A Maratona do Rio entrou no grupo das dez marcas de maratona mais fortes do mundo, segundo o relatório da consultoria britânica Brand Finance. A prova ocupa a 10ª posição, uma acima em relação a 2025, e é a única representante da América Latina entre as dez primeiras, ao lado de eventos tradicionais como Londres, Nova York, Boston, Berlim e Paris.
O que o ranking mede
Com 66,5 pontos no Brand Strength Index (BSI), indicador que mede a força de uma marca em uma escala até 100, a Maratona do Rio se destacou especialmente pela conexão com os corredores brasileiros, ficando em sexto lugar no recorte de percepção de marca no mercado doméstico.
Em sua segunda edição, o estudo avaliou mais de 75 maratonas e ouviu 9.400 pessoas em 9 mercados, incluindo quase 3 mil maratonistas. A análise considera fatores como reconhecimento, reputação, intenção de participação e engajamento, com respostas de corredores como base para o ranking de 2026. Portanto, a posição não representa o valor financeiro da Maratona do Rio, mas a força de sua marca junto ao público.

De 3 mil a 70 mil participantes
A trajetória recente ajuda a explicar esse resultado. A fase atual da organização começou em 2003, com cerca de 3 mil corredores, e ganhou uma nova estrutura em 2009, quando a Dream Factory passou a atuar ao lado da Spiridon Eventos. Desde então, o evento cresceu bastante: foram 38 mil participantes em 2023; 45 mil em 2024; 60 mil em 2025; e aproximadamente 70 mil em 2026, uma alta de 84% em apenas três anos.

Esse crescimento foi acompanhado pela transformação da prova em um festival de corrida, com distâncias de 5km, 10km, 21km e 42km, além de desafios que combinam percursos. A distinção é importante porque os 70 mil inscritos não correspondem apenas à maratona completa: cerca de 22 mil participaram dos 42km em 2026. A variedade de provas amplia o público potencial e cria oportunidades para patrocinadores, produtos licenciados e experiências que vão além da competição.
Esporte e turismo movimentam a cidade
O evento também se beneficia da relação entre esporte e turismo. Em 2026, recebeu corredores de 59 países, e 75% dos participantes vieram de fora do município do Rio de Janeiro. Segundo um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), a edição gerou R$ 711,7 milhões de impacto econômico na cidade, enquanto a rede hoteleira carioca registrou ocupação média de 76,44% durante o período do evento, de acordo com o HotéisRio. Vale destacar que o impacto econômico representa a movimentação gerada no destino, não o faturamento da organização.
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A dimensão esportiva também contribui para o posicionamento da marca. Em 2026, a prova de 42km recebeu o Elite Label da World Athletics e ofereceu US$ 270 mil em premiação, a maior de uma corrida de rua na América Latina. Para 2027, a organização busca alcançar o Gold Label, dando continuidade ao trabalho de aprimoramento técnico e atração de atletas de elite.
O desafio de conquistar corredores estrangeiros
O próximo passo é converter a força construída no mercado brasileiro em maior reconhecimento internacional. A organização participou de exposições de maratonas em Buenos Aires e Nova York, e prevê presença na Expo da Maratona do Porto. Além disso, passou a oferecer inscrições diretas para estrangeiros pela plataforma Go Dream, sem a exigência de contratar um pacote turístico, o que diminui custos e aumenta adesão.
A estratégia procura combinar a atratividade internacional do Rio de Janeiro com o reconhecimento da própria prova. A cidade já é um destino conhecido por turistas estrangeiros e nacionais, mas a oportunidade identificada pela Brand Finance está em transformar esse apelo em mais um motivo para que corredores estrangeiros escolham a Maratona do Rio. A consultoria também reconheceu o evento como a marca de maratona mais forte da América Latina e entre os mercados emergentes.
A próxima edição da Maratona do Rio, a 25ª, será realizada de 27 a 30 de maio de 2027, durante o feriado de Corpus Christi.
