A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) afirmou, nesta quarta-feira (17), que levou um calote de R$ 17,5 milhões do Governo do Distrito Federal. O valor seria referente ao patrocínio à projetos de vôlei, que inclui as operações de jogos da Volleyball National League (VNL), a Liga das Nações, em Brasília (DF).
O montante engloba duas frentes de atuação da confederação em Brasília e afeta diretamente o pagamento de parceiros comerciais. A primeira frente envolve as competições de vôlei de praia, realizadas há mais de 40 dias.
Segundo a CBV, o termo de fomento no valor de quase R$ 6 milhões foi devidamente assinado, mas o pagamento não foi efetuado pelo governo. A ausência do repasse gerou uma crise operacional, uma vez que a entidade é cobrada pelos prestadores de serviço e está impedida por lei de utilizar recursos de outras fontes para quitar as dívidas vinculadas ao documento assinado com o poder público.
A segunda parte do imbróglio diz respeito aos torneios de quadra. As tratativas para a realização das partidas femininas e masculinas da VNL ocorriam desde agosto de 2025. Em outubro do mesmo ano, a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer formalizou o compromisso de investir R$ 11 milhões específicos para a competição internacional.
Contudo, no dia 11 de maio de 2026, com a operação logística já consolidada, venda de ingressos aberta e contratos internacionais firmados, o GDF teria encaminhado um ofício informando que o apoio financeiro não seria formalizado, alegando restrições orçamentárias e medidas de contenção fiscal.
A CBV ressaltou que a postura do governo local rompe com um histórico de parcerias estáveis e com prazos cumpridos em competições anteriores sediadas em Brasília, como a própria Liga das Nações de 2022 e as etapas de vôlei de praia de 2024 e 2025.
Prejuízo
Diante do recuo governamental a poucos dias da montagem da estrutura, a CBV afirma ter precisado absorver integralmente o impacto financeiro para garantir a realização das partidas em junho.
A decisão de assumir os custos evitou o cancelamento da etapa, o que geraria quebras de contrato com a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e a Volleyball World.
“O cancelamento poderia, em última instância, até afastar o Brasil dos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028”, exaltou a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) em nota oficial.
Resposta
Em resposta à nota publicada pela CBV, a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer do Distrito Federal (SEL-DF) afirmou que não foi celebrado qualquer tipo de acordo jurídico com a entidade que estabelecesse obrigação de repasse de recursos para a realização da etapa da VNL em Brasília.
De acordo com a Secretaria, a parceria estaria condicionada, entre outros, à disponibilidade orçamentária para tal e que, por conta das medidas de contingenciamento adotadas pelo Governo do Distrito Federal, o instrumento jurídico necessário para a transferência dos recursos não foi formalizado.
“A Secretaria reafirma seu respeito à Confederação Brasileira de Voleibol e seu compromisso com o fortalecimento do esporte, sempre pautando sua atuação pela legalidade, pela responsabilidade fiscal e pela correta aplicação dos recursos públicos”, concluiu a SEL-DF em comunicado.
