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Outros / Samy Vaisman

Opinião: "Midas" da memorabília, Michael Jordan movimentou mais de US$ 4 milhões em outubro

Mercado paralelo de venda de artigos de atletas tem o ex-astro do Chicago Bulls como o grande ícone

Samy Vaisman, especial para a Máquina do Esporte Publicado em 26/10/2021, às 08h23 - Atualizado às 08h33

Tênis de Michael Jordan foi arrematado por cerca de US$ 1,5 milhão em leilão na Sotheby's - Divulgação
Tênis de Michael Jordan foi arrematado por cerca de US$ 1,5 milhão em leilão na Sotheby's - Divulgação

Um card, um par de tênis... e o "selo" Michael Jordan para catapultar valores em dois leilões realizados este mês. Neste outubro que marca o início da 75ª temporada da NBA, o "GOAT" (The Greatest Of All Times), que se aposentou em 2003, cravou novos recordes em sua carreira. Só que, dessa vez, fora das quadras.

Foi no campo da memorabília que o eterno camisa 23 do Chicago Bulls movimentou US$ 4,17 milhões (quase R$ 24 milhões) sem precisar tocar na bola ou mostrar a língua: um card raríssimo e um tênis histórico foram suficientes para sacudir o mercado nas últimas duas semanas. Isso mesmo: mais de US$ 4 milhões por um card e um par de tênis.

A Sotheby's (casa de leilões em Londres) anunciou, no último dia 10, o leilão de um par de tênis usado por Michael Jordan em 1984, sua temporada de estreia pelo Chicago. O então calouro dos Bulls usou o Nike Air Ships branco e vermelho, tamanho 13, na derrota para o Denver Nuggets por 129 a 113, em 1º de novembro daquele ano (seu quinto jogo na liga). Os tênis foram dados de presente por Jordan a Tommie "TJ" Tim Lewis III, que era um "ball boy" no jogo (uma espécie de gandula) e levou os itens a leilão.

"Itens de Michael Jordan são, talvez, os mais cobiçados. O mercado para Michael Jordan está cada vez mais forte", disse Brahm Wachter, diretor da Sotheby's.

No último domingo (24), a Sotheby's bateu o martelo, encerrando o leilão com o lance de US$ 1,472 milhão (R$ 8,39 milhões), superando, e muito, a venda até então recorde de tênis de Jordan, em 2020. À época, o par de Nike Air Jordan 1 High, usado em um amistoso em 1985, em Trieste, na Itália, foi arrematado na casa Christie's por US$ 931 mil (R$ 5 milhões na cotação da venda). Um dos tênis trazia na sola do pé esquerdo um caco de vidro, preso após Jordan quebrar o vidro da tabela depois de uma enterrada.

Não bastassem os quase US$ 1,5 milhão pagos pelos tênis, no último dia 12, Jordan deu mais uma "demonstração de força", quebrando outro recorde: um card assinado pelo eterno camisa 23 foi vendido por US$ 2,7 milhões (quase R$ 15,5 milhões), valor mais alto pago por um item da "lenda". O card tem três características importantes que o fizeram alcançar este valor: foi o primeiro no mercado que trouxe o autógrafo manual de Jordan, além de um pedaço da camisa usada por ele no "All-Star Game" realizado em fevereiro de 1992, na Orlando Arena. Ah, claro, o último detalhe, que o torna ainda mais valioso: apenas 23 destes foram produzidos.

"Possuir este item é possuir uma parte do legado de MJ, e ficamos muito orgulhosos por ter recebido essa transação recorde", afirmou Ken Goldin, presidente da Goldin Auctions, que leiloou a peça há duas semanas.

O recorde anterior de um card de Jordan era de US$ 2,1 milhões (pouco menos de R$ 12 milhões), vendido no início de 2021 pela mesma casa de leilões.

Segundo a lista de mais ricos do mundo divulgada em abril pela Forbes, Jordan é o 1.931º mais rico do mundo, com uma fortuna de US$ 1,6 bilhão (R$ 9,12 bilhões), que era de US$ 2,1 bilhões em 2020. Todos os anos, MJ arrecada mais de US$ 150 milhões. Em meio a várias "fontes" de renda, o proprietário do Charlotte Hornets embolsou € 6 milhões (R$ 37 milhões) só com os percentuais pagos por camisas vendidas na primeira semana de Lionel Messi no Paris Saint-German (a equipe tem a Jordan Brand como fornecedora oficial de material esportivo).

Não existem dados oficiais sobre esse mercado, mas estima-se que, apenas em 2021, itens históricos do camisa 23 fizeram com que cerca de US$ 50 milhões (R$ 285 milhões) fossem desembolsados pelos colecionadores apaixonados (e milionários) de Michael Jordan.

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Samy Vaisman é jornalista, sócio-diretor da MPC Rio Comunicação (@mpcriocom), cofundador da Memorabília do Esporte (@memorabiliadoesporte) e escreve mensalmente na Máquina do Esporte