A crise política em que se afundou o Corinthians parece estar longe do fim. Nesta sexta-feira (16), o promotor Cássio Conserino apresentou à 25ª Vara Criminal de São Paulo o pedido de prisão preventiva do segundo vice-presidente do clube, Armando Mendonça, réu no caso que ficou conhecido como o “escândalo das camisas”.
O Ministério Público apura, desde meados deste ano, suspeitas de desvios, retiradas irregulares e sumiço de uniformes e materiais esportivos fornecidos pela patrocinadora Nike, incluindo lotes contendo 100 camisas oficiais, além de calças, blusas, shorts, tênis, malas e mochilas de viagem, além de peças comemorativas exclusivas relativas à partida de futebol americano da NFL, realizada no ano passado na Neo Química Arena.
O esquema, que teria Mendonça como figura central, teria ocasionado prejuízo de R$ 6,2 milhões ao Corinthians.
Demissão
O pedido de prisão foi motivado pela demissão do diretor de tecnologia da informação Marcelo Munhoes, ocorrida nesta sexta. O profissional havia sido responsável por conduzir o levantamento técnico na auditoria que apurou internamente o caso.
A análise constatou que os materiais vinham sendo retirados irregularmente do almoxarifado do Centro de Treinamento e do Parque São Jorge, sem que isso fosse registrado nos sistemas internos do clube.
Auditorias paralelas concluíram que a retirada de materiais estava 300% acima da cota anual regulamentar e que existiria um esquema clandestino de venda de camisas oficiais a preços abaixo do mercado, que variavam de R$ 150 a R$ 180.
O impacto dessa situação foi tão grave que, em 13 de setembro do ano passado, o Timão teve de entrar em campo com o uniforme reserva para a partida contra o Fluminense, válida pela Série A do Brasileirão, por conta da falta de camisas oficiais do modelo principal para os atletas.
Para o promotor de Justiça que apura o caso, a demissão do diretor de tecnologia da informação, semanas antes da audiência de instrução prevista para ocorrer no dia 10 de novembro, representaria uma forma de coação e intimidação de testemunhas.
Advogados de Mendonça emitiram nota alegando que o vice-presidente não teria poder, perante o Estatuto do clube, para demitir diretores, uma vez que essa seria uma atribuição exclusiva do presidente.
Eles sustentam ainda que a saída de Munhoes foi motivada por questões políticas, tendo em vista que o profissional teria ingressado em uma chapa de oposição para as próximas eleições do clube, que ocorrerão no fim do ano. O pedido de prisão preventiva ainda será analisado pela Justiça.
