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Tóquio 2020 / Paralimpíadas

CPB terá uniformes com acessibilidade em Tóquio

Redação Publicado em 17/05/2021, às 13h43

Imagem CPB terá uniformes com acessibilidade em Tóquio

O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) apresentará, nesta segunda-feira (17), os uniformes da delegação brasileira que disputará os Jogos Paralímpicos de Tóquio. Uma live que começa às 15h nos canais do CPB no Facebook e no Youtube vai celebrar a marca dos 100 dias para o evento na capital japonesa e mostrará a novidade. Pela primeira vez, os atletas vão para os Jogos com um uniforme desenvolvido pela própria equipe de design do CPB e que é voltado para atender diretamente às necessidades e particularidades das deficiências dos atletas paralímpicos que vão em busca das medalhas no Japão.

O uniforme será apresentado em ensaio realizado pelos atletas Gabriela Mendonça (classe T12), João Victor (F37), Lorena Spoladore (T11), Raissa Machado (F56), Vinícius Rodrigues (T63), Washington Assis (T47), além do atleta-guia Renato Ben Hur, todos do atletismo, na Japan House, em São Paulo.

A casa de cultura japonesa é a nova parceira do CPB na campanha paralímpica deste ano. Os atletas paralímpicos do Brasil vestirão os novos uniformes na cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos, marcada para o próximo dia 24 de agosto. A participação brasileira no Japão vai contar ainda com a parceria das Havaianas, que fornecerá calçados para os atletas da delegação.

“O importante para o atleta paralímpico é ele se sentir bem dentro do uniforme. Isso vale tanto para as cerimônias de abertura e de encerramento quanto para as provas de competição. Ao mesmo tempo, buscamos colocar um propósito nestes uniformes para que o mundo inteiro possa ver o quanto uma pessoa com deficiência pode ser veloz, ter precisão, força, técnica apurada, entre outros aspectos ligados ao esporte”, disse Mizael Conrado, bicampeão paralímpico de futebol de cinco em Atenas 2004 e Pequim 2008, e presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro.

Vinícius Rodrigues, do atletismo, com o uniforme que será usado pela delegação paralímpica brasileira em Tóquio
Divulgação

Entre os itens de acessibilidade colocados como acessórios, as novas peças de roupas contarão com um zíper como “puxador ergonômico”, que possibilitará o manuseio confortável e autonomia aos atletas que possuam limitação motora ou articular nas mãos. Já as calças possuem uma abertura lateral na barra para facilitar a passagem da prótese para os atletas amputados de membros inferiores.

“O uniforme tem uma representação muito forte para o atleta. Gostei bastante de tudo, ficou bem mais prático vestir a calça, por exemplo. Mas o que mais me atraíram foram as cores, que já vou aderir no meu corpo futuramente”, brincou o paranaense Vinícius Rodrigues, velocista da prova dos 100m pela classe T63 (para amputados de perna) e medalhista de bronze no Mundial de atletismo em Dubai 2019.

Os produtos da linha passeio, que vai contemplar todos os atletas da delegação brasileira, possuem agora uma etiqueta interna com braile, para que deficientes visuais identifiquem as cores.

Já algumas leggings de algumas modalidades como atletismo, canoagem e remo, terão a barra diferenciada para assegurar maior segurança de movimento na prática esportiva. Todos os tops contarão ainda com as alças retas, sem "cruzamento" nas costas, o que facilita a vestimenta para os atletas com deficiência visual.

“As etiquetas em braile são um grande diferencial nesta coleção. Com certeza, vai dar mais autonomia para os atletas com deficiência visual. Geralmente, tínhamos que pedir para os nossos guias nos auxiliar no momento de nos arrumar. Agora, vou conseguir preparar o uniforme sozinha”, disse a paranaense Lorena Spoladore, medalhista de bronze nos 100m e nos 200m no Mundial de Dubai e no Parapan de Lima, ambos em 2019, pela classe T11 (atletas com deficiência visual).

“É muito importante serem realizadas iniciativas como estas do CPB em lançar uniformes acessíveis. Pensar na pessoa com deficiência na hora de desenvolver uma roupa é promover a inclusão e, ao mesmo tempo, no desempenho esportivo. Sou muito grata por participar de um momento como este”, finalizou Raissa Rocha, campeã parapan-americana em Lima e bronze no Mundial de atletismo em Dubai no lançamento de dardo, pela classe F56 (para cadeirantes).

O Brasil já tem 127 vagas garantidas nos Jogos de Tóquio, de uma delegação estimada em 230 competidores (150 homens e 80 mulheres). Em Londres 2012 e Rio 2016, o CPB era patrocinado pela Nike. O contrato se encerrou em 2017, e desde então o CPB se encarregou de produzir as próprias peças, começando em 2019, na missão para os Jogos Parapan-Americanos de Lima 2019, em que as primeiras adaptações foram implementadas. Os uniformes da delegação brasileira em Tóquio não serão comercializados.