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US Open, Rolex e James Bond: Por que um simples corte de câmera virou caso de marketing esportivo

Aparição de Pierce Brosnan na final do Grand Slam gerou uma cena que impulsionou milhões de visualizações e ampla repercussão nas redes sociais

Pierce Brosnan interpretou James Bond em quatro filmes da franquia - Reprodução

⚡ Máquina Fast
  • A transmissão da final do US Open entre Zverev e Shelton exibiu um corte para Pierce Brosnan, aumentando a exposição da Rolex, cronometrista oficial do torneio, e gerando mais de 2,5 milhões de visualizações em redes sociais.
  • Rolex é patrocinadora oficial do US Open desde 2018, investindo cerca de US$ 10 milhões anuais no evento, e aposta no tênis para reforçar sua marca de luxo associada à precisão e legado.
  • A cena mostrou uma conexão não paga entre Rolex e James Bond, destacando a rivalidade histórica entre Rolex e Omega na franquia cinematográfica, capturada de forma orgânica pela transmissão.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Na final do US Open entre Alexander Zverev e Ben Shelton, disputada neste domingo (13), uma cena de poucos segundos acabou gerando uma das conversas mais interessantes do torneio fora das quadras. Com o relógio da partida, patrocinado pela Rolex, marcando 0:07 em destaque no placar, a transmissão cortou para Pierce Brosnan, ator que interpretou James Bond em quatro filmes da franquia.

Logo depois, o próprio perfil do US Open postou o corte nas redes sociais, em um vídeo que já ultrapassou 2,5 milhões de visualizações em menos de 24 horas apenas no Instagram e no TikTok.

James Bond usa Rolex… e Omega?

O detalhe que torna essa cena mais interessante é o histórico dos relógios usados por James Bond, que marca uma disputa de décadas entre duas das principais marcas de relógio do mundo. Nos anos 1960, a Rolex vestiu Sean Connery com o modelo Submariner sem nunca precisar de um acordo, e o público passou a associar o personagem à marca.

Décadas depois, a concorrente Omega assumiu, aí sim por meio de um contrato, o pulso de James Bond a partir de 1995, ironicamente bem na estreia de Brosnan no filme GoldenEye, lançando edições especiais de código “007” e campanhas atreladas a cada estreia de filme.

Uma marca construiu essa associação de forma natural e recorrente; a outra comprou o direito de se apropriar dela. E o corte de câmera do US Open colocou as duas rivais no mesmo segundo de tela, sem que nenhuma pagasse por isso.

James Bond: Sean Connery usando Rolex, e Pierce Brosnan usando Omega nos filme da franquia – Reprodução

Rolex é cronometrista oficial do US Open desde 2018

Estimativas de mercado reportadas pelo site SportBusiness apontam que a Rolex paga cerca de US$ 10 milhões por ano para ser cronometrista (“official timekeeper”, em inglês) do US Open, o que faz parte de uma estratégia maior de patrocinar os quatro Grand Slams, sendo cronometrista de Wimbledon desde 1978, por exemplo.

Olhando para o todo, o investimento esportivo anual total da Rolex passa de € 180 milhões, segundo um levantamento da consultoria Sponsorize, distribuído majoritariamente em tênis, mas também presente em golfe, hipismo, vela e automobilismo, esportes de elite em que a marca tem visibilidade e se posiciona como parte da infraestrutura, pois em todos eles o tempo é parte crucial do resultado final.

Especificamente o US Open ainda tem a questão da localidade, já que Nova York é uma vitrine global de luxo, moda e finanças, e o torneio dá à marca acesso direto a clientes, varejistas e imprensa.

A estrutura por trás do desejo

Essa disciplina de patrocínio reflete um modelo de negócio pouco comum. Desde 1960, a Rolex é controlada integralmente pela Fundação Hans Wilsdorf, uma entidade sem fins lucrativos. A empresa é altamente lucrativa, mas não presta contas a acionistas nem precisa justificar decisões que deixam dinheiro na mesa, o que na prática significa fabricar menos relógios do que a demanda pede, o que acaba gerando escassez de produto, que é o que sustenta o preço e o luxo.

No tênis, a marca reforça esse posicionamento com nomes como Carlos Alcaraz, João Fonseca, Ben Shelton (vice-campeão do US Open), Coco Gauff e a lenda Roger Federer, todos associados a excelência, longevidade, precisão e legado.

João Fonseca é embaixador da Rolex – Reprodução / Instagram (@joaoffonseca))

É dentro dessa estrutura que o momento do corte para Pierce Brosnan no US Open ganhou peso. A Rolex paga, e paga bem, para garantir presença no torneio, mas o retorno mais comentado da noite veio de um diretor de transmissão reconhecendo, em tempo real, que o relógio no placar e o rosto na arquibancada podiam se conectar em um corte só.

É quase como um marketing de emboscada orgânico: a agilidade da transmissão, somada à velocidade das redes sociais, gerou uma exposição que sairia bem mais cara se fosse uma ativação comprada.