O Paulistão Feminino começou nesta quarta-feira (6) cercado por mudanças que ajudam a explicar o momento atual do principal Estadual da modalidade no país. Rebatizada como “Paulistão F“, a competição chegou à edição 2026 com um novo formato de disputa, implementação do árbitro de vídeo (VAR) em todos os jogos, aumento de premiação e ampliação das exigências de licenciamento aos clubes.
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As mudanças fazem parte de um processo que a Federação Paulista de Futebol (FPF) vem conduzindo nos últimos anos para tentar consolidar o campeonato como um produto esportivo mais estruturado comercial e operacionalmente.
A entidade defende que o Estadual atingiu um estágio de sustentabilidade financeira capaz de absorver custos relevantes da competição, cenário que permitiu ampliar investimentos em operação e tecnologia.
VAR em todos os jogos amplia exigência operacional
A principal novidade da edição 2026 será a utilização do VAR em 100% das partidas. Segundo a FPF, a implementação foi construída em conjunto com os clubes, que passaram a tratar a ferramenta não apenas como um recurso de arbitragem, mas também como um elemento de qualificação do campeonato.
A adoção do VAR amplia o nível de exigência operacional do campeonato e requere uma cadeia operacional mais robusta, incluindo homologação dos estádios, adequações estruturais e ampliação das equipes de arbitragem.
A entidade sustenta que o modelo comercial do torneio, baseado em receitas de transmissão e propriedades de marketing, viabiliza esse nível de investimento.
Licenciamento entra em nova etapa
Outro eixo central da edição 2026 está no processo de licenciamento.
A temporada marca a sexta edição consecutiva do modelo conduzido pela FPF, agora com vistorias técnicas presenciais antes e durante a competição.
Ao todo, oito equipes participam do Paulistão F: Corinthians, Ferroviária, Mirassol, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Santos, São Paulo e Taubaté.
Os clubes poderão cadastrar até três locais para mando de partidas, incluindo centros de treinamento, desde que atendam aos parâmetros estabelecidos pela federação.
Mais do que critérios estruturais, o regulamento de 2026 amplia exigências ligadas à governança, à gestão e à operação esportiva.
Segundo a FPF, o processo de licenciamento “passa pela construção de cultura, além de comprometimento com a melhoria contínua da gestão interna”. A entidade também afirmou que, nesta sexta edição do modelo, existe “maior abertura e engajamento dos clubes paulistas”, inclusive com participação direta das equipes na elaboração dos parâmetros de recomendação e exigência do regulamento.
A FPF exige, por exemplo, presença de mulheres na comissão técnica e em áreas administrativas dos clubes, além da obrigatoriedade de participação nas categorias de base.
O regulamento também amplia critérios ligados à profissionalização da operação esportiva, incluindo exigências sobre comissão técnica, saúde, performance, fisiologia, psicologia, análise de desempenho e infraestrutura mínima para transmissão e VAR, conforme já citado anteriormente.
Na comparação com o regulamento de 2025, outra mudança, entre as mais relevantes, ocorre na área financeira. No modelo anterior, a exigência da FPF estava concentrada em um planejamento financeiro da temporada, com previsão de despesas e receitas da equipe para participação no Estadual.
Já para 2026, os clubes passaram a precisar apresentar demonstrações financeiras do futebol feminino relativas ao exercício de 2025, além de informações sobre premiações, transferências, empréstimos, orçamento aprovado da modalidade e patrocínios da temporada.
A mudança ganha relevância porque grande parte dos clubes brasileiros ainda não separa de forma detalhada as receitas e despesas do futebol feminino em seus balanços financeiros anuais. Em muitos casos, a modalidade aparece diluída dentro do departamento de futebol ou agrupada em categorias mais amplas das demonstrações contábeis.
Na prática, a exigência da FPF cria um mecanismo de rastreabilidade financeira da modalidade dentro dos clubes, permitindo um acompanhamento mais específico sobre orçamentos, investimentos, receitas comerciais e movimentações esportivas do futebol feminino paulista.
