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Nike processa empresa americana pela disputa da marca Total 90

Processo alega conduta de má-fé e irregularidades no processo de legalização do uso

Marca Total 90 é alvo de uma disputa judicial da Nike nos Estados Unidos - Reprodução / nike.com

A disputa judicial pelo controle da marca Total 90 ganhou um novo capítulo. Dois meses após convencer um juiz federal a negar uma ordem de restrição solicitada pela Total90 LLC, empresa que tentava impedir a venda da linha de chuteiras, a Nike abriu um processo contra a companhia menor.

Na ação, a multinacional acusa a Total90 LLC de conduta de má-fé e de ter obtido registros de marca de forma fraudulenta. De acordo com a Sportico, em documentos protocolados no dia 8 de janeiro, a defesa da Nike busca uma declaração judicial que confirme sua prioridade sobre o termo “Total 90” e o cancelamento dos registros da empresa adversária.

A companhia alega que a Total90 LLC enganou o Escritório de Marcas e Patentes dos Estados Unidos (USPTO, na sigla em inglês) ao não divulgar o uso prévio e contínuo da marca pela Nike durante o processo de aplicação.

Segundo a acusação, a empresa da Louisiana agiu de forma oportunista. No mesmo dia de sua fundação, em 2022, solicitou marcas relacionadas a ligas de fantasy game e, duas semanas depois, para vestuário esportivo.

A Nike argumenta que a marca Total 90, lançada em 2000, é reconhecida por consumidores e fãs de futebol como uma propriedade sua. Para reforçar a defesa, a empresa listou no processo ex-jogadores que fizeram parte da linha, incluindo Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Wayne Rooney, Luís Figo, Thierry Henry, Edgar Davids e Wesley Sneijder.

Extorsão

A Nike afirma que a Total90 LLC exigiu pagamentos entre US$ 2,5 milhões e US$ 2,85 milhões para ceder o registro da marca, ameaçando iniciar um processo caso o valor não fosse pago.

A gigante norte-americana rejeitou a oferta, argumentando que possui direitos de baseados no uso contínuo no comércio, apesar de ter permitido que o registro federal da marca expirasse em 2019. Além disso, reforçou que continuou a vender produtos Total 90 antes, durante e após esse lapso temporal.

A defesa da Nike também aponta inconsistências no discurso de Hugh Bartlett, oficial da Total90 LLC. No processo, a Nike argumenta que Bartlett cometeu fraude ao declarar ao USPTO que desconhecia qualquer outra empresa com direito de uso do nome.

Como o oficial se descreve publicamente como um “entusiasta apaixonado por futebol”, a Nike alega que ele tinha a obrigação de conhecer a famosa linha de chuteiras.

O objetivo da multinacional é encerrar o processo para poder utilizar a marca Total 90 como um ativo relevante em suas estratégias para a Copa do Mundo de 2026, que será disputada a partir de julho, nos EUA.