Após receber a última edição da Copa do Mundo e protagonizar uma campanha que só parou nas oitavas de final com uma derrota por 3 a 2 para a Inglaterra em um dos melhores jogos da competição, o futebol mexicano virou notícia fora de campo nos últimos dias.
Isso porque a Comissão Nacional Antimonopólio (CNA) afirmou ter encontrado indícios suficientes para examinar se organizações ou empresas abusaram de sua posição de mercado na “filiação, organização e acesso às competições profissionais de futebol federado” e serviços relacionados. Ou seja, o futebol do país está sendo investigado por práticas de monopólio.
O foco principal da CNA é a Liga MX e, em particular, a forma como o acesso à primeira divisão do torneio é controlado. Nenhum clube, liga ou federação foi considerado culpado de qualquer irregularidade.
Acesso e rebaixamento
O sistema de acesso e rebaixamento foi suspenso em 2020 e continua sendo um dos temas mais controversos do futebol mexicano. Vários clubes da Liga de Expansión, a segunda divisão, já estão com ações judiciais no Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) na tentativa de reabrir o caminho para a Liga MX. De acordo com veículos de imprensa do país, a investigação antitruste estaria diretamente relacionada a essa disputa, embora o olhar da CNA seja além dessa questão.
Segundo o site Inside World Football, o presidente da Liga MX, Mikel Arriola, tem buscado reformular o modelo de negócios do torneio, eliminando gradualmente a propriedade de múltiplos clubes e centralizando mais ativos comerciais e direitos de transmissão televisiva. No início deste ano, também foi aprovada uma nova estrutura de governança, conferindo à Liga MX maior separação legal da Federação Mexicana.
Vale destacar que o futebol mexicano sempre teve laços estreitos entre proprietários de clubes, emissoras e grandes grupos empresariais, o que não é comum no universo do futebol como um todo. A Televisa e o Grupo Salinas, por meio da TV Azteca, historicamente combinaram significativa influência na mídia com participações acionárias em diversos clubes, embora ambos tenham reduzido essas participações nos últimos anos.
Caso seja comprovada a conduta anticompetitiva, a CNA pode multar as organizações em até 10% da receita anual e ordenar a mudança ou o fim da prática.
Se isso acontecer, será a segunda vez que o futebol mexicano passa por algo parecido em um espaço de cinco anos. Em 2021, a Comissão Federal de Competência Econômica (Cofece), antecessora da CNA, multou 17 clubes, a Federação Mexicana de Futebol e oito indivíduos em um total de US$ 10.343.157 após constatar conluio envolvendo a movimentação de jogadoras e o teto salarial no futebol feminino.
