As seleções de Irã e Egito se enfrentam à 0h (horário de Brasília) do próximo sábado (27), no Seattle Stadium, pela última rodada do Grupo G da Copa do Mundo 2026. O desafio de ambas as equipes em campo é somado à complicada situação desses elencos fora dele para disputar o Mundial nos Estados Unidos.
Irã e Egito enfrentam fortes restrições de viagem e problemas logísticos para viabilizar suas participações nesta Copa em território norte-americano. O Irã chega ao jogo em fase de negociações de paz com os Estados Unidos, após ataques iniciados em fevereiro justamente pelo país-sede do Mundial da Fifa, em conjunto com Israel.
Irã
Sem autorização para pernanecer nos Estados Unidos, a seleção iraniana tem feito base de treinamento em Tijuana, no México. Tecnicamente ainda em guerra contra o principal país-sede do torneio, O Irã foi obrigado a deixar o território norte-americano logo depois de suas duas partidas iniciais na Copa do Mundo, contra Nova Zelândia (2 a 2) e Bélgica (0 a 0), ambas em Los Angeles.
Em fase de negociações diplomáticas na Suíça para o fim do conflito no Oriente Médio, os Estados Unidos diminuíram as restrições aos iranianos no meio da Copa. A equipe obteve do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) uma flexibilização para chegar a Seattle 48 horas antes do duelo decisivo com os egípcios. Ambas as seleções disputam a classificação no Grupo G.
Pelas regras anteriores, o Irã só podia entrar nos EUA 24 horas antes dos jogos. A equipe reclamou do desgaste das viagens, como o trajeto de 204 km entre Tijuana e Los Angeles, que levou cinco horas, para a estreia contra a Nova Zelândia.
Segundo o DHS, a mudança visa garantir a integridade da disputa esportiva. “Antes da partida em Seattle, no dia 26 de junho, a seleção iraniana terá permissão para entrar no estádio dois dias antes do jogo”, afirmou um porta-voz do órgão.
“O presidente [Donald Trump] quer garantir que estamos falando sobre o que realmente acontece em campo. Grande parte disso se resume a assegurar que tudo esteja seguro”, acrescentou.
A decisão de ampliar o prazo de permanência foi justificada pela organização local como uma medida progressiva.
“Isso já estava planejado da nossa parte”, disse Andrew Giuliani, diretor executivo da Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, em entrevista à agência Associated Press.
“Íamos observar como as duas primeiras etapas se desenrolariam e, se tudo corresse bem, estenderíamos o dia extra, considerando o maior tempo de viagem”, explica o representante do governo norte-americano.
Restrições
O técnico do Irã, Amir Ghalenoei, apontou o óbvio: as restrições de deslocamento impostas pelo país-sede trouxeram desvantagem competitiva para seu time.
“Neste momento, precisamos de recuperação mais do que qualquer outra coisa”, comentou Ghalenoei após o empate em 0 a 0 contra a Bélgica, no último domingo (21).
“As condições têm sido extremamente difíceis para nós”, acrescentou.
O capitão da equipe, Alireza Jahanbakhsh, também cobrou equidade no tratamento por parte dos organizadores do Mundial da Fifa.
“Não pedimos muito. Apenas pedimos o mesmo procedimento que [ocorre] para todas as outras 47 equipes”, disse o atacante do Dender, da Bélgica. “Esperamos poder contar com a ajuda de todos os envolvidos.”
Além dos problemas de transporte, o clima político afetou a rotina dos iranianos. O secretário de Segurança Interna dos EUA, Markwayne Mullin, afirmou que a delegação tentou infiltrar um indivíduo com ligações com a Guarda Revolucionária do Irã.
A Federação Iraniana de Futebol rebateu a acusação, classificando-a como “uma mentira descarada e inegável”. O técnico Ghalenoei procurou afastar o foco político das discussões. “Estamos aqui para jogar futebol, não para fazer política”, declarou.
Apesar disso, os jogadores usaram broches com o número 168 no desembarque da delegação no México e deixaram mensagens pedindo paz no vestiário do Los Angeles Stadium, em referência ao número de meninas mortas em um bombardeio dos Estados Unidos a uma escola em Minab, no sul do Irã.
Egito

O Egito também enfrentou barreiras logísticas impostas pelas autoridades locais. Após vencer a Nova Zelândia em Vancouver, a federação egípcia solicitou permanência em Seattle, local de seu próximo jogo, para evitar o cansaço do elenco.
O pedido foi inicialmente negado, obrigando o grupo a retornar para Spokane, seu centro de treinamento fixo.
“Ibrahim Hassan, o técnico da seleção egípcia, confirmou que as autoridades de segurança rejeitaram o pedido para que a equipe permanecesse em Seattle, como planejado, após a partida contra a Nova Zelândia na Copa do Mundo, e, portanto, a delegação retornará a Spokane”, informou o comunicado da equipe.
A Fifa justificou, em nota, que tentou atender o pedido egípcio, mas a cidade de Seattle já possuía outros eventos agendados, impossibilitando a implantação de um esquema de segurança naquelas datas. O regulamento geral estipula que as equipes devem ficar em suas sedes de treinamento até o dia anterior ao jogo.
Posteriormente, após a recusa inicial, a seleção egípcia obteve autorização para antecipar sua chegada a Seattle por alguns dias antes do confronto.
O técnico Hassan confirmou que o deslocamento de retorno a Spokane foi realizado em um avião fretado pela Fifa. A comunidade local projeta a presença de até 10 mil torcedores egípcios na região de Seattle para apoiar a equipe.
