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Tóquio 2020 / Representatividade

COB prepara diagnóstico sobre esporte feminino, "líder" do quadro de medalhas

Erich Beting Publicado em 02/08/2021, às 12h14

Imagem COB prepara diagnóstico sobre esporte feminino, "líder" do quadro de medalhas
Rebeca Andrade foi a primeira atleta brasileira a conquistar duas medalhas numa mesma edição de Olimpíada
Reuters

O Brasil completou a primeira semana dos Jogos Olímpicos de Tóquio com um total de dez medalhas conquistadas. Até agora, cinco pódios foram alcançados por mulheres, algo raro num país que está acostumado a ver os homens no topo olímpico. Mais ainda, se houvesse uma divisão por gênero das conquistas, as mulheres estariam à frente, com um ouro, duas pratas e dois bronzes, contra um ouro, uma prata e três bronzes dos homens.

Em sua Olimpíada mais “igualitária” da história (46,8% dos atletas brasileiros em Tóquio são mulheres), o Comitê Olímpico do Brasil (COB) mira, agora, um diagnóstico sobre as atletas brasileiras que estão no Japão.

O comitê aproveitou a reunião de diversas esportistas na Olimpíada para criar o primeiro relatório sobre como elas conseguiram se desenvolver para se transformarem em atletas olímpicas.

Com o nome de “Programa Mulher no Esporte”, o levantamento tem uma série de perguntas para as atletas, que procuram descobrir onde começaram a praticar esporte, quais títulos conquistaram, com quem treinaram, quais as referências na carreira e que impacto as figuras femininas tiveram em suas trajetórias, entre outros tópicos. Com respostas anônimas, a ideia do COB é formar um mapa de como a mulher pode ter maior presença no esporte e, assim, tentar chegar a 50% de participação feminina em Paris 2024.

“Queremos trazer mais mulheres para o esporte, mais técnicas, mais atletas, mais gestoras, que possam imprimir um olhar mais feminino. É muito importante criar um ambiente inclusivo para que a mulher possa performar bem e trazer o resultado. O homem busca resultado para se sentir incluído, a mulher precisa se sentir integrada para prosseguir em busca dos seus objetivos”, afirmou Isabel Swan, medalhista de bronze na vela em Pequim 2008 e coordenadora do programa dentro do COB.

Nas comissões técnicas do Time Brasil, as mulheres representam apenas 10% dos treinadores e 20% dos chefes de equipe em ação no Japão. Por conta disso, uma das metas é tentar ampliar a participação feminina também na gestão do esporte.

“É importante para a mulher ter referência, já que poucas atletas seguem para o alto rendimento. É importante ter referência não só no alto rendimento, mas na capacitação. Olhar feminino para questões femininas durante o processo de formação da atleta faz diferença”, disse Isabel.

Uma das poucas mulheres que migraram para a gestão, Natália Falavigna, chefe de equipe do taekwondo em Tóquio 2020 e medalhista de bronze em Pequim 2008, ressaltou a importância de projetos para promover o crescimento da participação feminina.

“Um ambiente inclusivo é importante, assim como diferenciar as características da preparação ao nível do esporte e da performance das atletas com o ambiente da gestão, onde as mulheres estão cada vez mais se inserindo e trazem uma diversidade de pensamento”, afirmou Natália.