Levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) indica crescimento do consumo nos lares brasileiros nas semanas seguintes à entrada em vigor da Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu a operação, a oferta e a publicidade de apostas esportivas e cassinos online no país.
A medida passou a valer em 25 de setembro e ainda depende de análise do Congresso Nacional, com prazo estipulado para 4 de março de 2027.
Consumo
Segundo a entidade, o aumento foi observado sobretudo na cesta de produtos essenciais, como arroz, óleo, macarrão e café, abrangendo supermercados, atacarejos, mercearias e outros formatos do varejo alimentar.
Na semana de 5 a 11 de outubro, o varejo alimentar registrou alta de 6,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os maiores avanços ocorreram na região Sul e na área composta por Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro, ambas com crescimento de 10,6%. O Nordeste avançou 6,5%, enquanto o interior de São Paulo cresceu 5,6%.
Já entre 12 e 18 de outubro, a expansão nacional foi de 6,3%. A região Sul voltou a liderar o desempenho, com alta de 9%, seguida por Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro, com 7,1%.
Grande Rio de Janeiro (6%), interior de São Paulo (5,6%), Grande São Paulo (5,5%), Nordeste (4,5%) e Centro-Oeste (3,5%) também apresentaram crescimento.
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Contexto
Os números foram divulgados em meio aos debates sobre os efeitos da proibição das bets na economia brasileira. A MP assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no último domingo (25), determinou o encerramento das operações das empresas de apostas.
Embora as apostas tenham voltado à ilegalidade por meio da MP, estruturas governamentais criadas para fiscalizar o setor permanecem em funcionamento enquanto o futuro da medida não é definido.
De acordo com a Abras, os dados de consumo têm relação com informações do Banco Central que apontam redução imediata de 10% no volume de transações via Pix após a entrada em vigor da medida. Atualmente, a queda estaria em 7%.
Impacto
A proibição das bets produziu reflexos também na indústria do esporte. A medida determinou o encerramento dos contratos de patrocínio e publicidade vinculados às casas de apostas, afetando clubes de futebol que tinham nas empresas do setor uma das principais fontes de receitas comerciais.
Dos 20 clubes da elite do Brasileirão, 14 tinham uma casa de aposta como patrocinador máster, incluindo Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo. Com o fim desses acordos, equipes passaram a buscar alternativas para recompor receitas e manter seus planejamentos financeiros.
Os operadores de apostas, por sua vez, defendem a retomada do mercado regulado, argumentando que a restrição pode favorecer a migração dos usuários para plataformas ilegais, sem arrecadação de impostos e garantias financeiras aos clientes.
