Opinião: OneFootball entendeu o caminho para crescer no Brasil

O anúncio do acordo da plataforma OneFootball com o Grupo Globo para a aquisição dos pacotes de melhores momentos de partidas das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, além da Copa do Brasil, mostra um novo movimento dentro do mercado brasileiro de mídia.

O acerto, somado à aquisição dos direitos aos highlights das Copas Libertadores e Sul-Americana a partir do ciclo 2023-2026 das duas competições, fará com que o OneFootball seja “a casa dos melhores momentos” do futebol no Brasil.

É um movimento que deve solidificar a hegemonia do OneFootball dentro de um mercado muito específico e importante: o dos jovens fãs de futebol que consomem o produto pelo telefone celular.

Quando anunciou um acordo global para transmitir a Bundesliga, a plataforma alemã tinha como meta entrar no jogo do streaming e concorrer com outras marcas do gênero, como o DAZN.

Menos de três anos depois, porém, parece que, pelo menos no Brasil, a empresa entendeu que há um caminho muito mais fácil a ser percorrido para conversar e reter a nova geração de consumidores.

Mais do que buscar o fanático por futebol com a transmissão ao vivo e exclusiva dentro da plataforma, o OneFootball tem, com os pacotes de melhores momentos, o conteúdo que o jovem quer consumir dentro do esporte.

Hoje, os jovens são multiconectados e, ao mesmo tempo, multifragmentados no consumo. É só ver o fenômeno do cartola e dos fantasy games em geral para entender que o atrativo não é o jogo de futebol pelo jogo, mas tudo o que é possível de se “gamificar” em torno disso.

Nesse sentido, levar os melhores momentos para quem quer consumir o autor do gol ou da assistência, quer ver o lance bonito da partida ou apenas um resumo daquilo que ele acompanhou pelo tempo real do aplicativo parece ser muito mais eficiente do que gastar bastante em aquisição de direitos e produção de um jogo inteiro.

O OneFootball mostra que achou o caminho para ser a referência de plataforma esportiva no Brasil, especialmente para o público jovem. E é interessante notar que os clubes e a mídia tradicional continuam sem achar um caminho para conversar com esse tipo de fã.

Erich Beting é fundador e CEO da Máquina do Esporte