O Comitê Olímpico Internacional (COI) investigará Gianni Infantino, após o presidente da Fifa participar do lançamento do Conselho da Paz, iniciativa de Donald Trump, presidente dos EUA.
Kirsty Coventry, presidente do COI, afirmou que analisará a conduta do dirigente. Infantino está entre os atuais 107 membros do COI que estão vinculados, por um juramento, a “sempre agir independentemente (…) de interesses políticos”.
Trump foi o anfitrião da reunião de seu Conselho da Paz, na última quinta-feira (19), em Washington. À ocasião, Infantino assinou uma parceria, em nome da Fifa, para possíveis investimentos de US$ 75 milhões em projetos de futebol em Gaza.
Aproximação
Nos últimos meses de preparação para a Copa do Mundo de 2026, que será nos Estados Unidos, Canadá e México, o dirigente tem estreitado relações com Trump. Infantino esteve na cerimônia de posse do atual presidente norte-americano, no ano passado, além de realizar uma série de visitas à Casa Branca.
Em dezembro, o presidente da entidade que comanda o futebol mundial criou o Prêmio Fifa da Paz, concedendo a honraria a Trump, que havia ficado frustrado por ter sido preterido pelo Nobel da Paz, após lançar publicamente sua candidatura ao prêmio sueco.
“Acho que a Carta Olímpica é muito clara sobre o que espera de seus membros, e vamos investigar a suposta assinatura dos documentos”, contou Coventry, em sua última coletiva de imprensa nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina d’Ampezzo 2026.
A presidente do COI afirmou que não sabia que Infantino havia ocupado um lugar de “destaque” no evento do Conselho da Paz.
“Agora que vocês nos alertaram sobre isso, vamos voltar atrás e analisar a situação”, comentou a dirigente, após ser questionada sobre o assunto.
Participação
A composição do COI, que está sujeita à neutralidade política, inclui o Emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad al-Thani, e a embaixadora da Arábia Saudita nos EUA, princesa Reema bint Bandar Al Saud.
A lista inclui também Erick Thohir, ministro dos Esportes da Indonésia, país que o COI aconselhou no ano passado a não ter permissão para sediar eventos esportivos internacionais, após se recusar a permitir que atletas israelenses competissem no Campeonato Mundial de Ginástica.
A própria Kirsty Coventry foi ministra do Esporte no governo do Zimbábue até ser eleita, em março do ano passado, como a primeira mulher e africana a presidir o COI.
Durante os Jogos de Inverno de Milão-Cortina, o COI reacendeu a polêmica a respeito de suas regras de neutralidade política ao impedir o ucraniano Vladyslav Heraskevych de competir no skeleton. O atleta insistia em participar da disputa com um capacete com imagens de atletas de seu país mortos durante a guerra contra a Rússia. Heraskevych acabou desclassificado da prova.
O COI chegou a oferecer alternativas para o piloto de skeleton exibir o capacete fora da área de competição e de cerimônias, mas o competidor não aceitou.
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Vale lembrar que a regra 50.2 da Carta Olímpica proíbe manifestações políticas em áreas oficiais dos Jogos. A lembrança dos atletas mortos na Guerra da Ucrânia foi interpretada pelo COI como uma mensagem política.
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