Jannik Sinner encerrou os últimos 12 meses como o tenista mais bem pago do mundo, com US$ 58 milhões em ganhos, à frente de Carlos Alcaraz. Em 19 anos do ranking da Forbes, apenas Roger Federer, Novak Djokovic e o próprio Alcaraz tinham liderado a lista antes do italiano, e o resultado veio junto à liderança do ranking da ATP.
Meses antes da divulgação desse ranking, um estudo da Tennium, empresa responsável por torneios como o Barcelona Open e o Argentina Open, mapeou como os fãs enxergam os 20 principais nomes do circuito, avaliando atributos como carisma, autenticidade, estilo e consistência. O levantamento posiciona cada jogador em dois eixos (resultado esportivo e conexão emocional com o público), e Sinner aparece isolado dos demais líderes do circuito nesse cruzamento: lidera com folga no primeiro eixo, mas fica para trás no segundo, a única combinação desse tipo entre os nomes de ponta da ATP.
Alcaraz e Djokovic ocupam o quadrante que reúne as duas dimensões, considerado pelo estudo como o de maior valor comercial, o que deixa Sinner em uma posição pouco confortável para quem lidera o ranking esportivo e o financeiro ao mesmo tempo.

Os números de patrocínio de 2026 seguem essa mesma distribuição. Mesmo com a liderança em faturamento total, Sinner fica atrás de Alcaraz na receita fora de quadra (US$ 35 milhões contra US$ 38 milhões), uma diferença que aparece justamente na categoria que mais cresce no tênis atual. Entre outras empresas, o portfólio do italiano é formado por Allianz, Lavazza e De Cecco, marcas de seguro, café e alimentos, respectivamente, que reforçam eficiência e consistência, atributos coerentes com sua imagem em quadra, mas que não necessariamente traduzem apelo emocional (se aprofunde aqui).
É um perfil de patrocínio mais próximo do funcional do que do aspiracional, o oposto do caminho que Alcaraz vem construindo, com contrato com a Louis Vuitton e acordos recentes em tecnologia e fintechs, ou seja, um portfólio que mistura resultado esportivo com construção de imagem pessoal.

Já o caso de Djokovic mostra como essa combinação se sustenta com o tempo. Aos 39 anos e sem vencer um Grand Slam desde 2023, o sérvio segue entre os tenistas mais bem pagos, com contratos com marcas como Hublot, Lacoste e Qatar Airways, além de um papel recente junto à gestora General Atlantic. O portfólio se apoia mais em um posicionamento de marca consolidado ao longo de décadas, o que mantém seu valor comercial estável mesmo com a queda no desempenho esportivo, um caminho que Sinner ainda não percorreu.
A tendência apontada pelo estudo é de que a distância entre os dois eixos de Sinner diminua à medida que ele acumular mais títulos, movimento que os resultados de 2026 já sugerem: dominar o circuito por tempo suficiente tende a empurrar naturalmente um jogador para o quadrante de maior valor emocional, como aconteceu com Djokovic.
Ainda assim, os dados do italiano mostram que desempenho esportivo e percepção de marca nem sempre avançam no mesmo ritmo, e que ser o melhor do mundo em quadra não fecha, sozinho, a conta comercial. Este é um padrão que também vale observar em nomes em ascensão no circuito, como o brasileiro João Fonseca, que já aparece entre os 20 jogadores avaliados pela Tennium mesmo sendo um dos mais jovens do grupo.
