Desde o início da capacitação da polícia para o monitoramento das apostas esportivas no Brasil, o número de denúncias registradas apresentou uma queda de 80% de acordo com dado do governo federal obtido pela Máquina do Esporte.
Para o poder público, a melhoria no trabalho de combate a manipulação de apostas e a estruturação de uma política nacional do tema fez com que as quadrilhas migrassem sua atuação para países menos eficientes em combater esse crime.
Outra hipótese relevante é que, com a melhoria da filtragem das notificações, os casos sem indícios fundamentados deixaram de ser contabilizados na base de dados.
Evento
Como fazer com que esses números continuem a cair é um dos temas do II Encontro Técnico Nacional sobre Combate à Manipulação de Resultados Esportivos, promovido pelo governo federal, em Brasília entre esta terça e quinta-feira (28 a 30).
O evento discute temas estruturados a partir do Grupo de Trabalho interministerial que instituiu a Política Nacional de Prevenção e Enfrentamento à Manipulação de Resultados Esportivos (PNPEMR), anunciada no início do mês. Participaram do GT as pastas da Fazenda, Esporte e Justiça e Segurança Pública.
O documento organiza a atuação estatal em quatro eixos: regulamentação, prevenção, monitoramento e fiscalização, e repressão.
“Em menos de um ano, saímos do diagnóstico para a implementação de uma política nacional estruturada, com inteligência integrada, capacitação e mecanismos efetivos de prevenção, monitoramento e repressão”, destaca Paulo Henrique Cordeiro, ministro do Esporte.
Ecossistema
A implementação da política visa estruturar o Ecossistema Nacional de Integridade em Apostas Esportivas. O modelo atua em rede, integrando as capacidades de órgãos públicos e atores do setor para o compartilhamento de informações e inteligência. A mudança busca substituir a atuação fragmentada por uma operação coordenada e orientada por dados.
“Este segundo encontro consolida um avanço importante para o governo do Brasil, ao aprofundar a capacitação de agentes, além de integrar diferentes instituições e fortalecer mecanismos que garantem mais transparência, segurança e credibilidade às competições e ao esporte brasileiro”, diz Giovanni Rocco , secretário nacional de Apostas Esportivas e Desenvolvimento Econômico do Esporte do Ministério do Esporte,.
Entre as entregas que acontecerão no encontro está o Sistema de Análise de Apostas Suspeitas, desenvolvido pela Polícia Federal (PF). A ferramenta organiza dados para apoiar investigações e cruzamento de informações.
Também foi publicada a segunda edição do Manual Nacional de Combate à Manipulação de Resultados Esportivos, que estabelece fluxos entre instâncias governamentais e metodologias de investigação.
“Com a integração entre inteligência, regulação e investigação, o Brasil passa a ter condições mais efetivas de enfrentar esse tipo de prática de forma contínua”, defende Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF.
Capacitação
O governo também lançou o primeiro curso à distância de Prevenção e Repressão à Manipulação dos Resultados Esportivos, via Academia Nacional de Polícia.
A iniciativa foca na qualificação de agentes de segurança em todos os estados. A estratégia inclui a produção contínua de relatórios de inteligência e a formalização de parcerias com agências de integridade internacionais.
“A iniciativa fortalece a cooperação, permite o alinhamento de fluxos e contribui para transformar experiências em respostas coordenadas ao enfrentamento à manipulação de resultados esportivos”, conta Daniele Cardoso, secretária de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
