Um dos pivôs da crise política que quase custou o mandato de Gianni Infantino à frente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Kevin Lamour não é mais o diretor de operações da entidade.
De acordo com notícia veiculada pelo Inside World Football, o executivo foi demitido do cargo nesta segunda-feira (17). O fim do vínculo de trabalho foi confirmado em comunicado divulgado pela própria Fifa.
Com base em depoimentos de fontes ligadas à entidade máxima do futebol mundial, a demissão foi motivada pelas críticas de Lamour ao plano de Infantino de criar uma subsidiária batizada de Fifa Forward Enterprises (FFE), que concentraria os direitos comerciais de eventos como Copa do Mundo e teria um percentual minoritário de 20% vendido a Joshua Kushner, irmão do genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela quantia estimada de US$ 4,2 bilhões.
A notícia ocasionou revolta nas federações filiadas a Uefa (Europa), Concacaf (Américas do Norte e Central) e AFC (Ásia), que passaram a exigir a renúncia de Infantino da presidência da Fifa, além de trabalharem contra a reeleição do cartola.
No fim do mês passado, Lamour escreveu à Associated Press que os funcionários da Fifa “merecem algo melhor do que desprezo e intimidação”.
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À época, o alto comando da entidade já começava a sofrer baixas de executivos que se opunham ao projeto, que por aqui ficou conhecido como SAFifa. Lamour classificou o plano de Infantino como “o projeto de uma só pessoa”.
“Este projeto não só não deve prosseguir… como chegou a hora de os líderes políticos do futebol se questionarem corretamente e tomarem as decisões certas”, declarou.
Segundo o Inside World Football, a entidade teria efetuado “pagamento significativo de rescisão com Lamour sob a condição de que ele não dissesse mais nada sobre os planos de venda ou outros assuntos relacionados à Fifa”.
Em comunicado enviado ao The Athletic, a Fifa agradeceu Lamour por seus dois anos de serviços prestados e desejou “muita sorte para o futuro”.
“Nenhum comentário adicional será feito sobre o assunto”, concluiu o comunicado da instituição.
Crise política
Hoje, Infantino mantém-se no poder graças a uma base frágil de apoio, que tem como principais expoentes a CFA (África), a Conmebol (América do Sul) e OFC (Oceania, exceto Nova Zelândia), além de algumas dissidências nas confederações inimigas, como a da Federação Mexicana de Futebol (FMF).
Ao mesmo tempo, mais entidades na Europa reforçam a oposição ao dirigente. A Federação Escocesa de Futebol (SFA) anunciou publicamente que não votará em Gianni Infantino nas eleições marcadas para março, seguindo exemplo adotado pelas associações de Inglaterra, Irlanda e País de Gales.
Para agravar ainda mais a situação, nos últimos dias o magnata húngaro Sándor Csányi, presidente da federação de seu país e um dos oito vice-presidentes do Conselho da Fifa, retirou oficialmente seu apoio a Infantino.
