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Fifpro exige reforma na Fifa e maior espaço para atletas, clubes e ligas nas decisões

Sindicato quer evitar que decisões unilaterais, como a tentativa de criação do Fifa Forward Enterprise, coloquem em risco ecossistema do futebol global

Gianni Infantino acompanha partida entre Inglaterra e Gana na Copa do Mundo de 2026 - Divulgação / Fifa

⚡ Máquina Fast
  • Fifpro e Fifpro Europa exigem reformulação na governança da Fifa para evitar decisões unilaterais e integrar jogadores, clubes e ligas nas decisões.
  • Sindicatos criticam projeto Fifa Forward Enterprise e questionam queda da parcela da premiação da Copa do Mundo destinada aos jogadores.
  • Fifpro apoia posição da Uefa contra planos comerciais de Infantino, destacando o papel central do mercado europeu no futebol mundial.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

O sindicato mundial dos jogadores de futebol (Fifpro, na sigla em inglês) e o Fifpro Europa publicaram um comunicado nesta semana exigindo mudança no modelo de governança da Federação Internacional de Futebol (Fifa).

O objetivo principal das transformações defendidas pelas entidades é acabar com risco de “decisões unilaterais” capazes de abalar o ecossistema global do esporte.

O alvo principal da crítica do Fifpro está na malograda tentativa do presidente da Fifa, Gianni Infantino, de criar uma subsidiária chamada Fifa Forward Enterprise (FFE), que ficaria responsável pela comercialização dos direitos dos torneios promovidos pela entidade, inclusive a Copa do Mundo, e teria um percentual minoritário vendido a Joshua Kushner, irmão do genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Fifpro e Fifpro Europa pedem uma revisão independente das estruturas executivas de tomada de decisão da Fifa e a integração dos atores do futebol (“os jogadores, clubes e ligas que criam o valor do jogo”) nessa tomada de decisão.

O argumento dos sindicatos é de que a entidade máxima do futebol não poderia jamais comercializar sozinha algo que é resultado de um ecossistema em que os jogadores criam o produto, sendo treinados e pagos pelos clubes e dentro das ligas domésticas.

“Proteger esse ecossistema interconectado é essencial para proteger o sistema global de desenvolvimento e solidariedade que dele depende. Reconhecer como esse valor é criado e sustentar as condições que o sustentam é central para o crescimento futuro, investimento e solidariedade do jogo global como um todo”, diz o Fifpro.

Os sindicatos também destacam que a receita retornada da Copa do Mundo como prêmios em dinheiro “caiu de cerca de 10,5% em 2006 para cerca de 7,7% em 2026, mesmo com a multiplicação das receitas dos torneios”.

“Os jogadores recebem apenas uma fração desse retorno, enquanto as federações participantes dependem disso como a única fonte de receita baseada em desempenho da Fifa”, afirma a entidade sindical.

Uefa x Fifa

Fifpro e Fifpro Europa, de certa forma, acabam por puxar a sardinha para a União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) em sua queda de braço com a Fifa pelo controle dos rumos do futebol global.

A instituição presidida por Aleksander Čeferin tornou-se o principal polo de oposição a Infantino, desde o surgimento do projeto FFE, chegando a articular uma rebelião com apoio da Concacaf (Américas do Norte e Central) e da AFC (Ásia), com direito a ameaça de boicote, que coloca em risco os planos de reeleição do atual presidente.

LEIA MAIS: Uefa, AFC e Concacaf querem renúncia de Gianni Infantino da presidência da Fifa

Infantino chegou ao todo do comando da Fifa com o apoio da instituição europeia e de suas federações associadas.

Com o passar do tempo, porém, foi se afastando do futebol europeu, à medida em que se aproximava dos Estados Unidos, sobretudo após o retorno de Donald Trump ao poder.

No comunicado emitido pelos sindicatos, ambos fazem questão de enfatizar a defesa do mercado europeu, frente aos plano comercial traçado por Infantino.

Para tanto, eles recorrem aos dados do recente relatório do Fifpro Europa em parceria com Player IQ e Football Benchmark, que mostra que jogadores baseados no Velho Continente representaram 94% do valor total dos convocados para a Copa do Mundo de 2026.

A análise tenta mostrar que o mercado europeu é o principal contribuinte de jogadores para os torneios da Fifa, e que os atletas seriam os grandes responsáveis pelo valor de US$ 20 bilhões, estimado para as propriedades comerciais dessas competições.

“Todos os prêmios individuais das últimas cinco edições da Copa do Mundo da Fifa – Bola de Ouro, Chuteira de Ouro, Melhor Jogador Jovem, Luva de Ouro – foram conquistados por um jogador com contrato de trabalho europeu. E, dos 856 jogadores empregados no mercado europeu na Copa do Mundo de 2026, 451 são não europeus, gerando 33% do valor total de jogadores do torneio: a evidência mais clara de uma porta de entrada compartilhada, não de um sistema fechado”, diz o comunicado do Fifpro.

Os sindicatos alegam ainda que a natureza global do futebol de clubes europeu não se limita aos jogadores, mas que 40% dos clubes das cinco grandes ligas da Europa (Premier League, LaLiga, Bundesliga, Ligue 1 e Serie A) têm maioria de participação em seleções de outros continentes.

Para o Fifpro, esta seria “mais uma evidência de que o mercado de trabalho europeu é uma porta global que precisa ser governada de forma responsável, não vendida a portas fechadas.”