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Retrospectiva 2020: O ano transformador do esporte

Redação Publicado em 31/12/2020, às 12h52

Imagem Retrospectiva 2020: O ano transformador do esporte
As aglomerações de torcedores pararam, causando também uma necessidade de reinvenção da conexão do esporte com o fã.
Crédito: Reprodução

O ano mais interminável de nossas vidas chega ao fim nesta quinta-feira. Numa montanha-russa de emoções, 2020 se encerra com diversas lições entregues para nós. Um ano de desafios, aprendizados e, principalmente, transformações.

No último dia do ano, trazemos agora um breve resumo do que foi 2020 em cinco momentos marcantes da indústria esportiva mundial. Confira a seguir.

1) O esporte parou

Era 11 de março quando a NBA deu um recado ao mundo. Pare tudo o que está fazendo e fique em casa. A liga americana de basquete suspendeu por tempo indeterminado a temporada após o pivô Rudy Gobert, do Utah Jazz, se infectar com o novo coronavírus. A partir daí, todos os eventos esportivos foram sendo suspensos pelo mundo. No dia 24 de março, o COI anunciou o adiamento em um ano dos Jogos Olímpicos de Tóquio, a primeira Olimpíada a ter a data alterada sem ser por causa de uma guerra. A retomada dos principais eventos só foi acontecer no final de maio, e ainda assim com portões fechados e rígidos protocolos de testagem de atletas e trabalhadores nos eventos. Uma pausa nunca antes vista no esporte, que a partir daí começou a acelerar diversas transformações.

NBA suspendeu a competição após atleta ser diagnosticado com Covid-19.
Créditos: Reprodução

2) O esporte abraça o social

O assassinato de mais um negro por policiais brancos nos Estados Unidos, em 25 de maio, mobilizou o país e fez surgir, mundialmente, um movimento de discussão sobre o racismo. George Floyd foi assassinado brutalmente por dois policiais após uma discussão em frente a uma loja. Pelos EUA, protestos tomaram as ruas do país. O movimento Black Lives Matter começou a ganhar o mundo. E alguns dos principais atletas negros passaram a se engajar na causa. Lewis Hamilton, Naomi Osaka e LeBron James foram os três maiores líderes nessa jornada. Em agosto, os três se tornaram a principal voz ativa das competições esportivas para defender as vidas negras. O esporte, a partir daí, passou a tolerar e incentivar protestos contra o racismo dentro das competições, algo que foi boicotado por décadas. Mais uma vez, a NBA foi a pioneira, ao dar exposição ao BLM e, mais ainda, a incentivar os atletas a pararem de jogar e fazerem greve após mais um negro ser morto pela polícia, em agosto. A pandemia fez o esporte virar um palco importante – e legitimado pela própria cartolagem – para o debate de causas sociais.

Em agosto, os três se tornaram a principal voz ativa das competições esportivas para defender as vidas negras.
Crédito: Reprodução

3) O fim das aglomerações

O esporte começou a ensaiar a retomada de seus principais eventos no final de maio, com o futebol e as ligas sul-coreana, alemã e dinamarquesa. Em comum, todos os jogos voltaram, mas com portões fechados. As aglomerações de torcedores pararam, causando também uma necessidade de reinvenção da conexão do esporte com o fã. O primeiro a mostrar o caminho para o “novo normal” foi o Aahrus, da Dinamarca. Em parceria com a plataforma de vídeoconferência Zoom, o time criou a Arquibancasa. Torcedores se inscreviam para receber ingressos virtuais para os jogos do time. Telões gigantes foram instalados nas arquibancadas, mostrando a reação dos fãs na beira do gramado enquanto a bola rolava. A experiência passou a ser replicada em todos os eventos pelo mundo.

4) A era das bolhas

A volta do futebol gerou uma preparação das outras modalidades para a retomada dos eventos. A NBA, mais uma vez, liderou a transformação. A liga de basquete criou uma “bolha” para os atletas com o objetivo de encerrar a temporada. A partir de 30 de julho e até a primeira quinzena de outubro, os jogadores ficaram confinados dentro do complexo da Disney, parceira comercial da liga. Hospedados nos hotéis, os times jogaram nas quadras da ESPN num anexo de parques esportivos da Disney. Os atletas não podiam sair da bolha e eram testados sucessivamente para saber se estavam infectados. O sucesso da “bolha” da NBA fez outras competições adotarem modelos similares. A Champions League criou o “super agosto”, com a reta final do torneio disputada em Lisboa e os atletas confinados. A Fórmula 1 também mudou o calendário e reduziu drasticamente as viagens das escuderias, mantendo o maior controle possível sobre todos que trabalhavam nas provas. O terceiro trimestre do ano foi marcado pela era das bolhas, com o maior isolamento possível de atletas e profissionais.

NBA criou bolha para a competição em Orlando, Flórida.
Crédito: Reprodução

5) O esporte mais pragmático

A necessidade de parar todas as atividades esportivas por pelo menos três meses fez o esporte adotar um novo estilo de vida. Por pior que esteja a situação lá fora, o show tem de continuar. A falta de público nas competições esportivas parece se tornar a regra, ainda mais com a segunda onda de contaminação do coronavírus aumentando no fim de dezembro. Isso já deve ocasionar perdas de receita consideráveis para as entidades. Mas o que está em curso é a sobrevivência do esporte no modelo atual de gestão, com receitas polpudas oriundas da trinca bilheteria-direitos de TV- patrocínio. Sem poder ter o torcedor no evento, o esporte sofre com a renegociação de diversos contratos de direitos de mídia e de patrocínio, já que a relação mudou completamente. Isso fez com que as entidades esportivas se tornassem pragmáticas, mesmo em meio a uma segunda onda de contágio do covid. O esporte não deve parar. Afinal, o torcedor precisa do entretenimento dentro de casa. Ele precisará se adaptar às novas condições de higiene, testar os atletas com regularidade. Tudo isso, pelo menos, até a vacina chegar.

A pandemia provou ser um desafio para os clubes e equipes.
Crédito: Reprodução