A Universidade do Futebol apresentou à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) uma proposta para a criação do “Fair Play Social”, um sistema de governança voltado à proteção e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes nas categorias de base dos clubes.
O documento foi entregue na quinta-feira (3) ao presidente da entidade, Samir Xaud, após ter sido debatido no grupo de trabalho da confederação focado nas divisões de base, o GT da Base.
Elaborado pela Frente Progresso Futebol de Base, comunidade que reúne mais de 500 profissionais atuantes em clubes e organizações esportivas, o projeto propõe que o futebol nacional aplique na formação de atletas o mesmo padrão de exigência utilizado na governança financeira. A estrutura exige o cumprimento de critérios estabelecidos, verificação por agentes independentes, transparência de dados e a adoção de mecanismos de apoio.
“Se o futebol brasileiro já desenvolveu indicadores, processos de acompanhamento e mecanismos de governança para fortalecer sua sustentabilidade financeira, podemos dar um passo semelhante para fortalecer a proteção e o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes que representam o futuro do nosso futebol”, disse Heloísa Rios, CEO da Universidade do Futebol e coidealizadora da Frente Progresso Futebol de Base.
Metodologia
A metodologia do Fair Play Social foi desenhada para superar modelos baseados apenas em declarações ou selos institucionais. O sistema transforma 11 direitos previstos na legislação nacional, incluindo saúde, educação, profissionalização e dignidade, em obrigações mensuráveis.
Os clubes precisarão responder a um protocolo de cinco etapas que determina o que deve ser garantido para cada norma, bem como qual é a evidência comprobatória, quem audita o processo de forma independente, a periodicidade da avaliação e os mecanismos acionados em caso de necessidade de correção de falhas.
Aplicação
O roteiro de implementação apresentado à CBF prevê uma adoção gradual da ferramenta. O planejamento sugere que, nos primeiros 90 dias, uma coalizão fundadora defina os indicadores e a matriz jurídica do sistema.
Do quarto ao nono mês, um projeto-piloto seria rodado de forma independente em três a cinco clubes para ajustes práticos. A partir do décimo mês, o modelo entraria em fase de expansão, com integração formal à governança esportiva da confederação.
A operação do sistema divide responsabilidades entre os diversos atores da indústria, englobando as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), associações, federações estaduais, órgãos como o Ministério Público e o Conselho Tutelar, além das famílias dos atletas e patrocinadores das equipes.
“O Fair Play Social precisa ser mais do que um sistema de verificação. Ele deve ser uma rede de proteção, aprendizagem e evolução para todo o futebol de base”, comentou Heloísa Rios.
O argumento central levado pela instituição à CBF é o de que a mitigação de riscos estruturais e a governança social afetam diretamente o potencial técnico e o retorno de investimentos gerados pelas categorias de base.
“Clube que protege, educa, acompanha e desenvolve seus atletas cria melhores condições para formar jogadores mais preparados, cidadãos mais autônomos e profissionais mais completos. E um país que fortalece sua base cria as condições para voltar a ocupar o topo do futebol mundial”, concluiu a executiva.
