O contrato de naming rights entre o Banco de Brasília (BRB) e a Arena Mané Garrincha foi encerrado nesta quarta-feira (22). Firmado em 2022 e avaliado em R$ 3,5 milhões anuais, o acordo não foi renovado.
Segundo a Máquina do Esporte apurou, a opção pela não renovação ocorreu devido à avaliação da Arena 360, gestora do complexo esportivo de Brasília (DF), de que o mercado está em um momento de aquecimento. Por isso, a empresa buscava um aumento mais significativo para a renovação do acordo.
O BRB, por sua vez, vive um contexto de retração de investimentos em parcerias com ativos esportivos e culturais. No início do ano, o banco estatal anunciou um corte de 60% no orçamento destinado a patrocínios nesses segmentos em 2026, em comparação ao valor que havia sido aplicado no ano passado.
A decisão de cortar esses investimentos ocorreu em meio a uma reestruturação financeira motivada por prejuízos relacionados ao Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.
Um dos poucos investimentos esportivos que não foram afetados pela crise financeira do banco foi a manutenção da parceria com o Flamengo no banco digital Nação BRB Fla, lançado em 2020 e que hoje conta com 4 milhões de clientes.
Mercado
A Arena 360, também conhecida como Arena BSB SPE (Sociedade de Propósito Específico), que também é gestora do Ginásio Poliesportivo Nilson Nelson, acompanhou mudanças recentes no mercado de naming rights para reivindicar valores mais altos pelos naming rights do Mané Garrincha.
Há duas semanas, a Real Arenas anunciou a rescisão contratual com a Allianz e a chegada do Nubank como novo detentor dos naming rights do estádio do Palmeiras. A seguradora tinha contrato de 20 anos, pagando em 2026 algo em torno de R$ 25 milhões à gestora do estádio. O banco digital, por sua vez, ofereceu US$ 10 milhões anuais (R$ 49,7 milhões no câmbio atual).
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Resultados
Segundo a Arena 360, durante os quatro anos de parceria com o BRB, mais de 7 milhões de pessoas circularam pelo Complexo da Arena Mané Garrincha em mais de 700 eventos, incluindo shows nacionais e internacionais, jogos de futebol, feiras e encontros corporativos.
A movimentação gerou um impacto econômico estimado em R$ 3 bilhões para a capital federal, com reflexos nos setores de turismo, bares, hotelaria e transporte.
Pesquisas de exposição de marca apontaram que a presença do BRB na Arena Mané Garrincha e na Arena Nilson Nelson alcançou mais de 50 milhões de pessoas.
Oficial
Em nota, a Arena BSB SPE oficializou o fim do vínculo entre o complexo esportivo de Brasília e o banco estatal.
“A partir de 23 de abril de 2026, ocorrerá o encerramento da utilização da marca ‘BRB’ como naming rights dos equipamentos. Gradualmente serão retiradas todas as marcas, identificações e demais elementos visuais associados, em um processo conduzido de forma planejada e coordenada entre as partes”, informou o comunicado oficial.
A concessionária acrescentou que “a readequação não impactará a continuidade das atividades do complexo, que será operado normalmente, e registra seu reconhecimento pela parceria institucional estabelecida com o Banco de Brasília pelo período de 2022 a 2026”.
