O Santos vive uma fase de intensas mudanças em seus patrocínios, no período pós-Copa do Mundo. Neste momento, quatro marcas estão deixando o clube, ao mesmo tempo em que existe indefinição quanto à permanência de uma quinta.
As motivações das saídas são diversas. A Máquina do Esporte apurou, por exemplo, que nos casos de Nissei, EQR Capital e Pley by Ney, de Neymar, os contratos chegaram ao fim e não serão renovados.
Outra que saiu do Peixe é a fintech CorpX, que tinha sua marca estampada na barra frontal da camisa do time.
A parceria deveria se estender por toda a temporada 2026, mas precisou ser encerrada de maneira abrupta, por conta da crise que eclodiu na empresa, a partir do mês de maio.
O que aconteceu à CorpX
A partir de episódios ocorridos no ano passado, como a Operação Carbono Oculto, que desvendou o uso de fintechs sediadas na Avenida Faria Lima, em São Paulo (SP), em um esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), e a fraude do Banco Master – tudo isso aliado a queixas recorrentes de correntistas quanto a vazamentos e falhas de segurança -, o Banco Central (BC) resolveu elevar o rigor sobre as empresas do setor.
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Isso incluiu a exigência de um “colchão de capital” proporcional por parte das empresas, de modo a proteger o ecossistema de eventuais falências ou crises de liquidez (o mínimo passaria de R$ 1 milhão para R$ 9,2 milhões).
Uma das mudanças ocorridas ainda no ano passado previa que apenas instituições de pagamento com autorização definitiva de funcionamento concedida pelo BC poderiam participar do sistema do Pix.
Diversas companhias passaram a correr para obter essa licença, o que levou o órgão federal a impor uma linha de corte de capital mais rigorosa ao mercado. Ou seja, as empresas eram obrigadas a comprovar capacidade financeira para honrar compromissos assumidos e também que haviam feito investimentos massivos em tecnologia e segurança cibernética.
Esse teto regulatório elevado levou ao indeferimento de oito pedidos definitivos de funcionamento pelo BC, no primeiro quadrimestre de 2026, incluindo o da CorpX.
Em maio, a empresa (conhecida no mercado como a “Gigante do Pix”) havia anunciado a fusão de suas operações às da MT Pagamentos.
Naquele mesmo mês, o BC indeferiu o pedido definitivo feito pela CorpX, mas em junho ela obteve liminar concedida por uma desembargadora do o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), que suspendeu a decisão de fechamento da companhia.
Desde então, a empresa segue funcionando, com base na licença emitida em nome da MT Pagamentos.
O encerramento da parceria com o Santos tem a ver com readequações financeiras internas da CorpX e foi acertado de maneira amigável com a direção do clube.
Em busca de novos patrocinadores
A Máquina do Esporte apurou que o departamento de marketing do Santos está aproveitando a janela entre agosto e novembro para intensificar a prospecção de novos patrocinadores para a camisa, que entrariam no lugar das quatro marcas que deixaram a equipe.
O período é considerado estratégico pelo clube, já que muitas empresas estão trabalhando com orçamento de marketing já definido e avaliando investimentos e ativações para os próximos meses.
Além de Nissei, EQR, Pley by Ney e CorpX, ainda está indefinida a situação da Álamo Benefícios, que estampa sua logomarca na parte esquerda frontal do calção do time.
Nesse caso, a diretoria do Peixe negocia com a empresa a possibilidade de extensão da parceria. O vínculo atual prevê ainda um ou dois jogos de entrega do patrocínio.
Sobre a saída específica da Pley by Ney, surgiram informações de que o fato poderia ter sido motivado pela dívida do clube para com a NR Sports, que, em abril deste ano, já ultrapassava R$ 90 milhões em direitos de imagem atrasados.
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Fontes ligadas ao clube alegam, porém, que o fim do vínculo já estava previsto e que as duas partes teriam cumprido integralmente as obrigações contratuais e as entregas previstas.
O argumento é de que essa questão financeira com a NR não impacta a relação do atleta com o clube, tendo em vista que ele tem atuado e sido decisivo em partidas recentes do Peixe.
Além disso, o Santos segue sendo patrocinado por marcas que são fortemente ligadas a Neymar, caso da Canção Alimentos, que também é parceira do atleta.
