Não é apenas toda a polêmica envolvendo o Fifa Forward Enterprise (FFE) que está “tirando o sono” da Fifa desde o final da Copa do Mundo de 2026. A situação de diversos torcedores que utilizaram a plataforma de revenda da entidade é outro tema espinhoso, uma vez que tem muita gente reclamando de um calote por parte do órgão que comanda o futebol mundial.
A questão é que a política da Fifa para a plataforma de revenda dos ingressos para o Mundial de 2026, disputado nos Estados Unidos, Canadá e México, previa a retenção de uma taxa de 15% do valor tanto do comprador quanto do vendedor, com o repasse do restante ao anunciante dos ingressos em até 60 dias após a realização da venda. Só que o torneio em si já terminou há mais de 60 dias e ainda tem muito torcedor que não recebeu o valor prometido.
De acordo com o site especializado Front Office Sports (FOS), há torcedores com mais de US$ 15 mil a receber. A publicação revelou, inclusive, que alguns destes torcedores estão encaminhando e-mails a vários departamentos da Fifa, padronizando-os com ameaças de medidas legais no conteúdo.
A entidade, por sua vez, tem respondido, também por e-mail, que os reembolsos podem levar mais de 60 dias “por conta do alto volume de solicitações”. Em resposta aos questionamentos do FOS, um porta-voz da Fifa declarou que a entidade “continua processando os pagamentos e reembolsos de revendas elegíveis e trabalhando ativamente para concluir os casos pendentes restantes, incluindo aqueles que requerem arranjos bancários alternativos ou verificação adicional”.
Vale destacar que o processo de venda de ingressos da Fifa para a Copa do Mundo tem sido uma dor de cabeça para os torcedores desde a primeira leva de vendas. Questões como preços elevados, falta de clareza sobre a localização dos assentos, novas categorias de lugares à medida que o torneio se aproximava e taxas muito altas na plataforma de revenda confundiram os torcedores e aumentaram os lucros da entidade, que arrecadou cerca de US$ 15 bilhões com a competição.
Também vale lembrar que vários procuradores-gerais estaduais chegaram a manifestar preocupação ou iniciaram investigações formais sobre as práticas da Fifa na venda de ingressos para o torneio.
Enquanto não há uma solução definitiva para tantos torcedores, uma coisa parece certa: tem muita gente que ficará bem longe da plataforma na edição de 2030. Se é que a plataforma existirá até lá.
