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Luka Modrić, maior “coadjuvante de luxo” do futebol contemporâneo, dá seu adeus discreto às Copas

Meia, que foi o principal nome da melhor geração croata da história, teve sua despedida de Mundiais ignorada pelas entidades e patrocinadores

Luka Modrić entra em campo para a partida contra Portugal, válida pela Copa de 2026 - Reprodução / Instagram (@hns_cff)

⚡ Máquina Fast
  • Luka Modrić se despede das Copas do Mundo após a eliminação da Croácia para Portugal por 2 a 1.
  • Grandes entidades e patrocinadores optaram por ignorar a despedida do meia croata, dando destaque a Cristiano Ronaldo.
  • Modrić é reconhecido por sua carreira brilhante e regularidade, conquistando títulos importantes e a Bola de Ouro em 2018.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

A noite desta quinta-feira (2) marca a despedida em Copas do Mundo de um dos maiores craques da história do futebol, em todos os tempos.

Poucos jogadores foram tão vitoriosos e regulares no decorrer da carreira. Nascido em um país pequeno e pouco badalado, conseguiu alcançar seu merecido espaço nos principais palcos do futebol global, sempre tendo uma atuação fundamental, ainda que recebendo tratamento de coadjuvante de luxo.

Luka Modrić, nosso personagem do dia, deu seu adeus discreto às Copas do Mundo, após a eliminação da Croácia diante de Portugal, de Cristiano Ronaldo, por 2 a 1, de virada. Terminou ignorado por aqueles que ditam as regras e financiam o show, assistindo por bilhões de pessoas em todo o planeta.

Está certo que o camisa 10 e capitão croata não teve uma atuação das mais brilhantes de sua carreira, mas ajudou a construir jogadas perigosas no decorrer da partida. Não foi o suficiente para que seu time avançasse às oitavas de final.

Enquanto a bola rolava, era madrugada na Croácia, terra natal de Modrić, onde ele desfruta de um prestígio incontestável. Quem acessasse nas redes sociais perfis como o da Federação Croata de Futebol, por exemplo, não encontraria menção à eliminação da equipe ou mesmo qualquer homenagem ao craque (pode ser que nem contassem com a eliminação).

Ao redor do mundo, porém, entidades que comandam o futebol continental e global, assim como grandes marcas, optaram por ignorar a despedida de Modrić das Copas.

A Nike, que patrocina o capitão croata, preferiu ativar seu grande astro Cristiano Ronaldo, que tem 670 milhões de seguidores no Instagram (enquanto Modrić tem pouco mais de 38 milhões).

A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) também não fez qualquer publicação relacionada à última participação camisa 10 da Croácia em Copas, mesmo sendo ele um dos cinco jogadores que mais vezes venceram a Champions League na história.

Atuando pelo Real Madrid, o meia conquistou seis edições da principal competição de clubes do planeta.

Para a Uefa, porém, dê-se um desconto, já que na semana passada a entidade usou a foto do atleta em um post que parabenizava a Croácia pela independência do país, conquistada em 1991, após uma guerra civil que fragmentou a antiga Iugoslávia.

O fato é que, nos times onde atuou, Modrić acostumou-se a ser uma junção de cérebro, pulmão e coração – aquilo que convencionamos a chamar por aqui de “carregador de piano”.

Ao mesmo tempo em que sempre foi eficaz auxiliando na marcação, possui uma visão de jogo privilegiada e um passe preciso, que lhe permitem construir jogadas mortais de ataque.

No fim das contas, porém, os atacantes é que acabavam brilhando. No Real Madrid, o croata acabou por ser ofuscado por Cristiano Ronaldo e de outros astros que faziam as redes balançar.

Ou até mesmo por figuras de muita grife e pouca efetividade, como James Rodríguez. Modrić precisou esperar o medalhão colombiano deixar o clube espanhol rumo ao Bayern de Munique, para poder enfim ganhar a camisa 10 do Real Madrid, na temporada 2017/2018.

Muito além dos gols

No quesito gols, seus números são modestos. Pelos clubes onde atuou, foram até agora 43 em 394 partidas. Já pela seleção croata ele anotou 27 em 186 jogos.

O que demonstra que essas estatísticas, isoladamente, não dão conta de explicar com exatidão o tamanho da carreira de um atleta. Do contrário, em seu primeiro ano no Milan, o jogador de 40 anos (fará 41 em setembro) não teria sido escolhido para a Equipe da Temporada 2025/2026 da Série A, da Itália.

Integrou a seleção da Champions League em seis edições do torneio, além de haver recebido a Bola de Ouro do Mundial de Clubes de 2017 e escolhido o melhor jogador da Uefa na Europa na temporada 2017/2018.

Em 2018, Modrić conseguiu romper a hegemonia da dupla Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, ao conquistar a Bola de Ouro, da France Football e do L’Equipe.

Naquele ano, ainda foi eleito o craque da Copa do Mundo (com direito a haver sido escolhido o melhor em campo em quatro partidas do torneio) e conduziu a seleção croata à sua primeira final na história. O time acabou sendo derrotado pela França.

Em 2022, Modrić ainda levaria a Croácia a mais uma semifinal de Copa do Mundo. E novamente a equipe de uniforme quadriculado tombaria diante da campeã, no caso a Argentina, que viria a derrotar a França na final.

Na ocasião, o meia foi escolhido o terceiro melhor jogador do Mundial, ficando atrás de Kylian Mbappé (segundo colocado) e Messi (Bola de Ouro).

Antes da partida desta quinta-feira, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) até postou fotos do croata ao lado de Cristiano Ronaldo.

Cristiano Ronaldo e Luka Modrić se cumprimentam, antes do confronto entre Portugal e Croácia – Reprodução / Instagram (@fifaworldcup)

Quem publicou esse conteúdo, porém, não se deu conta de que o jogo marcaria o fim da linha para um dos craques em Copas do Mundo.

Coube ao croata o mesmo destino que Zeus legou a Heitor, na Ilíada. E o Instagram da Fifa, tal como Homero, optou por centrar suas atenções no “Aquiles” português, escolhido o melhor em campo, com direito a troféu com a logomarca da Michelob Ultra.

Cristiano Ronaldo foi eleito o melhor em campo na partida entre Portugal e Croácia – Reprodução / Instagram (@fifaworldcup)

Em um universo que vive a louvar os vencedores, até mesmo um dos atletas mais vitoriosos da história pode acabar esquecido.

No fim das contas, Modrić deixa o palco do futebol mundial da mesma forma como entrou, de maneira discreta, demonstrando talento de sobra (a despeito das limitações físicas próprias de um quarentão de condicionamento físico invejável) e dedicando-se ao máximo por uma vitória que desta vez não veio.

Sua despedida das Copas talvez seja a materialização perfeita daquela velha máxima “pouca mídia e muito futebol”.

Porque futebol de qualidade o capitão croata sempre teve de sobra. E fará muita falta, quando decidir se aposentar de vez dos gramados.