A indústria de apostas esportivas nos Estados Unidos registrou receita recorde de US$ 16,96 bilhões em 2025, segundo dados divulgados pela Associação Americana de Jogos (AGA, na sigla em inglês).
O valor representa um crescimento de 11% em relação a 2024, com apostas legais somando US$ 166,94 bilhões.
Mercado
Os estados de Nova York, Illinois e Nova Jersey se mantiveram como os principais polos de apostas esportivas. Apesar do avanço, a AGA destacou a concorrência dos chamados mercados de previsão, que permitem apostas em resultados de eventos esportivos sem a necessidade de licenças estaduais.
De acordo com um relatório da associação, essas plataformas desviaram mais de US$ 500 milhões em receita potencial de impostos sobre apostas esportivas no último ano.
A diferença está na tributação: enquanto as casas de apostas tradicionais pagam impostos estaduais, tribais (em alguns casos) e federais, os mercados de previsão são tributados apenas em nível federal.
Impostos tribais são taxas cobradas por povos originários dos Estados Unidos, reconhecidos como entidades soberanas.
Concorrência desleal?
Órgãos reguladores estaduais afirmam que os mercados de previsão violam leis locais ao oferecer contratos semelhantes a apostas esportivas. Os serviços disponibilizados por essas empresas são enquadrados como produtos financeiros e não como jogos de azar.
Plataformas como a Kalshi e a Polymarket permitem que usuários comprem contratos sobre eventos futuros (exemplo: “o time X vai vencer?”). Esses contratos funcionam como derivativos financeiros, regulados pela Comissão Federal de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC).
Com isso, essas empresas ganharam o direito de operar nos 50 estados norte-americanos, inclusive naqueles em que as apostas esportivas são proibidas, como na Califórnia e no Texas.
A Kalshi, uma das principais representantes do setor, sustenta que está sob jurisdição da CFTC, e não dos estados. O presidente da comissão federal, Mike Selig, reforçou essa posição em um parecer jurídico apresentado em um tribunal federal de Nevada. Mas nem todos concordam com essa liberação.
“Se parece com um pato e grasna como um pato… Sites de previsão de mercado estão oferecendo apostas esportivas, violando as leis de todos os 50 estados. É simples assim”, criticou Chris Christie, ex-governador de Nova Jersey e consultor estratégico da AGA, em publicação no X.
