Você também vai montar um time de e-Sports?

Fui convidado pela Máquina do Esporte para trazer inspiração para quem quer entender como o mundo de games e esportes podem viver juntos.

Eu acredito muito nessa tese. Bons exemplos não me deixam mentir.  Foi isso que tentei trazer em artigos como:

Outras situações me chamam a atenção.

Há, como em toda a indústria, a tendência de se seguir o movimento dos líderes e dos pioneiros. 

Quando a coisa vira quase um padrão de mercado, cria-se o efeito manada.

Se você me conhece ou acompanha meus artigos, sabe que adoro fazer analogias.

E aqui vai a primeira: cuidado com o efeito paleteria.

No começo é uma novidade, depois você encontra uma a cada esquina.

Assim foi com locadora de vídeo, sites de compra coletiva, brigaderia, bolo da vovó, kebaberia, temakeria e por aí vai.

Passado o pico de interesse, poucos sobrevivem.

O território dos e-Sports é competitivo e profissional.

Sim. Atrai público, apoio, audiência e investimento.

Mas pense se você precisa (ou pode) entrar mesmo nos e-Sports:

Um passado de glórias. Já o presente…

Vejo ainda empresas e instituições esportivas que partem para duas ou três modalidades ao mesmo tempo.

Fui sócio e trabalhei em clubes esportivos.

A lista não é pequena:

Presença em dezenas de modalidades esportivas  no passado. Dificuldade ou impossibilidade para mantê-las no presente.

Além do mais, por mais que a ligação do sócio com o clube seja boa, não significa que você viverá todas experiências ali dentro.

Sou palmeirense e filho de italiano.

Definitivamente existem experiências melhores que as de gastronomia e curso de  língua italiana do que aquelas oferecidas na sede social do clube em São Paulo.

E está tudo bem. Outras tantas coisas me conectavam àquele pedaço da Rua Palestra Itália. 

Meu ponto aqui é: o mundo esportivo (em especial, os clubes) já têm desafios históricos para garantir sua sobrevivência. 

Entrar de forma desavisada nesse mercado deixa tudo ainda mais difícil.

Seu torcedor é sempre fiel ao seu time?

Os e-Sports foram mais rápidos em criar sua base de fãs do que as entidades esportivas.

As equipes que surgiram nessa década conquistaram uma geração que começa a se afastar do ritual da audiência do esporte que conhecemos até aqui.

O torcedor do seu clube provavelmente já está engajado e muito bem tratado pelas inúmeras organizações profissionais que existem hoje no Brasil como Loud, Los Grandes, Black Dragon, INTZ, Pain, Vivo Keyd e tantas outras.

E esse povo faz bem feito. Padrão internacional.

“Sassa, a gente quer montar um time”

A primeira coisa que penso quando me falam isso é se o torcedor daquele clube quer que isso aconteça e de que forma.

O fato de você colocar “e-Sports” abaixo do escudo do time não significa que sua jornada nesse mundo deu-se por concluída:

Não posso deixar de compartilhar com vocês o episódio de torcedores suíços arremessando controles de PlayStation em campo para protestar contra o clube.

Outro ponto importante é o de que as marcas começam a ter cada vez mais suporte para investir em propriedades do mundo dos games.

Dizer que vai ter audiência só porque o clube tem torcida, não funciona mais.  

Trazer valores que são próximos a de patrocínios do time principal (que tem história, títulos, atletas famosos e cobertura de mídia), menos ainda.

Que tal perguntar para quem vai torcer por você?

Ah, os dados. Sempre eles.  Vão te ajudar como nunca a entender que caminho tomar.

Pode ser que você inclusive tenha todas as informações necessárias para, quem sabe, montar seu time de e-Sports.

Lembre-se: os esportes são mais do que bem-vindos no mundo gamer. 

O ponto de virada aqui é partir para ação com suporte de informações.

Como manter seu público dentro do clube

Uma das entidades esportivas mais tradicionais de São Paulo identificou que o público mais jovem estava deixando de frequentar o clube, em especial aos finais de semana.

Uma pesquisa identificou que uma forma de trazê-los de volta seria através de torneios de e-Sports para associados, ações com empresas de games e instalações de lan house (em especial para os corujões, partidas que viram a noite)

Palmeiras Game Day

Realizado em duas edições, a iniciativa teve inspiração nos números e interações que estava ocorrendo nas redes sociais do clube.

Em parceria com marcas e parceiros do clube, usou a base do programa Avanti para chamar a atenção do gamer palmeirense.

Foi uma ação de e-Sports? Não. Mas serviu para o clube entender melhor como a torcida se comportava em relação ao tema.

59% dos corintianos jogam videogame

Esse dados foi trazido pela pesquisa realizada pela Sport Track.  

Se você somar isso a outros fatores (posse de smartphone entre o público e gamers identificados com o clube), não é à toa que quando lançadas as iniciativas do clube foram referência. 

Sabe o Nobru, um dos maiores influenciadores do Brasil? Veio do Corinthians Free Fire. 

Se não sabe, é bom saber. Além de tudo o que faz, é um dos donos da fluxo.gg, que tem patrocínio de Banco Next, Casas Bahia, Ifood e TNT.

Acho que você já deve ter visto algumas dessas marcas no futebol, né?

Pense de que forma você pode ajudar a experiência gamer antes de avançar para investimentos mais sérios em e-Sports:

Ah… E faça como 1.239 profissionais e assine a The Gaming Newsletter.

Alessandro Sassaroli, que, após seis anos como head da área de gaming do YouTube, se tornou evangelista do universo gamer, auxiliando marcas e pessoas a entenderem e se inserirem no universo dos e-Sports, escreve mensalmente na Máquina do Esporte

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