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Como Borussia Dortmund e Vodafone usaram IA para recriar um dos momentos mais importantes da Bundesliga

Campanha "The Unseen Goal" combinou pesquisa histórica, reencenação física e inteligência artificial para reconstruir o primeiro gol da história da competição

Peça "The Unseen Goal" reconstruiu o primeiro gol da história da Bundesliga - Reprodução / YouTube (@VodafoneGroup)

⚡ Máquina Fast
  • Vodafone recriou com IA o primeiro gol da história da Bundesliga, ocorrido em 1963, utilizando depoimentos, arquivos e reencenação física antes da aplicação tecnológica.
  • O projeto, financiado pela parceria de longo prazo com o Borussia Dortmund até 2030, priorizou curadoria histórica e humana, com a IA servindo como ferramenta de renderização final.
  • A iniciativa integrou conteúdo em múltiplas plataformas, museu oficial e deu ao clube um documentário de acervo, enquanto casos semelhantes com IA já foram realizados no Brasil, como com Pelé e Adriano.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

A Vodafone recriou com inteligência artificial (IA) o primeiro gol da história da Bundesliga. Timo Konietzka marcou aos 58 segundos de Werder Bremen 0x1 Borussia Dortmund, em 24 de agosto de 1963, mas a TV alemã ainda não estava pronta para cobrir a rodada de estreia na época. Dessa forma, o gol mais importante da liga existiu apenas na memória de quem estava no estádio por 63 anos. Mas a peça “The Unseen Goal” devolveu imagem e som ao momento.

Como o projeto foi pensado também importa. Meses antes de qualquer modelo generativo entrar em cena, a equipe reuniu depoimentos de quem cuida da memória oficial do clube, do irmão de Konietzka e de torcedores, cruzou isso com arquivos e reportagens da época, e ainda levou a equipe Sub-19 do Borussia Dortmund a campo para reencenar fisicamente a jogada e gerar dados reais do movimento.

A IA entrou só no fim, para traduzir todo esse material no resultado que, além de ser uma campanha, é quase um documentário do “marco zero” do futebol alemão. É uma inversão da produção que vale registrar: a maior parte do investimento foi em curadoria histórica e humana, com a IA funcionando mais como uma ferramenta de renderização.

Outro ponto interessante é que a Vodafone é a atual patrocinadora máster do Borussia Dortmund, com contrato até 2030. É esse vínculo de longo prazo que explica por que a marca bancou meses de pesquisa histórica em vez de uma peça publicitária mais barata e mais rápida.

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Ativações desse porte tendem a aparecer justamente em relações de patrocínio maduras, em que marca e clube já constroem um repertório em comum. O ganho também é do clube alemão, que dificilmente bancaria sozinho meses de pesquisa histórica com esse nível de detalhe, e, mesmo se pudesse, teria que procurar tecnologias com as quais pudesse fazer o projeto sair do papel. Com a ação, o Borussia Dortmund tem, agora, um documentário que passa a fazer parte do acervo oficial do clube.

Vodafone tem acordo com o Borussia Dortmund até 2030 – Divulgação / Borussia Dortmund

O lançamento, feito no começo da nova temporada da Bundesliga, passou pelo estádio do Dortmund, pelos canais de YouTube da marca e do clube e pela TV aberta alemã. Além disso, a entrada na exposição permanente do Deutsches Fussballmuseum, o museu oficial do futebol alemão, também em Dortmund, garantirá à Vodafone um ponto de contato institucional que seguirá rendendo visibilidade anos depois de a campanha sair do ar, deixando para o clube uma peça de acervo que continuará lá, mesmo se o patrocínio acabar.

Casos no Brasil

Vale lembrar que o Brasil já viu um uso parecido da tecnologia recentemente. Em julho, aquele que é considerado o gol mais bonito da carreira de Pelé, que não teve registro em vídeo, foi recriado com IA para o Museu Pelé, em Santos (SP).

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Outro caso que pode ser citado ocorreu na despedida do ex-atacante Adriano Imperador no Maracanã, em dezembro de 2024, quando a organização do evento reproduziu com IA a voz do pai do jogador, morto em 2004, para uma homenagem em campo. À época, a ação foi elogiada, mas também criticada. Isso porque teve quem viu sensibilidade envolvida, mas também quem enxergou justamente a falta dessa sensibilidade.