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Os impactos da reeleição de Lula ao esporte brasileiro

Indefinição sobre o mercado de apostas e manutenção de aporte estatal devem reconfigurar patrocínios no Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva terá quarto mandato no Brasil - Paulo Pinto/Agência Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva terá quarto mandato no Brasil - Paulo Pinto / Agência Brasil

⚡ Máquina Fast
  • Reeleição de Lula fortalece proibição das casas de apostas, impactando patrocínios esportivos a partir de 2027.
  • Esporte olímpico sofre perda de R$ 2,6 bilhões em repasses das apostas, mas mantém patrocínios estatais importantes.
  • Governo assegura R$ 1 bilhão para Copa do Mundo Feminina de 2027, mantendo apoio à organização do evento.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República deve gerar impactos para a indústria do esporte brasileira. Da proibição da atuação das casas de apostas no país à realização da Copa do Mundo feminina, a manutenção do atual governo tende a significar uma reconfiguração do cenário de patrocínios esportivos a partir de 2027.

A vitória de Lula coloca em alerta todo o segmento de apostas e, consequentemente, dos esportes que dependiam da verba das casas. Vista inicialmente como uma medida eleitoreira às vésperas do primeiro turno das eleições, a Medida Provisória (MP) que proibiu a atuação das bets tende, agora, a ganhar mais força com a reeleição de Lula.

Se, antes, o mercado acreditava que uma vitória de Flávio Bolsonaro reverteria o quadro em favor do segmento, agora o cenário é bem menos favorável. Lula já havia declarado, por diversas vezes antes das eleições, que não concordava com as apostas. A MP foi feita com base no cenário eleitoral, mas os próximos três meses serão decisivos para entender qual o futuro do segmento, já que é o período em que a MP deve valer antes de ser rediscutida.

Uma coisa é certa. Se voltarem a ser permitidas, as apostas terão de mudar radicalmente a forma de atuação no país, o que pode impactar diretamente no cenário dos patrocínios do segmento ao esporte, especialmente o futebol.

Até porque, segundo a MP, desde o último domingo (25), as outorgas para funcionamento das casas de apostas caducaram. Isso que signifca que, se o mercado voltar a ser regulamentado, todas as empresas terão de rever sua atuação e pedir novamente licença para atuar no país.

Esporte olímpico: Alívio e apreensão

Enquanto o futebol aguarda o destino das bets no Congresso, o esporte olímpico vive uma situação ambígua com a manutenção do Governo Lula. De um lado, a continuidade afasta o principal temor dos dirigentes, que era a perda do patrocínio estatal. De outro, a mesma gestão que proibiu as apostas eliminou uma fonte de receita que vinha crescendo para as entidades.

Durante a COB Expo, realizada entre 30 de setembro e 4 de outubro, em São Paulo (SP), a reportagem da Máquina do Esporte conversou com diversos dirigentes do movimento olímpico. Entre eles, havia o receio de que uma mudança de governo representasse um baque para o caixa das entidades, que voltaram a contar com forte investimento estatal a partir de 2023.

Hoje, a Caixa é patrocinadora máster do Comitê Olímpico do Brasil (COB), com aporte médio de R$ 40 milhões por ano. Outras 26 confederações recebem, juntas, R$ 20 milhões anuais da estatal, por meio de um programa operado pelo COB. A Caixa também é a principal cotista do Novo Basquete Brasil (NBB) e das confederações de atletismo e ginástica. Já o Banco do Brasil é o principal patrocinador da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e da World Surf League (WSL).

O alívio, porém, é parcial. Com a Medida Provisória 1.394/2026, acabam os repasses legais da arrecadação das apostas para entidades como COB, Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), além do próprio Ministério do Esporte. Pelas contas do COB, feitas com base nos valores recebidos entre 2025 e setembro de 2026, esse ecossistema deixará de receber cerca de R$ 2,6 bilhões até 2027.

Só o comitê projetava receber entre R$ 125 milhões e R$ 130 milhões das bets em 2027, o equivalente a cerca de 20% de um orçamento de R$ 600 milhões. O diretor de Esporte do COB, Jorge Bichara, já deu declarações de que a entidade ainda não sabe se conseguirá manter todas as frentes de preparação planejadas sem essa verba. A divisão de recursos com as confederações para o próximo ano segue em discussão.

A menos de dois anos dos Jogos de Los Angeles 2028, a dúvida é se o governo compensará a perda, seja via estatais, orçamento ou Lei de Incentivo ao Esporte, ou se o movimento olímpico terá de rever seu orçamento.

Copa do Mundo Feminina de 2027

A manutenção do Governo Lula também impacta na organização da Copa do Mundo de 2027. A competição feminina, que pela primeira vez chega à América do Sul, deverá receber cerca de R$ 1 bilhão de investimento estatal.

Essa, pelo menos, foi a estimativa dada pelo presidente da República em setembro, quando sancionou o Projeto de Lei nº 4.578, de 2025, que trata do desenvolvimento do futebol feminino no Brasil.

Além do aporte, o governo terá papel importante na atuação junto com a Fifa para a realização da Copa do Mundo. Como esses trabalhos já vinham sendo realizados, a tendência é de que não haja qualquer mudança nos próximos meses.