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Verônica Hipólito busca patrocinadores para sua equipe paralímpica

Velocista reúne cerca de 70 competidores de atletismo e natação em projeto criado há dois anos

Adalberto Leister Filho - São Paulo (SP) Publicado em 21/12/2021, às 15h53 - Atualizado às 15h57

Verônica Hipolito (centro) lidera projeto da equipe Naurú, com cerca de 70 atletas paralímpicos - Divulgação
Verônica Hipolito (centro) lidera projeto da equipe Naurú, com cerca de 70 atletas paralímpicos - Divulgação

A velocista Verônica Hipolito, dona de duas medalhas na Paralimpíada do Rio 2016, procura patrocinadores para a equipe Naurú, que conta com cerca de 70 atletas de natação e atletismo.

“Montei essa equipe há dois anos. Começou, na verdade, como um movimento para auxiliar e salvar jovens e crianças que sofreram algum tipo de assédio e abuso no esporte”, conta a corredora, que se divide atualmente entre treinos, busca por patrocinadores, a faculdade de economia e o tratamento de um tumor no cérebro.

“Faltam 11 sessões de radioterapia”, afirma ela, mostrando resiliência.

Para conseguir parceiros comerciais, Verônica conseguiu aprovar um projeto por meio da Lei de Incentivo ao Esporte. Por enquanto, conquistou o apoio de uma empresa, a Construtora Cury, o que é suficiente apenas para pagar dois treinadores.

“Estamos vivendo de voluntariado. Os atletas estão abrindo mão de propostas melhores para ficar com a gente. Nosso projeto está super-redondinho, um brinco. Mas nunca recebi tanto ‘não‘ na vida. Estou até zonza”, brinca a atleta, para logo em seguida adotar um tom sério.

“Eu e outros atletas estamos arregaçando as mangas para fazer as coisas acontecerem. Neste fim de semana, imprimi vários folhetos e saí distribuindo. Nosso projeto não é para ser um hiperclube que vai derrubar todos os outros. Queremos mostrar que o esporte é para todo mundo”, ressalta a velocista, que compete na classe T38 (para atletas com deficiência de coordenação motora que competem em pé).

O grupo reunido sob a liderança de Verônica conta com alguns dos principais atletas paralímpicos do país.

“Do atletismo estamos com 34 atletas de altíssimo rendimento. Temos medalhistas em Mundiais, Paralimpíadas e Parapan-Americano. Estamos com três nomes entre os dez melhores atletas paralímpicos do mundo, inclusive o Washington, quinto melhor de todos os tempos”, conta Verônica, referindo-se a Washington Júnior, medalhista de bronze na Paralimpíada de Tóquio nos 100m classe T47 (atletas com deficiências nos membros superiores), prova que teve Petrúcio Ferreira como campeão.

O grupo atualmente treina em dois locais: no NAR (Núcleo de Alto Rendimento) e no Centro de Treinamento Paralímpico, ambos na zona sul de São Paulo.

“Para o atleta olímpico não é fácil [arrumar patrocínio], mas para o paralímpico é mais difícil. Mas a gente não vai chegar na China e nos Estados Unidos se não investir. Precisamos pegar o atleta, levar para as empresas, para as escolas, fazê-los se tornarem heróis e heroínas. É assim que o ciclo vai continuar”, explica ela.

Além da parceria esportiva, Verônica oferece consultorias e palestras dos atletas como forma de transformação social de empresas e suas parceiras.

“Às vezes, você vai nas empresas e se fala em inclusão, mas não há acessibilidade, rampa, elevador, sinais de libras, piso tátil. Que diversidade é essa?”, questiona ela, mostrando que a relação pode ser enriquecedora para os dois lados.

“Como eu ativo um atleta paralímpico? De várias formas. Pode pegar atletas e treinadores para dar palestras e até fazer consultoria, ensinar como treinar PCD [pessoa com deficiência], melhorar a acessibilidade dos prédios, dos shoppings, nas embalagens. É tudo”, afirma a medalhista paralímpica.

Para ela, competições como a Paralimpíada ajudam a dar visibilidade à causa, mas questões de inclusão ainda estão longe de serem resolvidas na sociedade.

“As pessoas com deficiência no Brasil são um público de mais de 25 milhões de pessoas. Com certeza, temos mais de 40 milhões [de PCDs no país], porque o censo não alcança todo mundo. Quantos cadeirantes, amputados, pessoas com paralisia cerebral, deficientes visuais, você teve como colega na sala de aula, como aluno ou professor?”, indaga a atleta.