O tênis brasileiro vive um momento especial. E, desta vez, o crescimento não depende apenas do surgimento de um grande ídolo. O que estamos vendo é a construção de um ecossistema que reúne atletas de elite, novos praticantes, marcas, eventos e plataformas de comunicação. E as mulheres são protagonistas desse movimento.
Os números ajudam a explicar esse cenário. O interesse das brasileiras pelo tênis cresceu 33% desde 2020, segundo o Ibope Repucom, enquanto os registros de prática da modalidade no Wellhub aumentaram aproximadamente 95% entre 2024 e 2025.
O reflexo também aparece no consumo. A marca brasileira Slyce, especializada em vestuário para tênis, registrou crescimento anual de 120% em receita, com a linha feminina passando de 20% para 50% do faturamento da marca em menos de dois anos.
O movimento também ganha força no entretenimento e na mídia. O retorno do SP Open ao calendário da WTA, ocorrido em 2025, levou mais de 33 mil pessoas ao evento e demonstrou o potencial comercial da modalidade. Em 2026, o torneio ampliou de 38 para 45 o número de marcas parceiras.
Paralelamente, iniciativas como o New Balls Please e a entrada da CazéTV nas transmissões e coberturas mostram que existe uma audiência crescente e interessada em consumir tênis para além dos grandes torneios. No caso da plataforma de streaming, foi criado inclusive um hub: um perfil no Instagram focado na modalidade, com resultados e bastidores, podcast e acompanhamento de atletas brasileiros, tanto no profissional quanto no juvenil.
Mas nenhum esporte se consolida sem referências. E o Brasil tem motivos para comemorar. Bia Haddad Maia abriu caminhos importantes ao alcançar o Top 10 mundial em simples. Luisa Stefani, por sua vez, vive uma temporada espetacular. Ao lado da canadense Gabriela Dabrowski, chegou à liderança do ranking de duplas da temporada, conquistou títulos expressivos no circuito e garantiu presença no WTA Finals, reunindo as oito melhores parcerias do ano. Um desempenho que coloca o Brasil entre os protagonistas do tênis feminino mundial.
A trajetória de Luisa, aliás, também demonstra o valor de construir relações consistentes entre atletas e patrocinadores. Marcas como Bradesco, Prudential, Parmalat e Slyce encontram na brasileira atributos que vão muito além das vitórias: excelência, disciplina, credibilidade e conexão com um público cada vez mais relevante para o mercado.
E o futuro também é promissor. Jovens como Victoria Barros e Nauhany “Naná” Silva despontam como talentos de grande projeção internacional, mostrando que o país começa a formar uma nova geração capaz de dar continuidade ao protagonismo brasileiro.
O mais interessante é perceber que esses movimentos acontecem simultaneamente. Temos atletas de destaque, novas promessas, aumento de praticantes, crescimento de vendas, mais espaços na mídia e marcas dispostas a investir. São elementos que, conectados, podem transformar um bom momento esportivo em um mercado sustentável.
Agora, o desafio é não deixar essa oportunidade passar. É ampliar o acesso ao esporte, investir na formação de novas atletas, fortalecer os torneios nacionais e construir patrocínios de longo prazo.
Durante muito tempo, ouvimos que o esporte feminino precisava conquistar audiência para atrair investimentos. Hoje, o tênis mostra que essa audiência existe, cresce e consome.
Está mais do que evidente que o tênis feminino brasileiro já demonstrou potencial dentro das quadras. Agora, é hora de o mercado acompanhar esse crescimento fora delas.
Já no masculino…
O momento no masculino também é bem promissor. Além de João Fonseca, que já é uma realidade, Gustavo Heide, Guto Miguel (juvenil em incrível ascensão) e a dupla Rafael Matos e Orlando Luz mostram que a renovação está muito bem encaminhada.
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
Danielle Von Schneider é fundadora e CEO da Agência de Atletas, empresa responsável pelo gerenciamento de carreira e imagem de atletas como Rebeca Andrade, Duda Lisboa, Rafaela Silva, Bia Souza, Ana Marcela Cunha, Gui Santos, Bruno Fratus e Alison Mamute, entre outros
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