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Tóquio 2020 / Em alta

EXCLUSIVO: Os planos do skate pós-Olimpíada

Erich Beting Publicado em 28/07/2021, às 11h20

Imagem EXCLUSIVO: Os planos do skate pós-Olimpíada
Atletas do skate park se encontram com os dirigentes da CBSk na chegada ao Japão
Julio Detefon/CBSk

A conquista de duas medalhas de prata, sendo uma delas da adolescente Rayssa Leal, de apenas 13 anos, ajudou o skate a ser alçado ao status de “novo xodó” do público brasileiro. Depois de alcançar seu ponto mais alto em termos de mídia no país, a modalidade agora quer usar o “boom” olímpico para trabalhar na solidificação da prática do skate pós-Tóquio.

Para isso, a ideia é investir em melhoria de qualidade de pistas públicas e, claro, na busca por patrocinadores que queiram investir no “desenvolvimento a longo prazo do skate como um todo”, nas palavras de Eduardo Musa, presidente da Confederação Brasileira de Skate (CBSkate).

Diretamente de Tóquio, Musa conversou com a reportagem da Máquina do Esporte no único dia em que não tinha atletas brasileiros no Japão. Os seis skatistas do street já haviam embarcado para o Brasil, enquanto o time de park estava a caminho de Tóquio. Desembarcaram nesta quarta-feira (28) para a disputa das competições na próxima semana.

“O skate sempre foi muito forte dentro de sua comunidade, mas a Olimpíada abre bastante a bolha para o skate aparecer para toda a população”, afirmou Musa na conversa, que também será reproduzida dentro do programa Intervalo, dentro do podcast da Máquina do Esporte, nesta quarta-feira (28).

Leia abaixo a entrevista com o dirigente:

Máquina do Esporte: Qual o saldo que a confederação faz da primeira parte das disputas do skate na Olimpíada?

Eduardo Musa: É claro que, quando a gente chega com skatistas do nível dos seis que estavam no street, a gente se permite sonhar com um pouquinho a mais, mas a gente sabia das dificuldades e limitações de uma competição de Olimpíada. É um formato diferente do que o skate está acostumado, e a gente sabia que poderia ter dificuldades, mas de forma geral a participação foi muito positiva.

ME: Como os resultados de Kelvin e Rayssa podem mudar a cara do skate?

EM: Eu acho que muda o patamar de visibilidade que o skate tem. O skate sempre foi muito forte dentro de sua comunidade, mas a Olimpíada abre bastante a bolha para o skate aparecer para toda a população. Seguramente já está trazendo muito mais visibilidade para o skate como um todo.

ME: O que esperar das disputas do park?

EM: A gente está superconfiante na participação do park pelos mesmos motivos do street. Quando chegamos com os mesmos seis skatistas do nível que tivemos no street, nos permite sonhar com medalhas e excelentes resultados. Mas com o mesmo pé no chão que a gente está há quatro anos nessa corrida olímpica.

ME: Como desenvolver a base do esporte para que ele tenha um crescimento constante?

EM: Acho que o principal desafio hoje do skate é que a qualidade dos projetos de pistas públicas seja adequada. O skate não tem um problema de quantidade de pistas, mas tem um problema muito grande em relação à qualidade dos projetos, à qualidade dessas pistas, de manutenção. Então um dos focos da confederação nesse momento para o desenvolvimento, para a criação de oportunidades e para atender à demanda que o skate já está tendo, é a qualidade das pistas públicas. Porque aí você dá espaço para o desenvolvimento do esporte.

ME: A confederação tem patrocínios com Nike e Caixa que não compreendem ainda o próximo ciclo olímpico. Quais os planos para conseguir mais verba e ampliar a força da entidade?

EM: O patrocínio da Nike vai até o final da Olimpíada e vamos, depois que chegar, com os resultados, sentar com eles para entender qual a viabilidade da continuidade dessa parceria. Com a Caixa, o contrato vai até o meio do ano que vem, então a gente tem ainda um tempo para poder inclusive entregar aquilo que a gente se propôs, tanto a CBSk quanto a Caixa, para a estrutura do skate. O mais importante nesse momento de grande visibilidade que estamos tendo é que a gente consiga trazer empresas que acreditem na cultura e na forma que o skate tem, e não que simplesmente venham, se apropriem do skate e depois possam ir embora ao bel-prazer. A gente quer marcas que nos ajudem no desenvolvimento a longo prazo do skate como um todo. Competitivo, como estilo de vida, com a cultura do skate. Isso é importante para a gente.