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Campeonato Mineiro 2026 aumenta eficiência financeira e supera renda líquida de 2025

Análise dos borderôs destaca Cruzeiro e Atlético-MG, e mostra queda na arrecadação total, mas aumento da renda líquida e redução de partidas deficitárias em relação à temporada anterior

Cruzeiro levanta a taça de campeão mineiro de 2026 após bater o Atlético-MG na final, disputada no Mineirão - Gustavo Aleixo / Cruzeiro

⚡ Máquina Fast
  • O Campeonato Mineiro de 2026 teve redução de jogos e manutenção da média de público, com leve queda na arrecadação total, mas aumento da renda líquida.
  • Cruzeiro foi o maior gerador de receita do campeonato, seguido por Atlético-MG, com os dois clubes respondendo por mais de 74% da renda líquida total.
  • A sustentabilidade financeira do Mineiro depende cada vez mais de poucos clubes que concentram público e receita, com poucos times do interior se destacando positivamente.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

O Campeonato Mineiro de 2026 começou no dia 10 de janeiro e terminou em 8 de março, com a final entre Cruzeiro e Atlético-MG sendo disputada no Mineirão. A edição teve ajustes pontuais no formato, concentrados na fase final, em função da reorganização do calendário do futebol brasileiro promovida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

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As mudanças impactaram de forma distinta os Estaduais. O Campeonato Carioca teve 25 jogos a menos, enquanto o Campeonato Paulista perdeu 30 partidas após ajustes no calendário. No Mineiro, o impacto foi menor: foram 53 jogos em 2026, contra 54 em 2025, redução de apenas 1,85%.

O campeonato manteve estabilidade de público. Foram 483.254 torcedores em 2026, contra 481.581 no ano anterior, alta de 0,34%. Com uma partida a menos, a média subiu de 8.918 para 9.118 torcedores por jogo, crescimento de 2,24%.

A arrecadação total caiu de R$ 25.252.250,58 para R$ 24.297.973,81, retração de 3,77%. Ainda assim, a renda líquida aumentou de R$ 13.118.206,45 para R$ 13.744.598,30, alta de 4,77%.

A melhora está diretamente ligada à redução de jogos deficitários, que passaram de 24 para 17, queda de 29,16%.

Gráficos mostram evolução do Campeonato Mineiro em público e eficiência financeira de 2025 para 2026 – Arte / Máquina do Esporte

Cruzeiro

O Cruzeiro foi o principal ativo econômico do campeonato. Levou 203.400 torcedores e arrecadou R$ 11.827.765,00, com tíquete médio de R$ 48,65. As despesas somaram R$ 4.305.434,93, resultando em R$ 7.522.330,07 de renda líquida. O clube ficou na 1ª posição em público, arrecadação, renda líquida e tíquete médio.

Atlético-MG

O Atlético-MG aparece como segunda força econômica. Registrou 128.357 torcedores e R$ 6.333.505,81 em arrecadação, com tíquete médio de R$ 47,84. As despesas somaram R$ 3.577.310,13, resultando em R$ 2.756.195,68 de renda líquida. O clube ficou na 2ª posição em público, arrecadação e renda líquida, e na 3ª em tíquete médio.

América-MG

O América teve baixa conversão financeira. Levou 17.219 torcedores e arrecadou R$ 633.003,00, com tíquete médio de R$ 28,46. As despesas somaram R$ 601.719,70, resultando em R$ 31.283,30 de renda líquida. O clube ficou na 6ª posição em público, 7ª em arrecadação e 11ª em renda líquida e tíquete médio.

Democrata

O Democrata operou em baixa escala, mas com resultado positivo. Levou 9.922 torcedores e arrecadou R$ 295.565,00, com tíquete médio de R$ 30,07. As despesas somaram R$ 195.394,07, resultando em R$ 100.170,93 de renda líquida. O clube ficou na 8ª posição em público, arrecadação e renda líquida, e na 6ª em tíquete médio.

Pouso Alegre

Principal destaque do interior, levou 32.470 torcedores e arrecadou R$ 2.194.435,00, com tíquete médio de R$ 46,21. As despesas somaram R$ 433.970,55, resultando em R$ 1.760.464,45 de renda líquida. O clube ficou na 4ª posição em público, 3ª em arrecadação e renda líquida, e na 5ª em tíquete médio.

Uberlândia

Teve alto volume de público, mas menor monetização. Levou 35.060 torcedores e arrecadou R$ 693.770,00, com tíquete médio de R$ 18,93. As despesas somaram R$ 257.164,96, resultando em R$ 436.605,04 de renda líquida. O clube ficou na 3ª posição em público, 6ª em arrecadação e renda líquida, e na 10ª em tíquete médio.

North

Combinou menor escala com alta monetização. Levou 14.034 torcedores e arrecadou R$ 696.815,00, com tíquete médio de R$ 47,96. As despesas somaram R$ 232.171,70, resultando em R$ 464.643,30 de renda líquida. O clube ficou na 7ª posição em público, 5ª em arrecadação e renda líquida, e na 2ª em tíquete médio.

Athletic-MG

Teve o pior desempenho financeiro. Levou 8.416 torcedores e arrecadou R$ 70.650,00, com tíquete médio de R$ 7,97. As despesas somaram R$ 213.394,74, resultando em prejuízo de R$ 142.744,74. O clube ficou na 9ª posição em público, e em 12º em arrecadação, renda líquida e tíquete médio.

Betim

Operou com resultado positivo, mas baixa escala. Levou 6.659 torcedores e arrecadou R$ 239.165,00, com tíquete médio de R$ 25,23. As despesas somaram R$ 125.029,79, resultando em R$ 114.135,21 de renda líquida. O clube ficou na 10ª posição em público e arrecadação, 7ª em renda líquida, e na 8ª em tíquete médio.

URT

Destacou-se pela eficiência. Levou 18.248 torcedores e arrecadou R$ 931.630,00, com tíquete médio de R$ 47,16. As despesas somaram R$ 311.221,30, resultando em R$ 620.408,70 de renda líquida. O clube ficou na 5ª posição em público, e em 4º em arrecadação, renda líquida e tíquete médio.

Itabirito

Teve baixa escala ao longo do campeonato. Levou 4.633 torcedores e arrecadou R$ 126.825,00, com tíquete médio de R$ 17,97. As despesas somaram R$ 97.176,11, resultando em R$ 29.648,89 de renda líquida. O clube ficou na 12ª posição em público, e em 11º em arrecadação, renda líquida e tíquete médio.

Tombense

Operou com baixa escala, mas resultado positivo. Levou 4.836 torcedores e arrecadou R$ 257.384,00, com tíquete médio de R$ 25,10. As despesas somaram R$ 210.732,21, resultando em R$ 46.651,79 de renda líquida. O clube ficou na 11ª posição em público, e em 9º em arrecadação, renda líquida e tíquete médio.

Conclusão

O recorte por clube evidencia que o ganho de eficiência do Campeonato Mineiro de 2026 não foi distribuído de forma homogênea. A melhora no resultado financeiro está diretamente ligada à concentração de receita em um grupo reduzido de equipes.

Cruzeiro e Atlético-MG, sozinhos, responderam por 74,74% da arrecadação total e 74,13% da renda líquida da competição, sustentados pela alta escala de público e tíquetes elevados. Na sequência, clubes como Pouso Alegre e URT aparecem como exceções fora do eixo principal.

Na prática, o Mineiro de 2026 reforça um padrão já observado em outros Estaduais: a sustentabilidade financeira da competição depende cada vez mais de poucos jogos e de um grupo restrito de clubes capazes de concentrar público, receita e resultado.