Os streamings têm adotado as transmissões esportivas como pilar estratégico importante. Diferentemente de séries e filmes, o esporte oferece características distintas de retenção de público devido à extensão de seus calendários e à necessidade imperativa do consumo em tempo real pelo fã.
Ao Maquinistas, podcast da Máquina do Esporte, Evandro Figueira, vice-presidente de de mídia da IMG na América Latina, exaltou que essa dinâmica impacta diretamente as taxas de cancelamento de assinaturas, uma das principais preocupações dos gestores dessas plataformas.
“Se eu gosto de uma série, entro em qualquer streaming e digo que vou assistir. [Supondo que] são dez episódios, em duas semanas assisto e cancelo. Quando lançar a próxima temporada, vou e assino. O esporte não. A Libertadores começa em fevereiro e vai até novembro, a Sul-Americana é a mesma coisa”, comparou.
A urgência do conteúdo ao vivo também transforma o evento esportivo em um produto de alto valor agregado, diferenciando-o de todo o restante do catálogo de entretenimento disponível nas bibliotecas digitais. Isso obriga o consumidor a estar conectado no momento da transmissão, gerando picos de audiência e engajamento dificilmente replicados por outros gêneros de programação gravada.
Para Evandro Figueira, a impossibilidade de adiar o consumo sem perder a relevância do evento cria uma barreira de saída para o assinante, que precisa manter o serviço ativo para não perder o avanço das competições.
“O esporte continua sendo o único conteúdo que quem manda é o conteúdo. Você quer ver o esporte, tem que ver na hora que o esporte está acontecendo. Ninguém vai ver um jogo de futebol três horas depois”, disse o executivo, que também é colunista da Máquina do Esporte.
Mudança estratégica
A percepção de que o volume de assinantes e a constância da audiência trazidos pelas competições compensam os custos elevados dos direitos de transmissão fez com que gigantes do setor mudassem de postura, passando a disputar ativamente campeonatos relevantes para compor suas grades.
Ao observarem que o engajamento durante as transmissões ao vivo, essas companhias notaram que o esporte entrega um resultado que outros produtos de entretenimento, por mais populares que sejam, têm dificuldade em replicar ao longo do ano.
“As plataformas começam a perceber que o volume do esporte, o que o esporte traz, compensa o valor que eles pagam. A Netflix falava isso [que esporte não era para eles], o Prime Video demorou para entrar no esporte. Mas eles olham o gráfico de audiência e de consumo nesses dias que eu tenho jogos”, concluiu Evandro Figueira.
O podcast Maquinistas, apresentado por Erich Beting e Gheorge Rodriguez, com a participação de Evandro Figueira, vice-presidente de mídia da IMG na América Latina, estará disponível a partir de terça-feira (20), às 19h (horário de Brasília), no canal da Máquina do Esporte no YouTube:
