Os executivos das principais ligas de futebol da Europa divulgaram um manifesto conjunto cobrando uma reestruturação no modelo de governança da Fifa. O documento, assinado por Richard Masters (Premier League), Marc Lenz (Bundesliga), Javier Tebas (LaLiga) e Luigi De Siervo (Serie A), critica a concentração de poder e questiona a atuação do presidente Gianni Infantino.
O estopim para a manifestação pública foi a tentativa de Infantino de vender parte dos direitos comerciais das competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, para agentes privados. A manobra foi apresentada com o programa Fifa Forward Enterprise (FFE).
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Embora o projeto tenha sido barrado pela pressão das partes interessadas, os dirigentes europeus argumentam que as condições institucionais que permitiram o seu desenvolvimento continuam ativas.
Segundo as ligas, essa mesma estrutura falha permite que a entidade tome decisões unilaterais que afetam a sustentabilidade econômica nacional, como a expansão do calendário de jogos sem a consulta prévia dos clubes afetados.
O texto publicado pelas entidades europeias detalha a falha no sistema de controle do futebol mundial e acusa a atual gestão de ignorar processos de modernização administrativa.
“O problema de governança da FIFA vai muito além do papel de um único indivíduo. A questão mais ampla é se o presidente da FIFA deveria exercer simultaneamente tamanho poder regulatório, comercial e político sem mecanismos eficazes de controle e equilíbrio, incluindo o consenso das partes interessadas”, afirma o documento.
“Há mais de uma década, após processos criminais envolvendo altos dirigentes do futebol, o próprio processo de reforma da FIFA buscou abordar essas questões – contudo, mais uma vez, o futebol sofreu um dos maiores abusos de poder da história da FIFA”, acrescenta.
Exigências
A primeira demanda é a criação de um órgão permanente de deliberação composto por federações, clubes, ligas e atletas, cujo consenso seria obrigatório para a aprovação de mudanças de calendário, emprego, competições e dos principais ativos do futebol.
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A segunda cobrança envolve a adoção de decisões baseadas em evidências, exigindo avaliações independentes e a publicação de justificativas técnicas antes de qualquer alteração esportiva de impacto.
Por fim, o grupo solicita a separação total entre o papel regulatório da Fifa e sua operação comercial, garantindo autonomia real aos departamentos de ética e supervisão financeira.
Eleições
Os executivos pedem que os futuros candidatos à presidência assumam publicamente o compromisso de convocar uma convenção de governança logo nos primeiros cem dias de mandato, sob a mediação de um comitê independente.
A aliança de ligas também alerta para a necessidade de neutralidade financeira e institucional da Fifa durante o pleito, a fim de evitar vantagens eleitorais com o uso do orçamento de desenvolvimento do esporte.
