A Fórmula 1 oficializou a suspensão dos Grandes Prêmios do Bahrein e da Arábia Saudita, previstos para abril, em decorrência do atual cenário de instabilidade no Oriente Médio.
A medida afeta também as categorias de acesso, suspendendo as etapas da Fórmula 2, Fórmula 3 e F1 Academy agendadas para o mesmo período. A organização avaliou diferentes alternativas para o calendário, mas definiu que não haverá provas substitutas nestas datas.
“Embora tenha sido uma decisão difícil de tomar, infelizmente é a decisão correta neste momento, considerando a situação atual no Oriente Médio. Gostaria de aproveitar esta oportunidade para agradecer à FIA [Federação Internacional de Automobilismo], bem como aos nossos promotores, pelo apoio e compreensão”, disse Stefano Domenicali, presidente e CEO da Fórmula 1.
A resolução foi tomada em conjunto com a FIA e os promotores locais.
“A FIA sempre colocará a segurança e o bem-estar de nossa comunidade e colegas em primeiro lugar. Continuamos na esperança de calma, segurança e um rápido retorno à estabilidade na região, e meus pensamentos permanecem com todos os afetados por estes eventos recentes”, comentou Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA.
“Apoiamos integralmente a decisão da Fórmula 1. Aguardamos o retorno dos fãs de todo o mundo ao Bahrein quando a F1 voltar. Aproveito esta oportunidade para expressar nossos sinceros agradecimentos a todos na comunidade da F1 que dedicaram seu tempo para nos enviar mensagens de apoio”, acrescentou Sheikh Salman bin Isa Al Khalifa, diretor-executivo do Circuito Internacional do Bahrein.
Conflito
O cenário no Oriente Médio deteriorou-se drasticamente nas últimas semanas, quando as tensões históricas na região culminaram em ataques militares diretos dos Estados Unidos e de Israel contra o território do Irã.
Como retaliação a essa ofensiva, as forças iranianas e seus aliados iniciaram uma série de bombardeios que atingiram diretamente os países que abrigam bases norte-americanas ou são aliados dos EUA e de Israel na região, o que inclui o Bahrein e a Arábia Saudita.
Na capital do Bahrein, ataques recentes com drones e mísseis deixaram feridos e forçaram o acionamento constante de sistemas de defesa antiaérea. O território saudita, onde fica o circuito de Jidá, também se tornou alvo frequente das hostilidades no embate.
No final de fevereiro, testes de pneus da Fórmula 1 no Bahrein foram suspensos após um míssil atingir uma base militar dos EUA a cerca de 30 quilômetros do circuito, que havia recebido a pré-temporada da categoria dias antes.
Além do perigo de um ataque aos autódromos ou áreas próximas, o espaço aéreo no Oriente Médio sofre interrupções severas, o que impactaria na logística da Fórmula 1.
Desafios
Agora, a Fórmula 1 passa a ter um grande desafio logístico. Com 24 corridas planejadas para 2026, contando Bahrein e Arábia Saudita, a categoria terá que se esforçar para encontrar um novo período no calendário para as etapas adiadas.
Mais do que um problema temporal, a potencial mudança de datas criará problemas logísticos. Atualmente, o calendário da Fórmula 1 é concebido, entre diversos outros motivos, para ter maior eficiência com relação a transportes e viagens. A mudança na ordem das corridas poderá causar novos gastos para a categoria e suas equipes.
Caso os conflitos não sejam apaziguados até o final do ano, é possível que novas etapas sejam suspensas. As duas últimas corridas da temporada são realizadas no Catar e em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, locais que também têm sido impactados pela guerra.
