Pular para o conteúdo

Sentado no sofá é muito fácil

Comentários sobre a derrota de João Fonseca no torneio de simples do Rio Open 2026, além de uma tremenda covardia, mostra um nível absurdo de ignorância sobre o que é o esporte em termos de nível de competitividade, desgaste e processo de amadurecimento

João Fonseca caiu nas oitavas de final de simples do Rio Open 2026 - Fotojump / Divulgação

⚡ Máquina Fast
  • Comentário desrespeitoso no LinkedIn rotulou João Fonseca como mais marketing do que jogo, gerando reflexão sobre a ignorância do público em relação à vida dos atletas.
  • João Fonseca superou críticas, assimilou a derrota no Rio Open e conquistou o título nas duplas ao lado de Marcelo Melo.
  • Venda recorde de card Pokémon por US$ 16,5 milhões destaca o valor dos colecionáveis no universo esportivo e cultural.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Estava escrevendo sobre o “tribunal da internet”, que julgou e condenou Michael Jordan por essas imagens que se espalharam pelas redes sociais. Até que surgiu no meu LinkedIn uma postagem do ex-tenista Fernando Meligeni sobre João Fonseca. Mas não foi o texto do Fininho, sobre a eliminação do brasileiro no torneio de simples no Rio Open, que me fez mudar de ideia sobre o que falar nesta coluna mas, sim, um comentário bem infeliz: “o João Fonseca é mais marketing do que jogo”.

Trabalho diretamente com atletas há mais de 25 anos, sempre muito perto da rotina, dos problemas, dos obstáculos, das dores e dos sacrifícios do dia a dia (perto dos sucessos também), algo que não chega até público e imprensa. Por isso, esse comentário de duas linhas me incomodou tanto.

Estamos acostumados com o público que torce (e critica) o atleta em momentos de competições, geralmente nos maiores eventos como Olimpíadas, Copas do Mundo, Jogos Pan-Americanos e finais em geral, motivado pela raiva, frustração ou o que quer que seja. Mas o dia a dia do atleta é invisível para quem está de fora. Ninguém sabe o que acontece, e avaliar e julgar sentado no sofá é muito fácil.

Não vou cair aqui no lugar-comum sobre resiliência, sobre o peso de vitória e fracasso. Como atleta frustrado que fui, vou ficar com a resposta da esquiadora Eileen Gu, norte-americana que compete pela China, em uma coletiva de imprensa concedida nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina d’Ampezzo 2026, encerrados no último domingo (22).

Ah, tem essa aqui também, mais antiga um pouco e bem conhecida, do Giannis Antetokounmpo.

Mas voltando ao LinkedIn…

Meligeni analisou a derrota com sobriedade, sem coitadismo, terminando o texto com uma citação creditada a Bernardinho: “Como aprendemos a lidar com a pressão? Vivendo-a”.

Rolando a barra de comentários, surge um seguidor que comenta sobre saúde mental e, a rebote dessa mensagem, vem outro emendando que “o João Fonseca é mais marketing do que jogo”.

Aí, não.

Vou me apegar, com algum sarcasmo, àquela máxima de que “brasileiro não gosta de competir, gosta de ganhar”. Mas daí a fazer esse tipo de comentário, além de uma tremenda covardia, mostra um nível absurdo de ignorância (no sentido de falta de conhecimento) sobre o que é o esporte em termos de nível de competitividade, desgaste e processo de amadurecimento. Alguém que se esqueceu (ou nem sabe) o que o João fez no ano passado, quando conquistou resultados importantes que o alçaram à condição de “xodó”, maior revelação do tênis mundial e principal esperança do Brasil na modalidade (não vamos martelar isso de “Novo Guga”, por favor).

Ler esse tipo de comentário é ter a certeza de que já passou da hora de respeitarmos e entendermos, como povo, público, torcedor ou fã, que aquilo que é entretenimento para a maioria, é a vida de quem se dispõe a ser um atleta de alta performance.

João assimilou a derrota, foi lá e sagrou-se campeão nas duplas ao lado de Marcelo Melo. E jogando muito. Uma resposta para quem acha que marketing ganha jogo.

LEIA MAIS: A pressão silenciosa sobre João Fonseca

Card de US$ 16,5 milhões

E, só para não deixar passar (puxando a sardinha para o meu “outro mundo”, o dos colecionáveis, embora não seja esporte), quem viu por quanto foi vendido um card Pokemón (Pikachu Illustrator) há pouco mais de uma semana nos Estados Unidos? Inacreditáveis US$ 16,5 milhões. Traduzindo para o bom português: mais de R$ 85 milhões.

O dono da preciosidade é AJ Scaramucci, filho de Anthony Scaramucci, ex-diretor de comunicação da Casa Branca, que comprou a “preciosidade” do youtuber (e dublê de boxeador) Jake Paul. Ah, o card é preso a um colar de diamantes avaliado em US$ 75 mil (cerca de R$ 400 mil). A negociação está registrada no Guinness Book.

Só para efeito de comparação, já que citei Michael Jordan no começo do texto, a mansão do astro do basquete foi vendida há pouco mais de um ano. O valor? Cerca de R$ 58 milhões.

O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte

Samy Vaisman é jornalista, sócio-diretor da MPC Rio Comunicação (@mpcriocom) e cofundador da Memorabília do Esporte (@memorabiliadoesporte)

Conheça nossos colunistas