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Torcedores exigem mais “mimos” para voltar a estádios

Erich Beting Publicado em 30/04/2021, às 19h39

Imagem Torcedores exigem mais “mimos” para voltar a estádios

Quando as arenas esportivas começarem a reabrir para o público, os gestores terão pela frente um torcedor muito mais exigente. Isso é o que aponta uma pesquisa inédita feita pela Oracle com 3 mil torcedores de Austrália, Estados Unidos, Japão e Reino Unido, em janeiro de 2021.

O estudo, que recebeu o nome de “De volta à Arena”, mapeou os interesses dos consumidores no planejamento do retorno presencial aos estádios. Atualmente, apenas 18% dos torcedores disseram não sentir falta de estar longe dos estádios, enquanto 82% declararam em graus diferentes, medo e angústia de não poderem acompanhar os eventos ao vivo.

Entre julho de 2020, quando um primeiro levantamento foi feito, ainda no primeiro auge da pandemia, e janeiro de 2021, data de finalização do estudo, o interesse em regressar aos eventos aumentou: 28% das pessoas dizem atualmente que querem voltar assim que for seguro, ante 16% do ano anterior.

Apesar de ter interesse em voltar aos campos e quadras, o torcedor deseja um ambiente muito diferente daquele que estava acostumado a encontrar. Para 60% dos fãs, é preciso que haja distanciamento social entre os torcedores, mesmo que para isso ele tenha de pagar mais caro pelo ingresso. Já as pessoas que ainda não pretendem voltar aos eventos ao vivo representam 26% do total da pesquisa.

Capa do estudo
Reprodução

A julgar pelos novos hábitos de consumo dos torcedores no retorno aos eventos esportivos, será preciso que as arenas se modernizem e passem a ter a tecnologia embarcada em quase todas as iniciativas. Além disso, o impacto direto das mudanças pode representar um aumento substancial no preço dos ingressos para atender a todas as demandas que o torcedor quer ter.

Segundo a pesquisa, 57% dos fãs querem ter um serviço de compra de comida antes de saírem para os estádios, enquanto outros 50% gostariam de organizar como será a ida ao evento com um dia de antecedência. Isso exigiria que os estádios se preparassem para permitir compra antecipada de comida, agendamento de horário para chegada do torcedor, controle de entrada em lojas, etc.

Outra exigência do torcedor é por um serviço mais VIP nos estádios, o que pode representar um aumento no preço do tíquete médio. Para 44% dos entrevistados, não haveria problemas em pagar mais para “furar a fila” na hora de entrar no evento. Entre a geração Millenial (nascidos entre 1985 e 1999), esse número cresce para 50%, enquanto entre aqueles que possuem família a adesão é de 60% pela compra de um “fast pass” como existe nos parques da Disney.

“De portadores de ingressos para a temporada a fãs casuais, os consumidores estão ansiosos para o retorno dos eventos presenciais, mas como tantos setores, esportes e entretenimento não retornarão ao que eram por algum tempo, se é que isso acontecerá. Os operadores trabalharam muito durante a paralisação para criar experiências melhores e mais seguras que os clientes não apenas desejam, mas também esperam. A tecnologia desempenhará um papel fundamental na evolução da experiência 360 graus do torcedor”, disse Simon de Montfort Walker, vice-presidente sênior e gerente geral da Oracle Food and Beverage.

Outra tendência apontada pela Oracle no levantamento é de que aplicativos para dispositivos móveis terão de ser adotados pelas arenas se quiserem faturar mais com a venda de produtos e serviços. Para 38% dos entrevistados, o app seria o caminho mais viável para comprar alimentos e bebidas durante os jogos. As arenas, porém, precisariam ter uma operação logística mais organizada, já que 46% das pessoas afirmaram que gostariam de receber o alimento em seus assentos, evitando assim deslocamento e, principalmente, aglomeração para comprar ou retirar os produtos.

Pagamentos feitos sem a necessidade de inserir cartões em máquinas ou manusear dinheiro, que já eram uma tendência pré-pandemia, atualmente passa a ser regra para programar o retorno do público.

A tecnologia também pode ser uma aliada para as arenas não ficarem distantes do torcedor enquanto os eventos não são liberados para o público. Na pesquisa, o torcedor afirma que aquilo que menos sente falta dentro das arenas é o evento esportivo em si. A interação com outros fãs é o que mais faz falta para as pessoas. Para 49% dos entrevistados, não vivenciar o ambiente de uma arena esportiva é o que mais lhes entristece. Outros 20% dizem que gostariam de se sociabilizar com outros torcedores. Para 30% das pessoas, seria ótimo participar de uma experiência virtual em que pudessem vibrar pelo seu time à distância. Já 31% dizem que seria maravilhoso poder compartilhar das emoções ao vivo do evento com outros torcedores.