O Manchester City está sendo alvo de críticas pela recusa de ajudar o Exeter City, clube da terceira divisão inglesa que enfrentará no sábado (10), pela terceira rodada da FA Cup.
O clube da League One, operado sob um modelo de propriedade de seus torcedores, solicitou formalmente ao Manchester City uma fatia adicional da arrecadação de bilheteria do Etihad Stadium.
O pedido, descrito pelo Exeter como uma “declaração de solidariedade” ao futebol sustentável, foi prontamente recusado pelos Citizens, que optaram por seguir estritamente o regulamento da competição.
De acordo com as normas da FA Cup, a renda bruta das partidas é dividida em 45% para cada clube, com os 10% restantes destinados à Football Association (FA), que gere o futebol inglês. Para o Exeter, que levará cerca de 8 mil torcedores ao estádio lotado do City, a estimativa de receita gira em torno de £ 250 mil a £ 400 mil.
Duas medidas
Apesar de não estar fora das regras, a atitude do Manchester City não foi bem vista, principalmente pela situação finaceira do clube, um dos mais ricos do mundo, com receitas de £ 694,1 milhões na temporada 2024/2025.
Para o Exeter, por outro lado, a quantia faria grande diferença. O clube atravessa um período de severa fragilidade financeira, tendo realizado duas rodadas de demissões nesta temporada e recorrido a um empréstimo de £ 600 mil libras de um fundo gerido por seus próprios torcedores para manter as operações.
Além disso, a agremiação precisou absorver prejuízos recentes de £ 100 mil causados por um incêndio em seu estádio, o St. James’ Park. Para a associação de torcedores do clube, o gesto do Manchester City teria um impacto tangível nas contas e serviria como um respaldo simbólico aos modelos de gestão comunitária.
Responsabilidade
A postura do Manchester City, embora amparada pela legalidade dos processos da FA, levanta questionamentos sobre a responsabilidade social dos gigantes europeus dentro do ecossistema esportivo.
Analistas da indústria entendem que a manutenção da pirâmide do futebol inglês depende da saúde dos clubes menores, que servem de base para o desenvolvimento do esporte no país.
A partir deste ponto de vista, ao ignorar o pedido de um clube deficitário, o Manchester City reforça uma imagem de distanciamento das realidades locais, justamente em um momento em que o clube aguarda o desfecho de investigações sobre mais de uma centena de supostas violações das regras financeiras da Premier League.
