Antes da Covid-19, 91,2% dos esportistas treinavam com um parceiro pelo menos uma vez por semana. O número cai para 68,9% durante a pandemia. Ainda sobre essas mudanças, a pesquisa mostrou que 39,7% dos participantes treinavam em equipe pelo menos uma vez por semana no período pré-pandemia, enquanto durante as restrições apenas 11,6% continuaram com essa rotina, ou seja, uma queda de 3,4 vezes.

“O estudo trouxe a clareza de que a Covid-19 teve amplas implicações na comunidade atlética, particularmente quando se trata de saúde mental. A parceria com o Strava nos possibilitou ter um entendimento holístico do que os profissionais estão passando. Combinado com a mudança do cenário esportivo, nós podemos entender melhor os impactos desses efeitos a longo prazo nos atletas e como conseguimos ajudar com possíveis intervenções”, afirmou Megan Roche, pesquisadora clínica e candidata a doutoranda em epidemiologia na Universidade de Stanford.

“As descobertas desse estudo ajudarão a guiar nossa abordagem para maximizar a saúde dos atletas de elite em todo o país durante esse período sem precedentes. Embora esteja incrivelmente impressionado com a coragem desses profissionais, agora temos claras evidências do dano que isso está causando em sua saúde mental. O estresse descontrolado pode diminuir a resposta imunológica do corpo, bem como prejudicar a capacidade de recuperação completa dos exercícios intensos. Precisamos fornecer recursos adicionais para ajudar os atletas a enfrentar esses desafios”, completou Michael Fredericson, professor de Stanford e médico de medicina esportiva.

Vale lembrar que o ano de 2020 foi bem diferente para o esporte com cancelamentos ou adiamentos de eventos mundiais, incluindo o postergamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio de 2020 para 2021 e o cancelamento de dezenas de maratonas, incluindo quatro das seis Majors (Boston, Nova York, Chicago e Berlim). Apenas Tóquio e Londres foram realizadas, mas somente com a presença de atletas de elite.

“Atletas de todos os níveis contam com resiliência e perseverança para atingir seus objetivos e agradeço a franqueza daqueles que participaram e estão mostrando aos colegas que não estão sozinhos em suas adversidades. Mesmo neste ano extraordinariamente desafiador, é claro que a comunidade atlética continua a se esforçar”, finalizou Michael Horvath, CEO do Strava