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Eagle Football Group, de Textor, projeta resultado “fortemente deficitário” para temporada 2024/2025

Números ruins surgem em meio à disputa entre empresário e seus sócios, na companhia que foi constituída para administrar o Lyon

Empresário John Textor com o troféu da Copa Libertadores, conquistado pelo Botafogo - Reprodução / Instagram (@john_textor)

O Eagle Football Group, empresa constituída na França para administrar o Lyon e que tem como principal acionista o investidor norte-americano John Textor, proprietário da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo, apresentou nesta semana o relatório financeiro referente à temporada 2024/2025.

O grupo alcançou um faturamento total de € 273,8 milhões no período, o que representa quase € 90 milhões a menos do que foi registrado no ano fiscal anterior, quando as receitas atingiram € 361,3 milhões.

O Eagle Football Group projeta um resultado financeiro “fortemente deficitário” para a temporada 2024/2025.

Apesar de haver conseguido ampliar as receitas com venda de ingressos, que cresceram € 8,9 milhões, e as negociações de jogadores, que tiveram aumento de € 14,3 milhões, o clube não conseguiu avançar na área comercial, que permanece estável.

Além disso, o Lyon recebeu menos dinheiro das cotas de direitos de transmissão, situação que é resultado também da desvalorização dos contratos da Ligue 1, e ainda sofre com a queda no faturamento proveniente de eventos promovidos no Groupama Stadium.

“Dado o alto nível de despesas operacionais, a mudança no escopo e as receitas não recorrentes registradas no N-1, o grupo prevê uma perda muito forte para o exercício financeiro de 2024/2025”, informa o Eagle Football Group.

A empresa afirma, porém, que segue adiante com seus esforços para “garantir a estabilidade financeira e operacional do clube a longo prazo”.

Disputa com Textor

O anúncio do resultado ruim ocorre em meio à guerra declarada entre John Textor e o grupo liderado por Michele Kang, atual presidente do Lyon, e a Ares Management, uma das principais credoras do empresário norte-americano e que também é acionista do Eagle Football Group.

Textor optou por se afastar da gestão do Lyon em junho deste ano, depois que a Direção Nacional de Controle de Gestão (DNCG), da Liga Profissional de Futebol (LPF) da França, decidiu rebaixar o Lyon, sob o argumento de que o clube não havia apresentado garantias para quitar uma dívida de € 175 milhões.

Pouco depois, o jornal francês L’Equipe divulgou a notícia de que Textor teria usado dinheiro do Lyon para contratar jogadores para o Botafogo, que venceu o Brasileirão da Série A e a Copa Libertadores no ano passado.

De acordo com a reportagem, os documentos do time francês apresentam gastos de € 91,7 milhões de euros com as contratações de Luiz Henrique, Igor Jesus e Jair Cunha, que atuaram pelo Botafogo e nunca jogaram pelo Lyon.

Ao todo, o demonstrativo financeiro contém gastos com pagamentos feitos a 54 jogadores, mesmo com o clube francês possuindo apenas 30 atletas no elenco.

Dias depois da publicação dessa reportagem, o Comitê Federal de Apelações, reunido na sede da Federação Francesa de Futebol (FFF), acolheu o recurso do Lyon, que se comprometeu a seguir à risca as regras de fair play da LPF.

Kang garantiu ainda à Comissão Federal de Apelações que Textor seria afastado por completo da gestão do clube, apesar de continuar como acionista majoritário.

De acordo com a imprensa francesa, Kang e a Ares Management estão unidos na tentativa de expulsar Textor não apenas do Lyon, mas de todo o negócio no futebol.

Para tentar proteger seus investimentos no Botafogo e no Daring, da Bélgica, Textor abriu uma nova empresa nas Ilhas Cayman, que foi denominada de Eagle Football Group e tem o objetivo de adquirir os dois clubes, que deixariam de integrar o patrimônio da Eagle Football Holdings, dona da empresa que administra o Lyon.