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Tóquio 2020 / Boicote

Futebol tira Peak do pódio e gera racha entre entidades, atletas e marcas

Redação Publicado em 09/08/2021, às 04h11

Imagem Futebol tira Peak do pódio e gera racha entre entidades, atletas e marcas
Jogadores do futebol do Brasil boicotam o uniforme de pódio dado pelo COB para usar em Tóquio 2020
Divulgação

A conquista do inédito bicampeonato olímpico pela seleção brasileira de futebol masculino foi ofuscada por uma desnecessária polêmica quando o time brasileiro foi receber a medalha de ouro.

Quando a equipe nacional subiu ao pódio com o uniforme para as cerimônias de premiação fornecido pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), os atletas usavam apenas a calça da vestimenta entregue pelo COB. O agasalho foi colocado na cintura pelos jogadores, que ficaram com sua camisa de jogo.

Dessa forma, os atletas impediram que a Peak, patrocinadora do COB e fornecedora da vestimenta de pódio dos brasileiros nos Jogos Olímpicos, aparecesse nas fotos e imagens geradas pela transmissão da cerimônia. Apenas a Nike, patrocinadora da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), teve sua marca exposta na camisa dos atletas no pódio.

Em 2016, quando conquistou o primeiro ouro olímpico, o time brasileiro foi ao pódio usando a vestimenta de cerimônia de medalha. Mas, à ocasião, não havia qualquer conflito de marca, já que a Nike patrocinava tanto o COB quanto a CBF.

Jogadores brasileiros com o uniforme de pódio completo recebem o ouro no Rio 2016
Divulgação/Ag Brasil

O caso gerou revolta, primeiro entre os atletas, depois com o COB. O primeiro a se manifestar foi o nadador Bruno Fratus, medalha de bronze nos 50m livre.

“A mensagem foi clara: não fazem parte do time e não fazem questão. Também estão completamente desconexos e alienados sobre as consequências que isso pode gerar a inúmeros atletas que não são milionários como eles”, desabafou o medalhista no Instagram.

Durante a transmissão da entrega de medalhas, na Globo, o narrador Galvão Bueno já havia alertado para o descaso do time brasileiro com o respeito ao uniforme que foi usado pelos outros atletas nas 20 cerimônias de pódio durante a Olimpíada.

No domingo (8), o lateral direito Daniel Alves, que já havia desabafado após o ouro contra o São Paulo, clube que defende e que o liberou para disputar a Olimpíada, usou também o Instagram para rebater as críticas pela atitude do time brasileiro.

“Eu como capitão dessa equipe respeito todas as opiniões de atletas de outros esportes, porém tem coisas que nós também não aceitamos dentro do esporte. Não queremos ser diferentes de ninguém, mas não aceitamos algumas imposições. Favor quando forem exigir alguma coisa para os seus esportes, respeitar o nosso. Até mesmo porque prezamos para que haja uma igualdade dentro das modalidades ou pelo menos um equilíbrio. Não se faz reivindicações criticando outros esportes, devemos criar uma base sólida nas nossas teses para defender as nossas solicitações”, divagou o jogador.

O racha, porém, deve virar caso de Justiça. O COB divulgou uma nota oficial criticando a CBF e afirmando que vai recorrer a meios judiciais para ser ressarcido pela quebra de protocolo do time de futebol brasileiro. Pelo contrato com a Peak, o comitê pode ser multado pela infração.

Quem acabou ganhando ainda mais repercussão com a história foi a desconhecida marca chinesa Peak, que aproveitou a polêmica para cutucar nas redes sociais. Em post no Instagram, a empresa afirmou que a Nike “não era uma marca licenciada da Peak” e que não havia entendido o porquê de a empresa americana ter sido a única a aparecer na cerimônia de pódio. Os chineses ainda deram os parabéns para os atletas brasileiros.

As polêmicas envolvendo as marcas esportivas em Jogos Olímpicos são históricas. Em 1992, os atletas do “Dream Team” dos Estados Unidos cobriram, com a bandeira americana, a logomarca da Reebok, fornecedora do material esportivo do time de basquete, mas que rivalizava com a Nike, que era a patrocinadora dos principais astros da equipe, como Michael Jordan.

Em 2000, Gustavo Kuerten, o Guga, no auge de sua carreira, quase desistiu de disputar os Jogos Olímpicos de Sydney porque a Olympikus, então fornecedora de material esportivo do COB, proibiu o atleta de usar a marca da Diadora, que era sua patrocinadora desde o início da carreira. Guga quase boicotou os Jogos, mas um acordo entre Diadora e Olympikus permitiu que o tenista usasse a marca de sua fornecedora. Até então, apenas o futebol tinha permissão para usar uniforme de seu próprio fornecedor de material esportivo.

Em 2008, nos Jogos de Pequim, a Olympikus impediu que a Nike vestisse a seleção brasileira com o uniforme igual ao que o time jogava as competições organizadas pela Fifa. Já com a Olimpíada em andamento, a fabricante teve de confeccionar às pressas uma camisa sem o escudo da CBF e apenas com a logomarca do Time Brasil.

Só em 2016, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que o COB liberou para que cada confederação dispute a Olimpíada com os uniformes entregues pelos fornecedores próprios. À ocasião, a Nike fechou acordo com o Time Brasil e foi responsável por ceder os uniformes de pódio dos atletas, além de patrocinar as confederações de futebol, atletismo e basquete.