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Universidade do Futebol propõe “Fair Play Social” à CBF para regulação da base

Projeto envolve sistema de governança voltado à proteção e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes

Palmeiras e Athletico-PR se enfrentam na fase de grupos da Copa do Brasil Sub-15 - Fabio Menotti / Palmeiras

⚡ Máquina Fast
  • Universidade do Futebol propõe à CBF o Fair Play Social, sistema de governança para proteção e desenvolvimento de crianças e adolescentes nas categorias de base.
  • O Fair Play Social transforma direitos legais em obrigações mensuráveis, com auditoria independente e protocolo de cinco etapas para garantir cumprimento.
  • A implementação prevê projeto-piloto em clubes seguido de expansão gradual, envolvendo SAFs, federações, Ministério Público, famílias e patrocinadores.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

A Universidade do Futebol apresentou à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) uma proposta para a criação do “Fair Play Social”, um sistema de governança voltado à proteção e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes nas categorias de base dos clubes.

O documento foi entregue na quinta-feira (3) ao presidente da entidade, Samir Xaud, após ter sido debatido no grupo de trabalho da confederação focado nas divisões de base, o GT da Base.

Elaborado pela Frente Progresso Futebol de Base, comunidade que reúne mais de 500 profissionais atuantes em clubes e organizações esportivas, o projeto propõe que o futebol nacional aplique na formação de atletas o mesmo padrão de exigência utilizado na governança financeira. A estrutura exige o cumprimento de critérios estabelecidos, verificação por agentes independentes, transparência de dados e a adoção de mecanismos de apoio.

“Se o futebol brasileiro já desenvolveu indicadores, processos de acompanhamento e mecanismos de governança para fortalecer sua sustentabilidade financeira, podemos dar um passo semelhante para fortalecer a proteção e o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes que representam o futuro do nosso futebol”, disse Heloísa Rios, CEO da Universidade do Futebol e coidealizadora da Frente Progresso Futebol de Base.

Metodologia

A metodologia do Fair Play Social foi desenhada para superar modelos baseados apenas em declarações ou selos institucionais. O sistema transforma 11 direitos previstos na legislação nacional, incluindo saúde, educação, profissionalização e dignidade, em obrigações mensuráveis.

Os clubes precisarão responder a um protocolo de cinco etapas que determina o que deve ser garantido para cada norma, bem como qual é a evidência comprobatória, quem audita o processo de forma independente, a periodicidade da avaliação e os mecanismos acionados em caso de necessidade de correção de falhas.

Aplicação

O roteiro de implementação apresentado à CBF prevê uma adoção gradual da ferramenta. O planejamento sugere que, nos primeiros 90 dias, uma coalizão fundadora defina os indicadores e a matriz jurídica do sistema.

Do quarto ao nono mês, um projeto-piloto seria rodado de forma independente em três a cinco clubes para ajustes práticos. A partir do décimo mês, o modelo entraria em fase de expansão, com integração formal à governança esportiva da confederação.

A operação do sistema divide responsabilidades entre os diversos atores da indústria, englobando as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), associações, federações estaduais, órgãos como o Ministério Público e o Conselho Tutelar, além das famílias dos atletas e patrocinadores das equipes.

“O Fair Play Social precisa ser mais do que um sistema de verificação. Ele deve ser uma rede de proteção, aprendizagem e evolução para todo o futebol de base”, comentou Heloísa Rios.

O argumento central levado pela instituição à CBF é o de que a mitigação de riscos estruturais e a governança social afetam diretamente o potencial técnico e o retorno de investimentos gerados pelas categorias de base.

“Clube que protege, educa, acompanha e desenvolve seus atletas cria melhores condições para formar jogadores mais preparados, cidadãos mais autônomos e profissionais mais completos. E um país que fortalece sua base cria as condições para voltar a ocupar o topo do futebol mundial”, concluiu a executiva.