O documento ainda indica um possível próximo passo da competição. No artigo 2º, parágrafo único, na página 9 do regulamento de licenciamento, a FPF afirma que os clubes devem assumir um “compromisso com a evolução estrutural e operacional da competição”, que “poderá se tornar uma competição profissional em 2027”.
Novo formato busca aumentar competitividade
O campeonato também estreia um novo modelo de disputa.
A primeira fase será realizada em turno único, com sete rodadas. Os dois melhores colocados avançarão diretamente às semifinais.
As equipes entre a terceira e a sexta posições disputarão uma fase de “play-in”, em confrontos de ida e volta, para definir os outros semifinalistas. Semifinais e finais também serão disputadas em dois jogos.
A reformulação busca aumentar o número de partidas decisivas ao longo do campeonato e ampliar a competitividade entre os clubes na primeira fase.
Premiação cresce em meio à reformulação do Estadual
O Paulistão F distribuirá R$ 3 milhões em cotas e premiações aos clubes em 2026. O campeão receberá R$ 1,04 milhão.
Segundo a FPF, o valor médio pago por partida teve um aumento de 64% nesta edição.
O crescimento acontece em um momento de reformulação do campeonato. Em 2025, a competição reduziu o número de participantes de 11 para 8 equipes e passou a operar em um modelo mais enxuto.
A mudança impactou diretamente os números absolutos do Estadual. Em 2024, o Paulistão Feminino registrou um público total de 112.942 pessoas e arrecadação de R$ 1,98 milhão em uma edição com 64 jogos.
Já em 2025, o campeonato teve 62 partidas, público de 61.046 pessoas e arrecadação de R$ 884,5 mil.
Para 2026, o novo formato fará o Estadual ter 38 jogos ao longo da temporada. A redução do calendário diminui o volume total de partidas da competição, mas aumenta proporcionalmente o peso esportivo e comercial de cada confronto dentro do torneio.
Distribuição amplia alcance do Estadual
O Paulistão F 2026 será transmitido por Sportv, CazéTV, YouTube do Paulistão, HBO Max, Space e Record News.
A estratégia reforça a distribuição multiplataforma do campeonato e amplia o alcance do produto em TV aberta, TV fechada, streaming e plataformas digitais.
A competição também inicia a temporada com três patrocinadores oficiais: Assaí, Centauro e Sil Fios e Cabos Elétricos.
Marcas ampliam presença comercial na competição
As camisas dos clubes do Paulistão F 2026 reúnem 46 marcas diferentes, em um cenário comercial pulverizado entre segmentos como casas de apostas, saúde, educação, alimentação, varejo, automotivo, construção civil e poder público.
As empresas de apostas representam quatro das marcas com exposição nos uniformes, cerca de 8,7% do total. Esportes da Sorte, Galerabet, Sportingbet e Superbet aparecem distribuídas entre os clubes da competição.
No Corinthians, aparecem Esportes da Sorte, Banco BMG, Broto Legal, Vizella, Tecnogera, Remessa Online e Nike.
A Ferroviária reúne Spiral, Galerabet, Hiper Saúde, Amil, Hopi Hari e Lupo Sport.
O Mirassol conta com Hugo Fabri Incorporadora, Keleck, Guaraná Poty, Cashfast, Mtech, Natural Life, Kodilar, Cozimax, Seara, Pacaembu Construtora e Athleta.
No Palmeiras, estão Cimed, Sportingbet, Sil Fios e Cabos Elétricos, Leapmotor, Uniasselvi, D’Itália e Puma.
O Red Bull Bragantino mantém a exposição concentrada na própria Red Bull, além da Puma como fornecedora esportiva.
Já o Santos apresenta Arkema, Unisanta, Placo e Umbro.
O São Paulo tem Superbet e New Balance.
E, por fim, no Taubaté, aparecem Cie Autocon, Gescrap, Comevap, Prefeitura de Taubaté, Fadat e Magg Sports.
