Você talvez não saiba quem é Kevon Looney. Mas tudo bem. Kevon Looney é um jogador da NBA que nunca esteve nos holofotes, não é um grande astro do basquete, nunca chegou perto de participar do All-Star Game, ficou longe dos salários astronômicos e nunca estrelou campanhas.
Só que Looney tem uma bela história na liga: jogou dez temporadas pelo Golden State Warriors, conquistando três anéis (2017, 2018 e 2022) e sendo um jogador “normal” daqueles que são fundamentais para um grupo. Nunca foi o mais talentoso, mas sempre deixou tudo em quadra. Nunca foi decisivo, mas sempre deu o que o time e os fãs esperavam dele, sendo conhecido pela entrega e pela raça.
Mas por que estou falando de Kevon Looney? Simples. Por mais que eu esteja acostumado (e você, leitor da Máquina do Esporte, também esteja acostumado) com o respeito que o norte-americano tem por seus ídolos, pela maneira como trata seus heróis e reconhece o mérito no esporte (muito diferente de como fazemos por aqui, infelizmente), me surpreendeu a maneira como os Warriors receberam Looney no fim de novembro, no Chase Center.
Ovacionado e aplaudido de pé pelo agora adversário Warriors, Looney vestia a camisa do New Orleans Pelicans, mas foi anunciado pelo locutor com todas as honras, como se ainda fizesse parte da organização de San Francisco. Algo que, talvez, nem ele esperasse, por mais gratidão que houvesse pela colaboração de uma década com o uniforme da franquia da Bay Area.
Nos telões do Chase Center, foi exibida uma homenagem emocionante com os melhores momentos do jogador com a camisa dos Warriors e depoimentos do astro Stephen Curry, do técnico Steve Kerr e de outros jogadores. Um momento inesquecível e que foi apresentado como o “Legado de Looney”.
Vale destacar ainda que se trata de uma gratidão mútua, pois a equipe apostou no basquete de Looney e em sua resiliência porque, após cirurgias e lesões, o ala/pivô só conseguiu estar saudável pouco mais de dois anos depois de ter sido escolhido. E assim foram 600 jogos pela equipe.
A recepção a Kevon Looney é uma demonstração de consideração e um agradecimento especial a quem fez muito pelos Warriors e que está na história da equipe. Mas, mais do que isso, é um gesto de respeito que faz a gente entender que, no Brasil, ainda temos muito o que aprender.
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
Samy Vaisman é jornalista, sócio-diretor da MPC Rio Comunicação (@mpcriocom) e cofundador da Memorabília do Esporte (@memorabiliadoesporte)
Conheça nossos colunistas