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Outros / Queda de braço

WTA confirma suspensão de todos os eventos na China por conta de Shuai Peng

Entidade reforçou discurso por garantia de liberdade da atleta chinesa que denunciou abuso sexual de alto funcionário do governo

Redação - São Paulo (SP) Publicado em 01/12/2021, às 16h42 - Atualizado às 16h44

Campanha endossada pela WTA teve início nas redes sociais enquanto a tenista chinesa Shuai Peng não aparecia - Reprodução / Twitter (@WTA)
Campanha endossada pela WTA teve início nas redes sociais enquanto a tenista chinesa Shuai Peng não aparecia - Reprodução / Twitter (@WTA)

A WTA, entidade responsável pela gestão do tênis feminino mundial, acaba de anunciar que suspenderá a realização de qualquer torneio na China e em Hong Kong enquanto não tiver certeza de que a tenista Shuai Peng está em segurança.

Uma carta assinada por Steve Simon, CEO da WTA, foi publicada no meio da tarde desta quarta-feira (1). Nela, o executivo reforça que, apesar de agora ter uma confirmação de que a tenista está viva, ainda existem diversas dúvidas sobre sua liberdade. E que, por isso, a entidade tomará medidas contra os chineses.

“Embora agora saibamos onde Shuai Peng está, tenho sérias dúvidas de que ela esteja livre, segura e não sujeita a censura, coerção e intimidação. A WTA foi clara sobre o que é necessário aqui, e repetimos nosso apelo por uma investigação completa e transparente, sem censura, da acusação de agressão sexual de Shuai Peng”, disse Simon em sua carta.

Há alguns dias, a tenista conversou virtualmente com Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI). No bate-papo, Peng disse estar bem, mas pediu que as pessoas não tentassem entrar em contato com ela.

Em 2 de novembro, a tenista usou as redes sociais para denunciar um funcionário do alto escalão do governo chinês de assédio sexual. A postagem foi banida da internet na China e, durante duas semanas, Shuai Peng ficou incomunicável. Um e-mail supostamente redigido por ela foi divulgado pela mídia chinesa, mas o caso seguiu suspeito.

Após muita pressão da opinião pública, com esportistas, celebridades e entidades esportivas e sociais questionando a China e pedindo uma prova de vida da tenista, o vídeo gravado com Thomas Bach reduziu as cobranças, mas a WTA não se deu por satisfeita.

A decisão é a primeira medida mais enérgica tomada por uma entidade esportiva contra abusos de governos. Chama atenção, ainda, o fato de que a China é o maior parceiro comercial da WTA, recebendo o maior número de torneios internacionais em seu calendário.

Confira abaixo a íntegra da nota publicada por Steve Simon no site da WTA.

“Quando, em 2 de novembro de 2021, Shuai Peng postou uma alegação de agressão sexual contra um alto funcionário do governo chinês, a Associação Feminina de Tênis reconheceu que a mensagem de Shuai Peng precisava ser ouvida e levada a sério. As jogadoras da WTA, sem falar nas mulheres de todo o mundo, não merecem nada menos.

Daquele momento em diante, Shuai Peng demonstrou a importância de falar abertamente, especialmente quando se trata de agressão sexual, e especialmente quando pessoas poderosas estão envolvidas. Como Peng disse em seu post: “Mesmo que seja como um ovo batendo em uma pedra, ou se eu for como uma mariposa atraída pela chama, convidando à autodestruição, contarei a verdade sobre você”. Ela conhecia os perigos que enfrentaria, mas veio a público de qualquer maneira. Eu admiro sua força e coragem.

Desde então, a mensagem de Peng foi removida da internet, e a discussão deste grave problema foi censurada na China. As autoridades chinesas tiveram a oportunidade de cessar essa censura, provar de forma verificável que Peng é livre e capaz de falar sem interferência ou intimidação, e investigar a alegação de agressão sexual de maneira completa, justa e transparente. Infelizmente, a liderança na China não abordou essa questão tão séria de maneira confiável. Embora agora saibamos onde Peng está, tenho sérias dúvidas de que ela esteja livre, segura e não sujeita a censura, coerção e intimidação. A WTA foi clara sobre o que é necessário aqui, e repetimos nosso apelo por uma investigação completa e transparente, sem censura, da acusação de agressão sexual de Shuai Peng.

Nada disso é aceitável nem pode se tornar aceitável. Se pessoas poderosas puderem suprimir as vozes das mulheres e varrer as acusações de agressão sexual para debaixo do tapete, então a base sobre a qual a WTA foi fundada, igualdade para as mulheres, sofreria um retrocesso imenso. Não vou e não posso deixar que isso aconteça com a WTA e suas atletas.

Como resultado, e com o total apoio da diretoria da WTA, estou anunciando a suspensão imediata de todos os torneios da WTA na China, incluindo Hong Kong. Em sã consciência, não vejo como posso pedir aos nossos atletas para competirem lá, quando Shuai Peng não tem permissão para se comunicar livremente e aparentemente foi pressionada a contradizer sua alegação de agressão sexual. Dada a situação atual, também estou muito preocupado com os riscos que todos os nossos jogadores e equipe poderiam enfrentar se realizássemos eventos na China em 2022.

Fiquei satisfeito com o enorme apoio internacional que a WTA recebeu por sua posição sobre este assunto. Para proteger ainda mais Peng e muitas outras mulheres em todo o mundo, é mais urgente do que nunca que as pessoas se manifestem. A WTA fará todo o possível para proteger suas jogadoras. Ao fazermos isso, espero que os líderes em todo o mundo continuem a falar abertamente para que a justiça possa ser feita por Peng, e todas as mulheres, não importando as ramificações financeiras.

Lamento muito que tenha chegado a este ponto. As comunidades do tênis na China e em Hong Kong estão repletas de ótimas pessoas com quem trabalhamos há muitos anos. Eles devem se orgulhar de suas realizações, hospitalidade e sucesso. No entanto, a menos que a China dê os passos que solicitamos, não podemos colocar nossos jogadores e equipe em risco realizando eventos na China. Os líderes da China deixaram a WTA sem escolha. Continuo esperançoso de que nossos apelos sejam ouvidos e que as autoridades chinesas tomem medidas para resolver este problema de forma legítima.”