O que o esporte pode aprender com o varejo

Como no esporte, o futuro das marcas e do varejo está mudando mais rápido do que nunca

Na última semana, estive no Fórum E-Commerce Brasil 2022 conhecendo, ou revendo, um pouco de um dos mercados que mais cresce no Brasil e no mundo. Como um apaixonado por dados e tecnologia, apesar de focar no esporte, estar atento à inovação é fundamental.

E posso afirmar que o esporte tem muito a aprender com o varejo brasileiro.

Ambos os mercados foram amplamente impactados pela pandemia, “forçando” uma reestruturação geral. Como resultado, os antigos modelos de negócios estão sendo interrompidos em um ritmo alarmante, e os vencedores serão aqueles que conseguirem se adaptar rapidamente.

Essas mudanças estão se acelerando à medida que tecnologias Web3, como Finanças Descentralizadas (DeFi) e Tokens Não Fungíveis (NFTs) ganham força no mainstream. Mas é interessante notar que, além disso, a tecnologia blockchain deve ter um impacto disruptivo no setor de varejo nos próximos anos. Apesar do setor mostrar que ainda não sabe direito para onde navegar com essas mudanças, claramente há uma preocupação com o futuro que elas representam. Diferentemente do mundo do esporte, que vem adotando tecnologias, mesmo sem saber aonde querem chegar.

No meu entender, tanto para entidades esportivas como marcas ou varejistas, é importante encontrar maneiras de se diferenciar em um espaço cada vez mais competitivo. A tecnologia blockchain pode parecer muito distante para quase todos da sua marca ou produto, mas está mais perto do que você imagina.

Então, o que a Web3 significa para os varejistas?

Pode parecer bobagem, mas, se pensarmos na Web3 do ponto de vista do varejo, poderemos identificar fatores que permitirão algumas quebras de paradigmas no setor esportivo. As vantagens da Web3 no varejo incluem:

  • Empoderar os consumidores com mais privacidade do que nunca, o que também lhes dá mais controle sobre sua experiência de compra;
  • Oferecer novas maneiras para os varejistas se conectarem diretamente aos consumidores, em vez de por meio de terceiros;
  • Melhorias no atendimento ao cliente; 
  • Construir novas formas de valor de marca, permitindo experiências de compra ultrapersonalizadas;
  • Oferecer maior transparência no fornecimento e fabricação de produtos, ou na tomada de decisão dos produtos;
  • Recompensar os clientes por compartilhar informações sobre suas compras com amigos e familiares

Como as marcas podem evitar ser deixadas para trás?

Nesse caminho, temos que pensar nas marcas que trabalham com o varejo e patrocinam o esporte, além de nos lembrarmos que muitas entidades esportivas devem começar uma migração para serem vistas como marcas, não só como simples entidades esportivas.

Assim, nos primeiros dias, as marcas que inovavam primeiro tinham uma enorme vantagem competitiva. Além disso, as empresas com o desenvolvimento mais rápido de recursos digitais e a melhor experiência on-line conquistavam novos clientes e fidelizavam mais rápido.

Com a Web3, estamos vendo um cenário semelhante acontecer. Ao entender o que é Web3 e agir rapidamente, as marcas têm a chance de se diferenciar de seus concorrentes. O ponto é saber até onde vale tal diferenciação.

Com vistas ao futuro, a Web3 (construída sobre tecnologias blockchain) vem sendo projetada para dar aos usuários mais controle sobre seus dados, privacidade e segurança, pois oferece uma maneira para os profissionais de marketing construírem a confiança do consumidor em sistemas e plataformas on-line que serão frequentemente assolados por questões de autenticidade, segurança de dados e privacidade.

A Web3 traz um novo conjunto de possibilidades para marcas, varejistas e consumidores. Por consequência, para nós do mercado esportivo.

A Web3 desafiará as marcas a adaptarem seus modelos de negócios, adotarem a transformação digital e testarem as águas do marketing ágil, pois a nova infraestrutura gera novas oportunidades para as marcas e clubes otimizarem seus valores.

Durante as próximas semanas, acompanhem minhas redes sociais. Falarei um pouco mais sobre o tema e abordarei a relação entre esporte e varejo em @fleurysportmkt e no meu LinkedIn.

Fernando Fleury é fundador da Armatore Market + Science e escreve mensalmente na Máquina do Esporte